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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu082070
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clínica Médica
Paciente masculino de 42 anos, natural e procedente de São Paulo, tabagista 30 anos-maço, vai ao seu consultório porque gostaria de ajuda para parar de fumar. Ele refere uma pneumonia com necessidade de internação hospitalar há, aproximadamente, 4 meses. Foi tratado com antibióticos por 7 dias na ocasião com melhora completa dos sintomas. Atualmente nega dispneia, tosse, sibilância ou dor torácica. Durante a internação conseguiu interromper o tabagismo, mas se sentia muito nervoso, ansioso e irritado, apresentava dores de cabeça frequentes e a vontade de fumar era muito forte. Então depois de 5 dias da alta hospitalar, voltou a fumar. Hoje fuma em média 10-15 cigarros por dia (sendo que, antes da internação, fumava sempre 1 maço por dia), refere que fuma o primeiro cigarro nos primeiros 30 minutos após acordar, e fuma mais pela manhã. Ele gostaria de discutir opções de tratamento para o tabagismo, incluindo a possibilidade de uso de cigarros eletrônicos.Seu exame físico é normal, e sinais vitais estão normais. Ele nega qualquer antecedente patológico, além da pneumonia tratada.Assinale a alternativa correta em relação ao estágio de motivação para cessação de tabagismo e a conduta a ser adotada.
  1. AO paciente está em fase de preparação. Deve-se estimular estratégias de autoeficácia, sugerir terapia cognitivo-comportamental e avaliar disposição para marcar “Dia D”. Explicar que terapia de reposição de nicotina e/ou bupropiona podem ajudar a diminuir sintomas de abstinência.
  2. BO paciente está em fase de ação. O uso de cigarros eletrônicos é estratégia validada para cessação de tabagismo e pode ser recomendada para reduzir riscos futuros, com altas taxas de sucesso.
  3. CO paciente está em fase de preparação. Deve-se estimular estratégias de autoeficácia visando a redução do consumo diário de cigarros e agendar um retorno precoce para reavaliar motivação para cessação. A troca por cigarros eletrônicos pode ser recomendada nesse momento.
  4. DO paciente está em fase de ação. Ele não fecha critérios para prescrição de terapia farmacológica para cessação de tabagismo, sendo recomendável seguir o processo apenas com medidas comportamentais e terapia nesse momento.
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GabaritoA — O paciente está em fase de preparação. Deve-se estimular estratégias de autoeficácia, sugerir terapia cognitivo-comportamental e avaliar disposição para marcar “Dia D”. Explicar que terapia de reposição de nicotina e/ou bupropiona podem ajudar a diminuir sintomas de abstinência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tabagismo: estágios de motivação e conduta

Gabarito: letra A. O paciente está em fase de preparação — ele já decidiu parar de fumar e busca ajuda, mas ainda não está abstinente — e a conduta correta envolve estimular a autoeficácia, sugerir terapia cognitivo-comportamental, avaliar a disposição para marcar o "Dia D" e explicar que a terapia de reposição de nicotina (TRN) e/ou bupropiona podem ajudar a diminuir os sintomas de abstinência. As demais alternativas erram ao classificar o paciente como em fase de ação ou ao recomendar cigarros eletrônicos, que não são estratégia validada para cessação.

O tabagismo é uma doença crônica caracterizada pela dependência da nicotina, e o tratamento envolve uma abordagem que combina intervenção comportamental e, quando indicado, farmacoterapia. Para definir a conduta, é essencial avaliar o estágio de motivação do paciente, que segue o modelo transteórico de Prochaska e DiClemente. Esse modelo descreve a prontidão para mudança em fases: pré-contemplação (não pensa em parar), contemplação (pensa em parar nos próximos 6 meses, mas sem data definida), preparação (pretende parar em até 30 dias e já tomou alguma atitude, como buscar ajuda), ação (parou de fumar há menos de 6 meses) e manutenção (abstinente há mais de 6 meses).

No caso apresentado, o paciente voltou a fumar após a internação e hoje fuma 10-15 cigarros por dia. Ele procura o médico para discutir opções de tratamento, o que demonstra intenção de parar, mas ainda não está abstinente. Portanto, ele se encontra na fase de preparação, e não na fase de ação, que exigiria abstinência atual. A conduta nessa fase é reforçar a decisão, trabalhar a autoeficácia (a confiança do paciente na própria capacidade de parar), sugerir terapia cognitivo-comportamental e avaliar a disposição para marcar o "Dia D" — a data em que ele pretende parar de fumar. Além disso, deve-se explicar que a TRN (adesivo, goma, pastilha) e a bupropiona são medicamentos que ajudam a controlar os sintomas de abstinência, aumentando as chances de sucesso.

A avaliação do grau de dependência é feita pelo Teste de Fagerström, que considera, entre outros, o tempo até o primeiro cigarro do dia e o número de cigarros fumados por dia. No caso, o paciente fuma o primeiro cigarro nos primeiros 30 minutos após acordar e fuma mais pela manhã, o que sugere dependência moderada a elevada, reforçando a indicação de farmacoterapia associada à abordagem comportamental. É importante destacar que os cigarros eletrônicos não são recomendados como estratégia de cessação, pois não há evidências robustas de eficácia e segurança para esse fim, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) proíbe sua comercialização no Brasil.

A pegadinha central desta questão é a troca entre as fases de preparação e ação. O candidato pode ser induzido a pensar que, por ter tentado parar durante a internação, o paciente está em ação — mas ele recaiu e voltou a fumar, o que o coloca novamente em preparação. Além disso, a recomendação de cigarros eletrônicos é um distrator que contraria as diretrizes atuais de tratamento do tabagismo. Guarde a fronteira: preparação = decidiu parar, mas ainda fuma; ação = já parou de fumar.

Estágio de motivação

Característica principal

Conduta recomendada

Pré-contemplação

Não pensa em parar

Conscientização, sem cobrança

Contemplação

Pensa em parar em até 6 meses, sem data definida

Avaliar motivação, discutir riscos e benefícios

Preparação

Pretende parar em até 30 dias, já tomou atitude (buscar ajuda)

Estimular autoeficácia, TCC, marcar "Dia D", oferecer TRN/bupropiona

Ação

Parou de fumar há menos de 6 meses

Reforçar manutenção, manejo de abstinência

Manutenção

Abstinente há mais de 6 meses

Prevenir recaídas, suporte contínuo

  1. 1Pré-contemplação
  2. 2Contemplação
  3. 3Preparação
  4. 4Ação
  5. 5Manutenção
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao classificar o paciente em fase de preparação, pois ele decidiu parar de fumar e busca ajuda, mas ainda não está abstinente. A conduta descrita — estimular estratégias de autoeficácia, sugerir terapia cognitivo-comportamental, avaliar a disposição para marcar o "Dia D" e explicar que a TRN e/ou bupropiona podem ajudar a diminuir os sintomas de abstinência — está alinhada com as diretrizes de tratamento do tabagismo, que preconizam a combinação de abordagem comportamental e farmacoterapia para aumentar as chances de sucesso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar o paciente em fase de ação, pois ele voltou a fumar e não está abstinente. Além disso, afirma que os cigarros eletrônicos são estratégia validada para cessação, o que é falso: não há evidências científicas robustas que sustentem seu uso como método de cessação, e a ANVISA proíbe sua comercialização no Brasil. A recomendação de cigarros eletrônicos contraria as diretrizes atuais e pode expor o paciente a riscos adicionais à saúde.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa acerta ao classificar o paciente em fase de preparação, mas erra ao sugerir que a troca por cigarros eletrônicos pode ser recomendada nesse momento. Como mencionado, os cigarros eletrônicos não são estratégia validada para cessação do tabagismo e não devem ser recomendados. Além disso, a conduta de "redução do consumo diário" como objetivo principal não é a abordagem ideal na fase de preparação, em que o foco deve ser a cessação completa, com apoio comportamental e farmacológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar o paciente em fase de ação, pois ele não está abstinente. Além disso, afirma que ele "não fecha critérios para prescrição de terapia farmacológica", o que é incorreto: o paciente fuma 10-15 cigarros por dia, fuma o primeiro cigarro nos primeiros 30 minutos após acordar e fuma mais pela manhã, o que sugere dependência moderada a elevada, indicando a necessidade de farmacoterapia (TRN ou bupropiona) associada à abordagem comportamental. A conduta de "seguir apenas com medidas comportamentais" não é a mais adequada nesse caso.

Gabarito: letra A

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