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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2024

MedicinaNeurologia
Código
vu082037
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Acesso Direto
Um paciente de 68 anos com histórico de hipertensão e diabetes tipo 2 é admitido com um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico agudo. Ele recebeu trombólise intravenosa (rtPA) nas primeiras 4 horas após o início dos sintomas. No segundo dia de internação, o paciente apresenta deterioração do nível de consciência, aumento súbito da hemiparesia e sinais de hipertensão intracraniana. Qual a provável causa dessa evolução?
  1. AProgressão do AVC isquêmico devido à falha da trombólise.
  2. BEfeito adverso da trombólise, levando à hemorragia subaracnoidea.
  3. CPiora do déficit devido à extensão da área de penumbra.
  4. DTransformação hemorrágica no território do AVC isquêmico.
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GabaritoD — Transformação hemorrágica no território do AVC isquêmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transformação hemorrágica após trombólise no AVC isquêmico

Gabarito: letra D. A deterioração neurológica no segundo dia após trombólise intravenosa com rtPA, com rebaixamento do nível de consciência, piora da hemiparesia e sinais de hipertensão intracraniana, é a apresentação clássica da transformação hemorrágica do AVC isquêmico — complicação conhecida e temida da terapia trombolítica. O rtPA, ao dissolver o trombo, pode expor o tecido cerebral isquêmico já lesado ao fluxo sanguíneo, levando a sangramento no território do infarto. Essa é a complicação mais grave e frequente da trombólise, e o quadro clínico descrito — piora súbita após melhora inicial ou estabilização — é o seu cartão de visita.

A transformação hemorrágica é a conversão de um infarto cerebral isquêmico em uma área de sangramento. Ela ocorre porque a isquemia danifica a parede dos vasos sanguíneos (a barreira hematoencefálica e o endotélio), tornando-os frágeis e permeáveis. Quando a reperfusão é restabelecida — seja espontaneamente, seja pela ação do trombolítico — o sangue sob pressão arterial extravasa para o parênquima cerebral necrótico. O rtPA potencializa esse risco por seu efeito anticoagulante/fibrinolítico sistêmico. A incidência é maior em infartos extensos, em pacientes idosos, com hipertensão arterial, diabetes e naqueles tratados tardiamente (após 3 horas). O quadro clínico típico é a deterioração neurológica súbita, frequentemente entre o primeiro e o terceiro dia após o evento, com rebaixamento do sensório, piora do déficit focal e sinais de hipertensão intracraniana (cefaleia, vômitos, papiledema, alteração do padrão respiratório). O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada de crânio sem contraste, que evidencia a área de sangramento dentro do território do infarto. O tratamento é de suporte, com controle rigoroso da pressão arterial, reversão da anticoagulação (se aplicável) e manejo da hipertensão intracraniana.

É fundamental distinguir a transformação hemorrágica de outras complicações do AVC isquêmico. A progressão do AVC (alternativa A) refere-se ao crescimento da área de penumbra para o núcleo do infarto, geralmente por falha de reperfusão ou por mecanismos como edema cerebral progressivo — mas a deterioração súbita com sinais de HIC no segundo dia, após trombólise, aponta fortemente para sangramento. A extensão da penumbra (alternativa C) é um conceito fisiopatológico que explica a progressão do déficit, mas não é uma complicação específica da trombólise e não cursa tipicamente com deterioração tão abrupta. A hemorragia subaracnóidea (alternativa B) é um tipo de AVC hemorrágico primário, geralmente por ruptura de aneurisma, e não uma complicação direta da trombólise no território do infarto — embora o rtPA possa causar sangramentos, eles ocorrem preferencialmente no local da lesão isquêmica (transformação hemorrágica) ou em outros sítios (gastrointestinal, geniturinário), não no espaço subaracnóideo de forma isolada.

A pegadinha desta questão está em associar a piora clínica à "falha da trombólise" ou à "progressão do AVC", quando o cenário clássico pós-trombólise com deterioração súbita e sinais de HIC é a transformação hemorrágica. O candidato deve lembrar que o rtPA, além de dissolver o trombo, aumenta o risco de sangramento, e que a transformação hemorrágica é a complicação mais temida e frequente dessa terapia. A chave é o contexto: paciente idoso, hipertenso, diabético, submetido a trombólise, com piora neurológica aguda no segundo dia — isso é transformação hemorrágica até prova em contrário.

1Transformação hemorrágica (✅)
Sangramento no território do infarto
Piora súbita + sinais de HIC
1º–3º dia após rtPA
2Progressão do AVC (❌)
Falha de recanalização
Piora gradual, não súbita
3Extensão da penumbra (❌)
Crescimento do infarto
Sem relação direta com rtPA
4Hemorragia subaracnóidea (❌)
AVC hemorrágico primário
Ruptura de aneurisma
Complicações pós-trombólise no AVC isquêmico
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Complicações pós-trombólise no AVC isquêmico: Transformação hemorrágica (✅) (Sangramento no território do infarto, Piora súbita + sinais de HIC, 1º–3º dia após rtPA); Progressão do AVC (❌) (Falha de recanalização, Piora gradual, não súbita); Extensão da penumbra (❌) (Crescimento do infarto, Sem relação direta com rtPA); Hemorragia subaracnóidea (❌) (AVC hemorrágico primário, Ruptura de aneurisma)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A progressão do AVC isquêmico por falha da trombólise é um conceito que se refere à não recanalização do vaso ocluído, levando ao crescimento do infarto. Embora possa causar piora clínica, a deterioração súbita com sinais de hipertensão intracraniana no segundo dia, após o uso de rtPA, é muito mais sugestiva de sangramento. A falha da trombólise geralmente se manifesta com ausência de melhora ou piora gradual, não com um quadro agudo de HIC. Além disso, a alternativa ignora o principal risco do trombolítico: a hemorragia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hemorragia subaracnóidea (HSA) é um tipo de AVC hemorrágico primário, geralmente causado por ruptura de aneurisma cerebral, e não uma complicação típica da trombólise no território do infarto isquêmico. O rtPA pode causar sangramentos sistêmicos ou transformação hemorrágica no local do infarto, mas a HSA como complicação direta da trombólise é rara e não se encaixa no quadro descrito. A confusão aqui é entre os tipos de hemorragia: a transformação hemorrágica é intraparenquimatosa, dentro da área infartada, enquanto a HSA ocorre no espaço subaracnóideo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A extensão da área de penumbra é um mecanismo fisiopatológico de progressão do déficit neurológico, mas não é uma complicação específica da trombólise e não explica a deterioração súbita com sinais de hipertensão intracraniana no segundo dia. A penumbra é o tecido cerebral hipoperfundido, mas ainda viável, que pode ser salvo pela reperfusão. Sua extensão levaria a uma piora mais gradual, não a um quadro agudo de HIC. A alternativa confunde o mecanismo de progressão do infarto com a complicação hemorrágica da trombólise.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transformação hemorrágica é a complicação mais temida da trombólise intravenosa no AVC isquêmico. O rtPA, ao lisar o trombo, restaura o fluxo sanguíneo para uma área de tecido já lesado pela isquemia, cujos vasos estão fragilizados. Isso pode levar a extravasamento de sangue para o parênquima cerebral, causando deterioração neurológica súbita, rebaixamento do nível de consciência, piora do déficit focal e sinais de hipertensão intracraniana — exatamente o quadro descrito no enunciado. O diagnóstico é confirmado por TC de crânio sem contraste, que mostra a área de sangramento dentro do território do infarto. O manejo inclui controle rigoroso da pressão arterial, reversão do efeito do trombolítico (se possível) e tratamento da HIC.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a "falha da trombólise" (que levaria à progressão do infarto) e a complicação hemorrágica do tratamento. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa A ou C, pensando que a piora se deve à não recanalização do vaso. No entanto, o quadro clínico — deterioração súbita com sinais de HIC no segundo dia após rtPA — é o padrão-ouro da transformação hemorrágica. Lembre-se: o rtPA não só dissolve o trombo, mas também aumenta o risco de sangramento, e a transformação hemorrágica é a complicação mais frequente e grave dessa terapia. Fique atento ao contexto: paciente idoso, hipertenso, diabético, com piora aguda após trombólise = transformação hemorrágica até prova em contrário.

Gabarito: letra D — transformação hemorrágica no território do AVC isquêmico.

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