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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2024

MedicinaMedicina Intensiva
Código
vu082091
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clínica Médica
Jovem de 21 anos, atleta, sem histórico conhecido de doenças cardiovasculares ou familiares, sofreu uma parada cardiorrespiratória (PCR) súbita enquanto praticava futebol. Ele foi rapidamente atendido por um profissional de saúde, que estava no local e iniciou a reanimação cardiopulmonar (RCP). Após a chegada do desfibrilador externo automático (DEA), o dispositivo identificou ritmo passível de desfibrilação.A causa mais provável da PCR nesse paciente é:
  1. Adoença arterial coronariana.
  2. Bcardiomiopatia hipertrófica.
  3. Cestenose aórtica importante.
  4. Dtromboembolismo pulmonar.
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GabaritoB — cardiomiopatia hipertrófica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Morte súbita cardíaca em atleta jovem

Gabarito: letra B. Em atleta jovem (< 35 anos), sem doença cardiovascular conhecida, a causa mais provável de parada cardiorrespiratória súbita durante exercício é a cardiomiopatia hipertrófica (CMH), conforme diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar e cuidados cardiovasculares de emergência. O ritmo chocável identificado pelo DEA (fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso) é o mecanismo final típico nesse cenário.

A morte súbita cardíaca (MSC) em atletas é um evento raro, porém devastador, e sua principal causa varia conforme a faixa etária. Em indivíduos jovens (abaixo de 35 anos), as cardiomiopatias — especialmente a cardiomiopatia hipertrófica (CMH) e a cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito (CAVD) — são as etiologias mais frequentes. Já em atletas acima de 35 anos, a doença aterosclerótica coronariana responde por cerca de 80% dos casos. Essa distinção etária é o ponto-chave da questão: o paciente tem 21 anos, o que direciona o raciocínio para as causas estruturais/genéticas, e não para a doença coronariana aterosclerótica.

A CMH é uma doença genética autossômica dominante caracterizada por hipertrofia ventricular esquerda sem causa identificável (como hipertensão ou estenose aórtica). Em atletas, o aumento da demanda miocárdica durante o exercício, associado à desorganização das fibras miocárdicas e à fibrose intersticial, cria um substrato arritmogênico que pode precipitar fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) — ritmos chocáveis, como o DEA identificou. O colapso súbito durante atividade física, sem pródromos, é o quadro clássico de apresentação.

O mecanismo da PCR nesse contexto é uma arritmia ventricular maligna desencadeada pelo exercício em um coração estruturalmente anormal. A RCP de qualidade e a desfibrilação precoce são os pilares do tratamento, como preconizado nas diretrizes de suporte básico e avançado de vida. A identificação do ritmo chocável pelo DEA confirma que a arritmia era a FV ou TVSP, o que reforça a origem cardíaca arrítmica — compatível com CMH.

A pegadinha da banca está em oferecer doença arterial coronariana (alternativa A) como distrator, pois é a causa mais comum de MSC em atletas mais velhos, mas não em jovens. O candidato que não domina a epidemiologia etária pode cair nessa armadilha. As demais alternativas (estenose aórtica e tromboembolismo pulmonar) são causas possíveis de PCR, mas muito menos prováveis nesse cenário específico de atleta jovem e saudável.

Guarde a fronteira etária: < 35 anos → cardiomiopatias (CMH e CAVD); > 35 anos → doença coronariana aterosclerótica. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A doença arterial coronariana (DAC) aterosclerótica é a principal causa de MSC em atletas acima de 35 anos, responsável por cerca de 80% dos casos nessa faixa etária. No paciente jovem (21 anos), sem fatores de risco ou história familiar, a DAC é uma causa improvável. A banca explora a confusão entre a epidemiologia da MSC em atletas jovens e mais velhos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a causa mais comum de morte súbita cardíaca em atletas jovens (< 35 anos). A hipertrofia ventricular esquerda, frequentemente assimétrica e com desorganização das fibras miocárdicas, predispõe a arritmias ventriculares malignas (FV/TVSP) durante exercício físico intenso. O ritmo chocável identificado pelo DEA é compatível com esse mecanismo arrítmico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A estenose aórtica importante pode causar síncope e morte súbita, mas é uma causa rara de PCR em atleta jovem sem doença valvar conhecida. A CMH é uma causa muito mais prevalente nesse grupo etário. Além disso, a estenose aórtica geralmente se manifesta com sintomas progressivos (angina, síncope, dispneia) antes do colapso súbito, o que não ocorre no caso descrito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tromboembolismo pulmonar (TEP) pode causar PCR, mas geralmente por atividade elétrica sem pulso (AESP) ou assistolia — ritmos não chocáveis. O DEA identificou ritmo passível de desfibrilação (FV/TVSP), o que torna o TEP uma causa improvável. Além disso, o paciente é jovem, atleta e sem fatores de risco para trombose (imobilização, cirurgia recente, neoplasia, trombofilia), o que afasta ainda mais essa hipótese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a epidemiologia da morte súbita em atletas: a doença arterial coronariana é a causa mais comum em atletas acima de 35 anos, enquanto a cardiomiopatia hipertrófica predomina em jovens. O candidato que não fixa essa fronteira etária cai na alternativa A. Lembre-se: atleta jovem + PCR durante exercício + ritmo chocável = pensar em CMH.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de morte súbita em atletas, decore a regra etária: < 35 anos → cardiomiopatias (CMH, CAVD); > 35 anos → doença coronariana. E relacione o ritmo do DEA: chocável (FV/TVSP) sugere causa arrítmica cardíaca primária; não chocável (AESP/assistolia) sugere causas como TEP, tamponamento, hipóxia ou hipovolemia.

Gabarito: letra B

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