Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Legislação Profissional do Médico — VUNESP 2024

MedicinaLegislação Profissional do Médico
Código
vu081121
Banca
VUNESP
Órgão
A.C. Camargo Cancer Center
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia - Psicologia
Em UTI pediátrica, por vezes, é necessária a tomada de decisões difíceis que envolvem dilemas éticos e legais.Nesse contexto, é correto afirmar que as decisões devem ser tomadas
  1. Apor uma junta médica, caso se pretenda interromper a vida do paciente.
  2. Bde acordo com o posicionamento da família, com assentimento por parte do paciente.
  3. Cpelo médico e pela família, respeitando-se o princípio da autonomia.
  4. Dpelo médico responsável, o mais preparado para a tomada de decisão.
  5. Epela equipe de saúde, seja qual for a natureza da decisão a ser tomada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pelo médico e pela família, respeitando-se o princípio da autonomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tomada de decisão em UTI pediátrica: autonomia e responsabilidade compartilhada

Gabarito: letra C. Em situações de dilemas éticos e legais, como na UTI pediátrica, as decisões devem ser tomadas pelo médico e pela família, respeitando-se o princípio da autonomia. Isso porque, embora o médico detenha o conhecimento técnico-científico, a decisão sobre o paciente — especialmente quando este não pode manifestar sua vontade — deve ser compartilhada com os responsáveis legais, que são os representantes naturais do paciente. Essa é a diretriz central da ética médica contemporânea, que valoriza a autonomia do paciente e, na sua impossibilidade, a participação da família no processo decisório.

O princípio da autonomia é um dos pilares da bioética, ao lado da beneficência, não maleficência e justiça. Ele representa a capacidade do indivíduo de governar a si próprio e participar das decisões inerentes à sua saúde. No contexto da pediatria, o paciente, por sua condição de desenvolvimento, muitas vezes não tem capacidade plena de decidir; assim, a autonomia é exercida por meio dos pais ou responsáveis legais, que atuam como decisores substitutos. O médico, por sua vez, tem o dever de informar, esclarecer e orientar, mas não pode impor sua vontade, nem pode se eximir de sua responsabilidade profissional delegando a decisão exclusivamente à família ou à equipe.

Na prática, a tomada de decisão compartilhada envolve um processo de diálogo em que o médico apresenta as opções terapêuticas, os riscos, os benefícios e as incertezas, e a família, com base em seus valores e crenças, participa da escolha. Esse modelo é especialmente relevante em situações de fim de vida, como a limitação de suporte vital, em que a decisão deve ser construída em conjunto, respeitando os princípios da beneficência e da não maleficência. A futilidade médica, por exemplo, é um conceito que deve ser discutido com a família, pois o tratamento que não oferece esperança razoável de cura ou melhora não deve ser oferecido, mas a decisão de não instituí-lo ou de interrompê-lo deve ser compartilhada.

A distinção fundamental que a questão explora é entre a decisão unilateral do médico (modelo paternalista) e a decisão compartilhada (modelo centrado no paciente e na família). O modelo paternalista, em que o médico decide sozinho, é considerado ultrapassado e eticamente inadequado, pois desrespeita a autonomia do paciente e de seus representantes. Por outro lado, a decisão exclusiva da família, sem a orientação médica, também é inadequada, pois a família pode não ter o conhecimento técnico necessário para avaliar as opções. A decisão correta é a que resulta do diálogo entre o médico e a família, respeitando a autonomia do paciente.

A banca explora a confusão entre os papéis do médico, da família e da equipe. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa que dá ao médico o poder de decisão, ou à família, ou à equipe, mas a resposta correta é a que combina a expertise médica com a autonomia do paciente, exercida pela família. É importante notar que, em situações de emergência, quando não há tempo para consultar a família, o médico pode agir para salvar a vida do paciente, mas essa é uma exceção, não a regra.

1Modelo adequado
Médico + família
Respeita autonomia
2Modelos inadequados
Decisão unilateral do médico (paternalista)
Decisão exclusiva da família
Decisão exclusiva da equipe
Junta médica para limitar suporte vital
3Princípios da bioética
Autonomia
Beneficência
Não maleficência
Justiça
Tomada de decisão em UTI pediátrica
LEVELsoulevel.com.br
Tomada de decisão em UTI pediátrica: Modelo adequado (Médico + família, Respeita autonomia); Modelos inadequados (Decisão unilateral do médico (paternalista), Decisão exclusiva da família, Decisão exclusiva da equipe, Junta médica para limitar suporte vital); Princípios da bioética (Autonomia, Beneficência, Não maleficência, Justiça)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as decisões devem ser tomadas por uma junta médica, caso se pretenda interromper a vida do paciente. Isso está errado porque a decisão de interromper a vida (ou melhor, de limitar ou suspender o suporte vital) não é uma decisão exclusivamente médica, nem deve ser tomada por uma junta médica sem a participação da família. A decisão deve ser compartilhada com a família, respeitando a autonomia do paciente. Além disso, a expressão "interromper a vida" é inadequada, pois o que se discute é a limitação de tratamentos fúteis, não a eutanásia, que é proibida no Brasil.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as decisões devem ser tomadas de acordo com o posicionamento da família, com assentimento por parte do paciente. Isso está errado porque, embora a família tenha um papel importante, a decisão não é exclusiva dela. O médico também deve participar, trazendo seu conhecimento técnico e sua avaliação clínica. Além disso, o "assentimento por parte do paciente" é problemático, pois, em UTI pediátrica, o paciente geralmente não tem capacidade de assentir, e a decisão é tomada pelos responsáveis legais. A alternativa desconsidera o papel do médico no processo decisório.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que as decisões devem ser tomadas pelo médico e pela família, respeitando-se o princípio da autonomia. Isso está correto porque a tomada de decisão compartilhada é o modelo ético adequado, em que o médico contribui com sua expertise e a família, como representante do paciente, exerce a autonomia. Esse modelo respeita os princípios da beneficência, não maleficência e justiça, e é o que deve ser adotado em situações de dilemas éticos e legais, como na UTI pediátrica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as decisões devem ser tomadas pelo médico responsável, o mais preparado para a tomada de decisão. Isso está errado porque, embora o médico tenha o conhecimento técnico, ele não pode decidir sozinho, desrespeitando a autonomia do paciente e de sua família. O modelo paternalista, em que o médico decide unilateralmente, é considerado eticamente inadequado. A decisão deve ser compartilhada com a família, que é a representante natural do paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as decisões devem ser tomadas pela equipe de saúde, seja qual for a natureza da decisão a ser tomada. Isso está errado porque, embora a equipe de saúde possa contribuir com diferentes perspectivas, a decisão final não é exclusiva dela. A família, como representante do paciente, deve participar do processo decisório. Além disso, a expressão "seja qual for a natureza da decisão" é excessivamente ampla, pois há decisões que são exclusivamente médicas (como a técnica cirúrgica) e outras que envolvem valores e preferências do paciente, que devem ser compartilhadas com a família.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu081121