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Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2024

MedicinaNefrologia
Código
vu082058
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clínica Médica
Paciente masculino de 45 anos é admitido na emergência com queixas de dor muscular intensa, fraqueza generalizada e urina de cor “chá”, após um episódio de exercício físico intenso. O paciente possui histórico de diabetes tipo 2 e foi recentemente tratado com antibióticos para uma infecção respiratória aguda causada por Haemophilus influenzae.Ao exame físico, o paciente está hipotenso e apresenta sinais de insuficiência renal aguda. Exames laboratoriais mostram elevação significativa da creatina quinase (CK), níveis elevados de mioglobina na urina e aumento progressivo da creatinina sérica. A função renal está deteriorando-se rapidamente.Dada a combinação de rabdomiólise, insuficiência renal aguda e a recente infecção respiratória, qual é a abordagem terapêutica inicial mais apropriada para minimizar o risco de complicações renais graves?
  1. AIniciar infusão intravenosa de solução salina normal com uma taxa de fluxo aumentada para garantir a hidratação adequada e promover a diurese.
  2. BIniciar terapia com bicarbonato de sódio intravenoso para alcalinizar a urina e prevenir a formação de cristais de mioglobina nos túbulos renais, considerando a acidose metabólica potencial secundária à rabdomiólise.
  3. CAdministrar manitol intravenoso para promover a diurese osmótica e reduzir a nefrotoxicidade da mioglobina, dada a associação entre a infecção respiratória e o quadro de rabdomiólise.
  4. DRealizar uma biópsia muscular para confirmar o diagnóstico de rabdomiólise e avaliar a extensão do dano muscular, e aguardar os resultados para iniciar o tratamento renal específico.
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GabaritoA — Iniciar infusão intravenosa de solução salina normal com uma taxa de fluxo aumentada para garantir a hidratação adequada e promover a diurese.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rabdomiólise e Injúria Renal Aguda: manejo inicial

Gabarito: letra A. Na rabdomiólise com risco de injúria renal aguda (IRA), a pedra angular do tratamento é a hidratação intravenosa agressiva com solução salina isotônica (NaCl 0,9%), que expande o volume intravascular, aumenta o fluxo urinário e dilui a mioglobina nos túbulos renais, reduzindo a precipitação de cilindros e a nefrotoxicidade. Essa conduta é consenso nas diretrizes de emergência e nefrologia, sendo a base sobre a qual outras medidas (como alcalinização ou diuréticos) podem ser adicionadas, mas nunca substituem a reposição volêmica inicial.

A rabdomiólise é a síndrome resultante da destruição de células musculares esqueléticas, com liberação de seu conteúdo (mioglobina, creatina quinase/CK, eletrólitos) na corrente sanguínea. A mioglobina, ao ser filtrada pelos glomérulos, pode precipitar nos túbulos renais, especialmente em ambiente de hipovolemia, acidose e baixo fluxo urinário — formando cilindros que obstruem os néfrons e causam lesão tubular direta. Por isso, o paciente do caso (exercício intenso, urina "chá", CK elevada, mioglobinúria, hipotensão e creatinina subindo) está em franca evolução para IRA, e a janela terapêutica de ouro é o início imediato da hidratação.

O racional fisiopatológico é claro: a hipovolemia (hipotensão) reduz a perfusão renal e concentra a mioglobina no filtrado, potencializando a lesão. A infusão de solução salina normal em ritmo acelerado (tipicamente 1 a 1,5 L/h, ajustada ao débito urinário e à volemia) restaura a perfusão, aumenta o débito urinário (meta de 200–300 mL/h) e "lava" os túbulos, prevenindo a obstrução. É a medida com maior impacto na prevenção da IRA estabelecida e na redução da mortalidade. A hidratação deve ser iniciada antes de qualquer outra intervenção, e é exatamente isso que a alternativa A descreve.

As demais alternativas trazem condutas que, embora façam parte do arsenal terapêutico da rabdomiólise em contextos específicos, não são a abordagem inicial isolada — e algumas são francamente contraindicadas. A distinção crucial que separa as alternativas é: o que se faz primeiro e com maior benefício comprovado? A resposta é a expansão volêmica. Bicarbonato, manitol e biópsia muscular são temas que a banca usa como distratores, explorando a confusão entre medidas adjuvantes (ou diagnósticas) e a conduta de primeira linha.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a medida inicial obrigatória e as medidas adjuvantes. O candidato que sabe que bicarbonato e manitol são usados na rabdomiólise pode marcá-los, mas eles não são a primeira linha — e o manitol, inclusive, tem evidência controversa e pode ser prejudicial se o paciente estiver oligúrico. A pegadinha está em oferecer condutas que "parecem" específicas para o quadro, mas que só têm papel após a hidratação (ou em situações selecionadas), enquanto a alternativa A traz a conduta universal e de maior impacto.

  1. 1Hidratação com SF 0,9%
  2. 2Bicarbonato (adjuvante)
  3. 3Manitol (controversa)
  4. 4Diálise (se necessário)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A infusão intravenosa de solução salina normal (NaCl 0,9%) com fluxo aumentado é a medida inicial mais apropriada e de maior benefício comprovado. Ela ataca diretamente a fisiopatologia: corrige a hipovolemia (hipotensão), aumenta a perfusão renal e o débito urinário, dilui a mioglobina no filtrado glomerular e previne a formação de cilindros obstrutivos nos túbulos. É o padrão-ouro do manejo inicial da rabdomiólise, com meta de débito urinário de 200–300 mL/h, e deve ser iniciada imediatamente, antes de qualquer outra medida. A alternativa espelha exatamente essa conduta: "hidratação adequada e promover a diurese".

Alternativa B — ❌ Incorreta

O bicarbonato de sódio intravenoso é uma medida adjuvante que pode ser considerada em casos selecionados (acidose metabólica grave, hipercalemia), com o objetivo de alcalinizar a urina (pH > 6,5) e reduzir a precipitação da mioglobina. Porém, não é a abordagem inicial isolada: sem a expansão volêmica prévia, a alcalinização é ineficaz e pode até agravar a hipovolemia (o sódio do bicarbonato puxa água para o espaço extracelular, mas não expande o volume intravascular de forma sustentada). Além disso, a alcalinização sistêmica pode causar hipocalcemia (por precipitação do cálcio ionizado) e não há evidência robusta de benefício sobre a hidratação isolada. O erro está em apresentar o bicarbonato como a conduta inicial, quando ele é um complemento — e nunca substitui a reposição volêmica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O manitol intravenoso (diurético osmótico) já foi usado na tentativa de "lavar" os túbulos e reduzir a nefrotoxicidade da mioglobina, mas caiu em desuso e não é recomendado como rotina. Estudos não demonstraram benefício claro sobre a hidratação isolada, e o manitol pode ser prejudicial em pacientes com oligúria ou anúria (risco de edema pulmonar e hipervolemia) — exatamente o perfil do paciente do caso, que está hipotenso e com função renal deteriorando. Além disso, a associação com a infecção respiratória por Haemophilus influenzae é irrelevante para a escolha do manitol; a rabdomiólise aqui é claramente induzida por exercício físico intenso. A alternativa erra ao propor o manitol como conduta inicial, quando a prioridade absoluta é a hidratação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A biópsia muscular não tem indicação no manejo inicial da rabdomiólise. O diagnóstico é clínico-laboratorial: história de fator desencadeante (exercício intenso), elevação de CK, mioglobinúria e urina escura — todos presentes no caso. A biópsia muscular é reservada para casos de suspeita de miopatia inflamatória ou genética, quando a causa não é evidente, e nunca deve atrasar o início do tratamento renal. Aguardar o resultado da biópsia para "iniciar o tratamento renal específico" é um erro grave: a IRA na rabdomiólise é uma emergência que exige intervenção imediata (hidratação), e qualquer atraso aumenta o risco de lesão renal irreversível e necessidade de diálise. A alternativa confunde o diagnóstico (que já está feito) com a necessidade de confirmação histológica (desnecessária na urgência).

Fechamento: A regra de ouro para a prova: em rabdomiólise com risco de IRA, hidratação venosa agressiva com soro fisiológico é sempre o primeiro passo — bicarbonato e manitol são adjuvantes opcionais, nunca substitutos, e biópsia muscular não tem papel na emergência. Guarde a sequência: volume → (se necessário) alcalinização → (se necessário) diálise.

Gabarito: letra A

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