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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2024

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu082019
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Um homem de 45 anos, sem comorbidades conhecidas e com antecedente de alergia a dipirona, foi submetido a uma colecistectomia laparoscópica. No primeiro dia de pós-operatório, ele relata dor abdominal difusa com uma pontuação de 5/10 na escala de dor. A analgesia multimodal, incluindo paracetamol e cetoprofeno, não aliviou suficientemente a dor. O paciente apresenta dificuldade para respirar profundamente devido ao desconforto. Exames de imagem e outros testes descartaram quaisquer complicações cirúrgicas. A equipe médica agora busca otimizar o manejo da dor pós-operatória.Qual é o próximo passo mais apropriado no manejo da dor para esse paciente?
  1. AAumentar a dose de paracetamol para maximizar seu efeito analgésico.
  2. BIniciar um opioide de ação curta, como tramadol, para controle adicional da dor.
  3. CAdministrar relaxantes musculares por via oral para reduzir o desconforto abdominal.
  4. DIniciar morfina subcutânea, para controle adicional da dor.
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GabaritoB — Iniciar um opioide de ação curta, como tramadol, para controle adicional da dor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo da dor pós-operatória: analgesia multimodal e a Escada Analgésica da OMS

Gabarito: letra B. O paciente apresenta dor moderada (5/10) refratária à analgesia multimodal com paracetamol e cetoprofeno, sem complicações cirúrgicas. Pela Escada Analgésica da OMS, o próximo passo é associar um opioide fraco (tramadol ou codeína) ao esquema atual — exatamente o que a alternativa B propõe. A alternativa D (morfina subcutânea) seria prematura, pois a morfina é reservada ao terceiro degrau, para dor intensa (8–10/10).

A Escada Analgésica da OMS é o guia clássico para o tratamento farmacológico da dor, organizada em três degraus progressivos conforme a intensidade. No primeiro degrau (dor leve, 1–4/10), usam-se analgésicos não opioides, como paracetamol e dipirona. No segundo degrau (dor moderada, 5–7/10), associam-se opioides fracos (tramadol, codeína) aos não opioides. No terceiro degrau (dor intensa, 8–10/10), utilizam-se opioides fortes, como morfina. O paciente do caso tem dor 5/10 — moderada — e já está no primeiro degrau com paracetamol e cetoprofeno (AINE). Como não houve alívio suficiente, a conduta correta é subir um degrau, adicionando um opioide fraco.

A analgesia multimodal é a estratégia de combinar analgésicos de diferentes classes e mecanismos para potencializar o efeito analgésico e reduzir as doses individuais, minimizando efeitos colaterais. No caso, o paciente já recebe paracetamol (analgésico comum) e cetoprofeno (AINE). A associação de um opioide fraco a esse esquema é o passo lógico seguinte, conforme a Escada da OMS. A dificuldade respiratória relatada é consequência da dor abdominal que limita a inspiração profunda — não é uma complicação pulmonar primária, pois os exames descartaram complicações cirúrgicas. Controlar a dor adequadamente tende a melhorar a mecânica ventilatória.

A alternativa A (aumentar paracetamol) é incorreta porque o paracetamol já está em dose analgésica e seu teto de efeito foi atingido; aumentar a dose além do recomendado não traz benefício adicional e eleva o risco de hepatotoxicidade. A alternativa C (relaxantes musculares) não tem papel no manejo da dor visceral pós-operatória. A alternativa D (morfina subcutânea) é prematura: a morfina é opioide forte, indicada para dor intensa (terceiro degrau), e o paciente tem dor moderada (5/10). Além disso, a via subcutânea não é a preferida para opioides no pós-operatório imediato; a via oral ou EV é mais adequada.

A pegadinha central desta questão é a classificação da intensidade da dor. O candidato pode ser tentado a escolher morfina (D) por ser um opioide "forte" e de ação rápida, mas a Escada da OMS reserva os opioides fortes para dor intensa (8–10/10). Dor moderada (5–7/10) é tratada com opioides fracos (tramadol, codeína). Outra armadilha é a alternativa A: aumentar a dose de paracetamol parece razoável, mas o paciente já está em analgesia multimodal com dose adequada, e o próximo passo não é escalonar o mesmo fármaco, e sim adicionar uma nova classe.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os degraus da Escada Analgésica. O paciente tem dor moderada (5/10) — isso o coloca no segundo degrau, que pede opioide fraco (tramadol/codeína). A alternativa D (morfina) parece atraente por ser um opioide potente, mas ela pertence ao terceiro degrau, reservado à dor intensa (8–10/10). Não caia na tentação de "pular" degraus: a Escada da OMS é progressiva.

11º degrau (dor leve 1–4/10)
Não opioides
Paracetamol, dipirona, AINEs
22º degrau (dor moderada 5–7/10)
Opioides fracos
Tramadol, codeína
Associar aos não opioides
33º degrau (dor intensa 8–10/10)
Opioides fortes
Morfina
Escada Analgésica da OMS
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Escada Analgésica da OMS: 1º degrau (dor leve 1–4/10) (Não opioides, Paracetamol, dipirona, AINEs); 2º degrau (dor moderada 5–7/10) (Opioides fracos, Tramadol, codeína, Associar aos não opioides); 3º degrau (dor intensa 8–10/10) (Opioides fortes, Morfina)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aumentar a dose de paracetamol não é o próximo passo adequado. O paciente já recebe paracetamol em dose analgésica dentro da analgesia multimodal, e o fármaco tem efeito teto: doses acima da recomendada não aumentam a analgesia e elevam o risco de hepatotoxicidade. A Escada da OMS indica que, quando a dor não é controlada no primeiro degrau, deve-se subir de degrau (adicionar opioide fraco), não simplesmente aumentar a dose do mesmo analgésico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar tramadol (opioide fraco) é a conduta correta. O paciente tem dor moderada (5/10) refratária a paracetamol e cetoprofeno. Pela Escada Analgésica da OMS, dor moderada (5–7/10) é tratada no segundo degrau, associando opioides fracos (tramadol ou codeína) aos analgésicos não opioides já em uso. Isso caracteriza a analgesia multimodal, que combina classes diferentes para potencializar o efeito e minimizar efeitos colaterais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Relaxantes musculares por via oral não têm indicação no manejo da dor visceral pós-operatória. A dor abdominal difusa após colecistectomia laparoscópica é de origem visceral/somática, e relaxantes musculares não atuam na via analgésica. Não há evidência de espasmo muscular como causa da dor; a conduta correta é escalonar a analgesia conforme a Escada da OMS.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Morfina subcutânea é prematura e a via não é a ideal. A morfina é um opioide forte, reservado ao terceiro degrau da Escada da OMS, para dor intensa (8–10/10). O paciente tem dor moderada (5/10), que deve ser tratada com opioide fraco (tramadol/codeína) no segundo degrau. Além disso, a via subcutânea não é a preferida para opioides no pós-operatório imediato; a via oral (quando possível) ou EV é mais adequada para titulação rápida.

Gabarito: letra B

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