Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu082031
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Paciente vítima de trauma moto versus auto foi diagnosticado com pneumotórax direito, e esse paciente foi drenado pelo médico que o atendeu. Ao assumir o plantão, outro médico reavalia o paciente, que mantém queixa de dor em hemitórax direito, taquipneia e murmúrio diminuído à direita, com saturação de 93% com 2L de oxigênio. A radiografia realizada é a seguinte:
(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)
Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta a ser empregada nesse momento.
ARetirar o dreno atual e realizar nova drenagem de hemitórax direito.
BManter dreno atual e realizar drenagem torácica esquerda
CManter dreno, por enquanto, e realizar tomografia de tórax.
DManter dreno atual e iniciar fisioterapia respiratória.
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GabaritoA — Retirar o dreno atual e realizar nova drenagem de hemitórax direito.
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Pneumotórax pós-drenagem: avaliação e conduta
Gabarito: letra A. O paciente apresenta sinais de pneumotórax persistente ou recidivado à direita (dor, taquipneia, murmúrio diminuído e hipoxemia) após drenagem, e a radiografia evidencia falha do dreno em reexpandir o pulmão — a conduta correta é retirar o dreno atual e realizar nova drenagem do hemitórax direito. A base dessa conduta está nos princípios do manejo do pneumotórax traumático: dreno torácico mal posicionado, obstruído ou com vazamento não cumpre sua função e deve ser substituído, não mantido.
O pneumotórax é o acúmulo de ar no espaço pleural, que leva ao colapso pulmonar parcial ou total e compromete a troca gasosa. No trauma, a drenagem torácica é o tratamento padrão para pneumotórax sintomático ou com instabilidade. O dreno tem a função de evacuar o ar e permitir a reexpansão pulmonar, restaurando a pressão negativa da cavidade pleural. Quando o paciente permanece sintomático e a radiografia mostra que o pulmão não reexpandiu, é preciso investigar a causa: o dreno pode estar em posição ectópica (fora da cavidade, no parênquima pulmonar, na fissura ou no subcutâneo), obstruído por coágulo ou dobra, ou o sistema pode ter vazamento. Em qualquer dessas situações, a conduta é a substituição do dreno — retirar o atual e inserir um novo, no mesmo hemitórax.
A alternativa B (drenar o lado esquerdo) seria um erro grave: não há evidência clínica ou radiológica de pneumotórax à esquerda, e drenar um hemitórax sem indicação expõe o paciente a riscos desnecessários (hemotórax, infecção, lesão de órgãos). A alternativa C (manter o dreno e fazer tomografia) posterga a resolução de um problema que já tem diagnóstico clínico e radiológico — a tomografia pode ser útil em casos duvidosos, mas não substitui a correção imediata da drenagem ineficaz em um paciente com hipoxemia. A alternativa D (fisioterapia respiratória) é coadjuvante e não resolve a causa do pneumotórax persistente.
A radiografia de tórax é o exame de escolha para avaliar a posição do dreno e a expansão pulmonar. Na imagem, espera-se ver o dreno dentro da cavidade pleural, com o pulmão reexpandido. Se o pulmão permanece colapsado e o paciente sintomático, a falha da drenagem é evidente. A troca do dreno é um procedimento simples, realizado à beira do leito, com técnica asséptica e anestesia local, e deve ser feita prontamente para evitar complicações como pneumotórax hipertensivo ou empiema.
Guarde o critério decisivo: dreno que não funciona = dreno que deve ser trocado. É exatamente essa lógica que separa a alternativa correta das demais.
1Avaliar dreno e radiografia
2Dreno ineficaz?
3[+] Trocar dreno no mesmo hemitórax
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem sinais claros de pneumotórax persistente à direita (dor, taquipneia, murmúrio diminuído, saturação 93% com O2) e a radiografia mostra que o dreno não reexpandiu o pulmão. O dreno atual está ineficaz — seja por mau posicionamento, obstrução ou vazamento — e deve ser retirado e substituído por um novo dreno no mesmo hemitórax. Essa é a conduta que resolve a causa do problema e restaura a função pulmonar.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há qualquer indicação de drenagem à esquerda. O quadro clínico e a radiografia apontam para o hemitórax direito. Drenar o lado esquerdo seria um procedimento desnecessário e iatrogênico, expondo o paciente a riscos de complicações (pneumotórax, hemotórax, infecção) sem benefício. A conduta correta é corrigir a drenagem do lado afetado, não drenar o lado sadio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Manter o dreno ineficaz e solicitar tomografia posterga a resolução do problema. O paciente está hipoxêmico (SpO2 93% com O2) e sintomático — a prioridade é restabelecer a drenagem eficaz. A tomografia pode ser útil em casos de dúvida diagnóstica ou para avaliar complicações, mas não substitui a correção imediata da drenagem falha. A conduta correta é a troca do dreno, não a realização de exame complementar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A fisioterapia respiratória é um adjuvante no manejo do paciente toracostomizado, mas não trata a causa do pneumotórax persistente. Com o dreno ineficaz e o pulmão colapsado, a fisioterapia não conseguirá reexpandir o pulmão. A conduta correta é a substituição do dreno; a fisioterapia pode ser indicada após a resolução do problema, como parte da reabilitação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir ao oferecer opções que parecem razoáveis, como "manter o dreno e observar" ou "drenar o outro lado". O candidato pode hesitar em trocar um dreno recentemente colocado, mas o princípio é claro: dreno que não funciona deve ser trocado. A hipoxemia e a radiografia com pulmão colapsado são a prova de que a drenagem falhou — não há tempo para observação ou exames adicionais.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao se deparar com um paciente com dreno torácico e sinais de pneumotórax persistente, siga o fluxo: 1) verifique a radiografia (posição do dreno e expansão pulmonar); 2) se o dreno está mal posicionado ou o pulmão não reexpandiu, troque o dreno; 3) só considere outras hipóteses (como pneumotórax contralateral) se houver evidência clínica ou radiológica. Essa sequência lógica resolve a maioria das questões sobre drenagem torácica.