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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2024

MedicinaMédico da Família
Código
vu081977
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Maria, 45 anos, vem à consulta relatando dores generalizadas há mais de oito meses, além de sensação de fadiga e sono não reparador. Ela já foi a vários especialistas e realizou múltiplos exames, os quais trouxe à consulta, todos avaliados como normais, incluindo alguns autoanticorpos e provas de atividade inflamatória. Maria chora e expressa preocupação de que os médicos não estão levando suas queixas a sério. Durante o exame físico, percebe-se que Maria tem sensibilidade dolorosa difusa à palpação muscular e articular, mas não se notam sinais inflamatórios articulares.Ao aplicar o método clínico centrado na pessoa, qual deve ser a primeira abordagem?
  1. AInformar à paciente que, apesar de todos os exames normais, os sintomas indicam claramente uma fibromialgia e iniciar o tratamento com antidepressivos tricíclicos e relaxantes musculares.
  2. BExplorar detalhadamente os sintomas e solicitar novos exames com perfil completo de autoanticorpos para melhor abordar a preocupação de Maria e confirmar o diagnóstico com segurança.
  3. CInvestigar como Maria está vivenciando esses sintomas, seus medos, expectativas e impacto na sua rotina de vida e, somente então, discutir possíveis estratégias para manejo conjunto dos sintomas.
  4. DEncaminhar a paciente para um especialista em reumatologia, considerando o tempo de duração dos sintomas, o que colabora para a possibilidade de uma condição autoimune não detectada.
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GabaritoC — Investigar como Maria está vivenciando esses sintomas, seus medos, expectativas e impacto na sua rotina de vida e, somente então, discutir possíveis estratégias para manejo conjunto dos sintomas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Método Clínico Centrado na Pessoa: abordagem da dor crônica generalizada

Gabarito: letra C. A primeira abordagem correta é investigar como Maria vivencia os sintomas — seus medos, expectativas e o impacto na rotina — antes de qualquer conduta diagnóstica ou terapêutica, pois o método clínico centrado na pessoa prioriza compreender a experiência da doença (illness) além da doença biológica (disease). As demais alternativas falham por medicalizar precocemente, repetir exames desnecessários ou terceirizar o cuidado, contrariando a essência do método.

O método clínico centrado na pessoa (MCCP), difundido por Stewart e colaboradores, estrutura-se em quatro componentes interligados: (1) explorar a saúde, a doença e a experiência da doença; (2) entender a pessoa como um todo (contexto, fase de vida, rede de apoio); (3) elaborar um plano conjunto de manejo; e (4) fortalecer a relação médico-paciente. O primeiro passo, portanto, não é fechar um diagnóstico ou prescrever — é ouvir ativamente o que aqueles sintomas significam para aquela paciente. No caso de Maria, o choro e a preocupação de não ser levada a sério são um sinal claro de que a dimensão da experiência (medos, expectativas, impacto funcional) foi negligenciada nas consultas anteriores. A abordagem centrada na pessoa exige que o médico explore essa dimensão antes de qualquer conduta.

A fibromialgia, condição que o quadro de Maria fortemente sugere (dor generalizada > 3 meses, fadiga, sono não reparador, exames normais, sensibilidade difusa à palpação sem sinais inflamatórios), é o exemplo paradigmático de doença em que o diagnóstico e o manejo dependem da compreensão da experiência do paciente. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como os do American College of Rheumatology (ACR), e não exige exames complementares para confirmá-lo — exames servem apenas para excluir outras causas. O tratamento, por sua vez, é multimodal e centrado no paciente: educação, atividade física, terapia cognitivo-comportamental e, quando necessário, medicação. Nenhuma dessas etapas pode ser iniciada sem que o médico compreenda o impacto da dor na vida de Maria, seus medos (por exemplo, de ter uma doença grave não detectada) e suas expectativas em relação ao tratamento.

A distinção crucial que a questão explora é entre a abordagem centrada na doença (biomédica) e a centrada na pessoa (biopsicossocial). A abordagem biomédica foca em encontrar uma causa orgânica, repetir exames e encaminhar a especialistas; a centrada na pessoa integra a doença com a experiência subjetiva do paciente, reconhecendo que o sofrimento é moldado por fatores psicológicos, sociais e culturais. A banca testa exatamente essa fronteira: as alternativas A, B e D representam variações da abordagem biomédica, enquanto a C é a única que coloca a experiência da paciente no centro da primeira abordagem. Guarde esse critério: a primeira abordagem no MCCP é sempre explorar a experiência da doença, nunca agir sobre a doença sem antes compreender a pessoa.

11º Explorar saúde, doença e experiência
Ouvir medos, expectativas, impacto
Primeira abordagem: escuta ativa
22º Entender a pessoa como um todo
Contexto, fase de vida, rede de apoio
33º Plano conjunto de manejo
Pactuar estratégias com o paciente
44º Fortalecer a relação médico-paciente
5Abordagem biomédica (errada)
Medicalizar precocemente
Repetir exames sem indicação
Encaminhar sem antes escutar
Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP)
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Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP): 1º Explorar saúde, doença e experiência (Ouvir medos, expectativas, impacto, Primeira abordagem: escuta ativa); 2º Entender a pessoa como um todo (Contexto, fase de vida, rede de apoio); 3º Plano conjunto de manejo (Pactuar estratégias com o paciente); 4º Fortalecer a relação médico-paciente; Abordagem biomédica (errada) (Medicalizar precocemente, Repetir exames sem indicação, Encaminhar sem antes escutar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os sintomas "indicam claramente" fibromialgia e que se deve iniciar tratamento com antidepressivos tricíclicos e relaxantes musculares. O erro é duplo: primeiro, o diagnóstico de fibromialgia é clínico e exige que se explore a experiência do paciente e se excluam outras causas — não é um rótulo a ser aplicado de imediato, ainda mais diante de uma paciente que se sente desacreditada. Segundo, a conduta terapêutica não pode ser iniciada sem antes compreender os medos, expectativas e o impacto dos sintomas na vida de Maria; o MCCP coloca a construção de um plano conjunto de manejo como etapa posterior à exploração da experiência. Além disso, a medicação é apenas uma das ferramentas do tratamento multimodal da fibromialgia, que inclui educação, exercício e terapia cognitivo-comportamental — iniciar por ela, sem o devido processo de escuta e pactuação, é medicalizar precocemente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe explorar os sintomas e solicitar novos exames com perfil completo de autoanticorpos. Embora "explorar detalhadamente os sintomas" seja um passo do MCCP, a alternativa o amarra à solicitação de novos exames, o que a desvirtua: a paciente já realizou múltiplos exames, todos normais, incluindo autoanticorpos e provas de atividade inflamatória. Repetir exames sem indicação clínica é uma conduta iatrogênica, que reforça a insegurança da paciente e o modelo biomédico, em vez de centrar na pessoa. No MCCP, a exploração da experiência da doença (medos, expectativas, impacto) é o primeiro passo; a solicitação de exames complementares só se justifica para investigar hipóteses específicas levantadas pela história e pelo exame físico, não como rotina para "confirmar" um diagnóstico que é clínico. A alternativa confunde o componente "explorar a doença" com o componente "explorar a experiência da doença", que é o que a questão pede.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a única alternativa que aplica corretamente o primeiro componente do método clínico centrado na pessoa: explorar a experiência da doença. Ao investigar como Maria vivencia os sintomas, seus medos, expectativas e o impacto na rotina, o médico reconhece a dimensão subjetiva do sofrimento — algo que as consultas anteriores negligenciaram, como evidencia o choro e a preocupação de não ser levada a sério. Somente após essa escuta ativa é possível "discutir possíveis estratégias para manejo conjunto dos sintomas", o que corresponde ao terceiro componente do MCCP (plano conjunto). A alternativa espelha com precisão a sequência do método: primeiro compreender a pessoa, depois pactuar o manejo. Não há aqui diagnóstico precoce, exames desnecessários ou encaminhamento precipitado — há o que a medicina centrada na pessoa preconiza como ponto de partida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sugere encaminhar Maria a um especialista em reumatologia, considerando a duração dos sintomas e a possibilidade de condição autoimune não detectada. Essa conduta é um exemplo clássico de abordagem centrada na doença: terceiriza o cuidado, reforça a busca por uma causa orgânica e desconsidera a experiência da paciente. No MCCP, o médico de família é o coordenador do cuidado e deve ser o primeiro a explorar a experiência da doença; o encaminhamento a especialista só se justifica quando há hipóteses diagnósticas específicas que exijam avaliação especializada, o que não é o caso — os exames de Maria, incluindo autoanticorpos, são normais, e o quadro é compatível com fibromialgia, cujo diagnóstico e manejo são de competência da atenção primária. Além disso, a alternativa ignora o sofrimento emocional explícito da paciente, que demanda acolhimento e escuta, não um novo encaminhamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a abordagem biomédica (centrada na doença) e a abordagem biopsicossocial (centrada na pessoa). As alternativas A, B e D parecem razoáveis para quem pensa em "resolver o problema" com diagnóstico, exames ou encaminhamento — mas o MCCP inverte essa lógica: a primeira ação é sempre compreender a experiência do paciente. Maria chora e se sente desacreditada; a alternativa que acolhe essa vivência é a correta. Fique atento: quando a questão mencionar "método clínico centrado na pessoa", a resposta quase sempre envolve escuta, exploração da experiência e plano conjunto — nunca conduta médica imediata.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre o MCCP, memorize os quatro componentes na ordem: (1) explorar saúde/doença/experiência; (2) entender a pessoa como um todo; (3) plano conjunto de manejo; (4) fortalecer a relação. Na prova, identifique qual componente a alternativa está testando — se o enunciado pergunta a "primeira abordagem", a resposta é quase sempre o componente 1, com ênfase na experiência da doença (medos, expectativas, impacto). Elimine alternativas que medicalizam, repetem exames ou encaminham sem antes escutar.

Gabarito: letra C

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