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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2024

MedicinaGeriatria
Código
vu082053
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clínica Médica
Paciente sexo feminino, 83 anos, casada, escolaridade superior completo (professora universitária), vem a consulta com queixa de perda de memória há cerca de 2 anos. Sem outras queixas. Está acompanhada do esposo, que confirma a queixa. Ele refere que ela frequentemente tem esquecido o fogão aceso, está com dificuldade de usar o cartão, pois não lembra a senha e tem esquecido de tomar os seus remédios. Paciente tem antecedentes de hipotireoidismo e hipertensão arterial. Tem déficit auditivo e faz uso irregular da prótese auditiva. Sedentária. Faz uso de: levotiroxina 50 mcg e losartana 50 mg/dia. Exame físico sem alterações. Foi realizado teste cognitivo com o seguinte resultado: MEEM 22/30.Com base no caso clínico, assinale a alternativa que contempla a principal hipótese diagnóstica e conduta inicial mais adequada.
  1. ATranstorno cognitivo subjetivo: orientar atividade física e uso de prótese auditiva.
  2. BSíndrome demencial: solicitar exames laboratoriais e ressonância magnética de crânio.
  3. CTranstorno neurocognitivo leve: iniciar anticolinesterásico e orientar estímulo cognitivo.
  4. DDepressão: iniciar sertralina 50 mg, orientar psicoterapia e programar teste neuropsicológico.
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GabaritoB — Síndrome demencial: solicitar exames laboratoriais e ressonância magnética de crânio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome demencial no idoso: diagnóstico e conduta inicial

Gabarito: letra B. A paciente apresenta declínio cognitivo com impacto funcional (esquecer fogão aceso, dificuldade com cartão/senha, esquecimento de medicações), o que caracteriza síndrome demencial — e não transtorno cognitivo subjetivo ou leve —, sendo a conduta inicial a investigação etiológica com exames laboratoriais e neuroimagem (ressonância magnética de crânio). O diagnóstico de demência exige prejuízo das atividades de vida diária (AVD), condição essencial e presente no caso.

A demência é uma síndrome caracterizada por declínio cognitivo adquirido, crônico e progressivo, que interfere na capacidade funcional do paciente — ou seja, nas atividades de vida diária (AVD). O ponto central que diferencia a demência de outras condições (como o transtorno cognitivo leve ou o envelhecimento normal) é exatamente esse impacto funcional. No caso, a paciente de 83 anos, com escolaridade superior (o que confere maior reserva cognitiva e pode mascarar déficits), apresenta queixas claras de prejuízo funcional: esquecer o fogão aceso, dificuldade com o cartão (não lembra a senha) e esquecimento de medicações. O MEEM de 22/30, embora seja um teste de rastreio, corrobora o déficit cognitivo, mas o diagnóstico de demência não se baseia apenas no escore — ele se fundamenta na história clínica com informante (o esposo confirma e acrescenta dados) e na demonstração de prejuízo funcional.

A conduta inicial diante da suspeita de síndrome demencial é sistemática e etiológica: deve-se solicitar exames laboratoriais (hemograma, TSH, vitamina B12, função renal e hepática, entre outros) para afastar causas reversíveis — como hipotireoidismo, deficiência de B12, sífilis, HIV — e neuroimagem (ressonância magnética de crânio) para identificar atrofia hipocampal (sugestiva de doença de Alzheimer), lesões vasculares (demência vascular), hidrocefalia de pressão normal, tumores, entre outras. A paciente tem hipotireoidismo em tratamento (levotiroxina), mas é fundamental confirmar a adequação da dose e descartar outras etiologias. A ressonância magnética é o exame de imagem preferencial na avaliação inicial de demência, pois permite melhor visualização de estruturas temporais mediais e de doença microvascular.

É importante destacar que não se inicia tratamento farmacológico específico (anticolinesterásico) antes da confirmação diagnóstica e da investigação etiológica. O diagnóstico de doença de Alzheimer (a causa mais comum de demência) é clínico, apoiado por exames complementares, e o tratamento medicamentoso é indicado após essa avaliação. Da mesma forma, não se diagnostica depressão como causa primária sem uma avaliação adequada — embora a depressão possa cursar com queixas cognitivas (pseudodemência), o quadro apresentado é mais compatível com demência, e a conduta inicial não é iniciar antidepressivo empiricamente.

A pegadinha desta questão está em diferenciar os estágios do declínio cognitivo: transtorno cognitivo subjetivo (queixa sem déficit objetivo e sem impacto funcional), transtorno neurocognitivo leve (déficit objetivo, mas sem impacto funcional significativo) e transtorno neurocognitivo maior (demência) (déficit objetivo com impacto funcional). A paciente claramente se enquadra no último, pois o esposo relata esquecimento do fogão aceso, dificuldade com cartão e esquecimento de medicações — atividades instrumentais de vida diária comprometidas. A alternativa A (transtorno cognitivo subjetivo) e a C (transtorno neurocognitivo leve) erram exatamente por ignorar o prejuízo funcional. A alternativa D (depressão) é um diagnóstico diferencial, mas não é a principal hipótese diante do quadro descrito, e a conduta de iniciar sertralina sem investigação adequada não é a mais adequada.

Guarde a fronteira decisiva: demência = declínio cognitivo + impacto funcional. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem — as incorretas subestimam o prejuízo funcional ou superestimam a depressão.

Declínio cognitivo no idoso
  • 1Transtorno cognitivo subjetivo
    • Queixa sem déficit objetivo
    • Sem impacto funcional
  • 2Transtorno neurocognitivo leve
    • Déficit objetivo
    • Sem impacto funcional
  • 3Transtorno neurocognitivo maior (demência)
    • Déficit objetivo
    • Com impacto funcional (AVD)
    • Conduta inicial
      • Exames laboratoriais
      • Ressonância magnética de crânio
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O transtorno cognitivo subjetivo é caracterizado por queixa de memória sem déficit objetivo nos testes cognitivos e sem impacto funcional. No caso, a paciente tem MEEM 22/30 (déficit objetivo) e, principalmente, prejuízo funcional evidente (esquecer fogão aceso, dificuldade com cartão, esquecimento de medicações). Portanto, não se trata de queixa subjetiva, e a conduta de apenas orientar atividade física e uso de prótese auditiva é insuficiente — embora a correção do déficit auditivo seja importante, não é a conduta principal diante de uma provável demência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente apresenta síndrome demencial: declínio cognitivo (MEEM 22/30) com impacto funcional (esquecimento do fogão, dificuldade com cartão, esquecimento de medicações), confirmado por informante. A conduta inicial adequada é a investigação etiológica: solicitar exames laboratoriais (para afastar causas reversíveis como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, entre outras) e ressonância magnética de crânio (para avaliar atrofia hipocampal, doença vascular, hidrocefalia, etc.). Essa é a abordagem padronizada na avaliação inicial de demência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O transtorno neurocognitivo leve é definido por declínio cognitivo sem impacto funcional significativo — o paciente mantém independência nas AVD. No caso, há claro prejuízo funcional (esquecer fogão aceso, dificuldade com cartão, esquecimento de medicações), o que caracteriza transtorno neurocognitivo maior (demência), não leve. Além disso, iniciar anticolinesterásico sem investigação etiológica prévia é conduta inadequada — o tratamento específico só é indicado após confirmação diagnóstica (ex.: doença de Alzheimer).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A depressão é um diagnóstico diferencial importante em idosos com queixas cognitivas (pseudodemência), mas não é a principal hipótese neste caso. A paciente não apresenta sintomas depressivos clássicos (humor deprimido, anedonia, alterações de sono/apetite) descritos no enunciado, e o quadro de declínio cognitivo com impacto funcional progressivo é mais sugestivo de demência. A conduta de iniciar sertralina empiricamente, sem avaliação adequada e sem investigação etiológica, não é a mais adequada. A escala de depressão geriátrica (GDS) poderia ser aplicada, mas não há indicação de tratamento antidepressivo de primeira linha neste momento.

Gabarito: letra B — síndrome demencial com investigação etiológica (laboratório + RM de crânio).

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