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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2024

MedicinaNeurologia
Código
vu081110
Banca
VUNESP
Órgão
A.C. Camargo Cancer Center
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia - Psicologia
A maioria dos estudos indica que alterações cognitivas decorrentes da quimioterapia (chemo fog) parecem mais compatíveis com disfunção
  1. Apré-frontal.
  2. Boccipital.
  3. Cfrontotemporal.
  4. Dsubcortical.
  5. Ecerebelar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — subcortical.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Chemo fog e a disfunção subcortical

Gabarito: letra D. As alterações cognitivas decorrentes da quimioterapia (o chamado chemo fog) são mais compatíveis com disfunção subcortical, pois afetam predominantemente as vias e estruturas profundas do cérebro — como os núcleos da base, o tálamo e a substância branca — que modulam atenção, velocidade de processamento e memória de trabalho, em vez de comprometer primariamente o córtex cerebral (pré-frontal, occipital ou frontotemporal). Essa localização é corroborada por estudos de neuroimagem que mostram alterações na substância branca e em circuitos subcorticais após quimioterapia.

O chemo fog (ou chemobrain) é um quadro de queixas cognitivas — dificuldade de concentração, lentificação do raciocínio, esquecimentos — relatado por pacientes oncológicos após tratamento quimioterápico. Embora o mecanismo exato ainda seja objeto de pesquisa, a maioria dos estudos aponta para um padrão de disfunção subcortical, e não cortical. Isso significa que o problema está mais nas conexões e nos núcleos profundos do cérebro do que nas áreas corticais responsáveis por funções específicas como linguagem (lobo frontal/temporal), visão (occipital) ou planejamento complexo (pré-frontal).

A distinção entre disfunção cortical e subcortical é clássica em neurologia. Lesões corticais tendem a produzir déficits focais e específicos — afasia, agnosia, apraxia — enquanto lesões subcorticais costumam gerar um padrão mais difuso de lentificação cognitiva, alterações de atenção e memória, sem os sinais corticais típicos. O chemo fog se encaixa nesse segundo perfil: o paciente refere "névoa mental", dificuldade de multitarefa e lentidão para processar informações, sem apresentar afasias ou agnosias.

Na prática clínica, o reconhecimento desse padrão é importante para o manejo: orientar o paciente sobre a natureza do sintoma, evitar exames desnecessários e, quando indicado, encaminhar para reabilitação neuropsicológica. A banca explora exatamente essa distinção entre o que é cortical (alternativas A, B, C) e o que é subcortical (alternativa D), sendo a alternativa E (cerebelar) um distrator anatômico, pois o cerebelo está mais relacionado à coordenação motora e ao equilíbrio do que às funções cognitivas superiores.

Guarde o critério: cortical = déficits focais e específicos; subcortical = lentificação e disfunção difusa. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

Chemo fog (disfunção cognitiva pós-quimioterapia)
  • 1Padrão predominante
    • Disfunção subcortical (gabarito)
      • Núcleos da base, tálamo, substância branca
      • Lentificação, atenção e memória difusas
  • 2Distratores
    • Cortical (pré-frontal, occipital, frontotemporal)
      • Déficits focais e específicos
    • Cerebelar
      • Ataxia, dismetria, equilíbrio
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A disfunção pré-frontal estaria mais associada a alterações de funções executivas, como planejamento, inibição e tomada de decisão, que podem ocorrer no chemo fog, mas não são o padrão predominante descrito nos estudos. A maioria das evidências aponta para comprometimento subcortical, com envolvimento de circuitos fronto-subcorticais, mas a localização primária não é o córtex pré-frontal em si.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A região occipital é responsável pelo processamento visual. Não há relação direta entre quimioterapia e disfunção occipital primária; o chemo fog não cursa com alterações visuais ou agnosias visuais. É um distrator anatômico sem fundamento fisiopatológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A região frontotemporal está associada a linguagem, comportamento e memória semântica. Embora o chemo fog possa afetar a memória, o padrão não é o de uma demência frontotemporal, com afasia progressiva ou alterações comportamentais marcantes. A disfunção é mais difusa e subcortical.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A disfunção subcortical é a mais compatível com o chemo fog, conforme a maioria dos estudos. As estruturas subcorticais — núcleos da base, tálamo, substância branca — são particularmente vulneráveis aos efeitos da quimioterapia, resultando em lentificação cognitiva, déficits de atenção e memória de trabalho, sem os sinais focais corticais. Esse é o padrão descrito na literatura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A disfunção cerebelar está classicamente associada a ataxia, dismetria e alterações de equilíbrio, e não a déficits cognitivos primários. Embora o cerebelo participe de funções cognitivas superiores (como a linguagem e a memória de trabalho), o chemo fog não tem como principal localização o cerebelo. É um distrator anatômico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre disfunção cortical e subcortical. O candidato pode ser tentado a escolher "pré-frontal" (A) por associar quimioterapia a problemas de concentração e memória, que são funções executivas. Mas o padrão predominante descrito nos estudos é subcortical — a lentificação e a disfunção difusa, sem déficits focais. Lembre-se: chemo fog = disfunção subcortical, não cortical.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de localização de lesão, pergunte-se: o quadro tem déficits focais (afasia, agnosia, apraxia) → cortical; ou tem lentificação, atenção e memória difusas → subcortical. Essa dicotomia resolve muitas questões de neurologia.

Gabarito: letra D

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