A pseudoplaquetopenia é um fenômeno que ocorre de 0,1% a 2% dos pacientes hospitalizados e é facilmente reconhecida pela visualização de aglomerados de plaquetas ao exame do esfregaço de sangue periférico.Em face do exposto, assinale a alternativa correta.
ATal fenômeno deve-se a uma modificação antigênica na superfície plaquetária ocasionada pelo EDTA ou por outros anticoagulantes.
BNa maioria das vezes, a coleta de sangue em tubo seco permite que não aconteça a aglutinação plaquetária e que haja normalização na contagem por instrumentos automatizados.
CA presença de microplaquetas no sangue periférico, contadas como hemácias, pode ser uma causa de pseudoplaquetopenia.
DA associação de aspirina ajuda a desagregar as plaquetas e normaliza sua contagem nos contadores automatizados.
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GabaritoA — Tal fenômeno deve-se a uma modificação antigênica na superfície plaquetária ocasionada pelo EDTA ou por outros anticoagulantes.
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Pseudoplaquetopenia: a armadilha do EDTA no hemograma
Gabarito: letra A. A pseudoplaquetopenia (ou pseudotrombocitopenia) é um artefato laboratorial causado pela aglutinação plaquetária induzida pelo anticoagulante EDTA, que altera a superfície plaquetária e leva os contadores automatizados a subestimar a contagem real de plaquetas. O diagnóstico é confirmado pela visualização de aglomerados plaquetários no esfregaço de sangue periférico, e a conduta é repetir a coleta com outro anticoagulante, como o citrato de sódio.
A pseudoplaquetopenia é um fenômeno relativamente comum na prática clínica, ocorrendo em 0,1% a 2% dos pacientes hospitalizados. O mecanismo central é a interação entre o anticoagulante EDTA (ácido etilenodiaminotetracético), presente nos tubos de coleta a vácuo de tampa roxa, e a membrana plaquetária. O EDTA quelata o cálcio, mas, em alguns pacientes, também induz uma modificação antigênica na superfície das plaquetas, expondo epítopos que são reconhecidos por autoanticorpos (geralmente IgG). Esses anticorpos promovem a aglutinação das plaquetas entre si, formando agregados que são contados como leucócitos ou simplesmente não são contados pelos analisadores hematológicos automatizados, resultando em uma contagem plaquetária falsamente baixa.
O reconhecimento desse fenômeno é crucial para evitar condutas inadequadas, como a transfusão desnecessária de plaquetas ou a investigação extensa de causas de trombocitopenia. A chave para o diagnóstico é a análise cuidadosa do esfregaço de sangue periférico, que revelará a presença de aglomerados de plaquetas. Uma vez suspeitada, a confirmação é simples: coletar uma nova amostra em um tubo contendo um anticoagulante diferente, como citrato de sódio (tampa azul claro) ou heparina, e repetir a contagem. Com o anticoagulante alternativo, a aglutinação não ocorre e a contagem plaquetária se normaliza, revelando o valor real.
É importante distinguir a pseudoplaquetopenia de outras causas de contagem plaquetária falsamente baixa. Uma delas é a presença de satelitismo plaquetário, em que as plaquetas aderem aos neutrófilos, também induzido pelo EDTA. Outra é a presença de microplaquetas ou fragmentos de hemácias (esquizócitos) que podem ser contados erroneamente. No entanto, a causa mais comum e clássica é a aglutinação plaquetária dependente de EDTA. A conduta, em todos os casos, é a mesma: repetir a coleta com anticoagulante alternativo e revisar o esfregaço periférico.
A banca explora aqui a confusão entre o mecanismo da pseudoplaquetopenia (aglutinação por anticorpo anti-EDTA) e outras causas de plaquetopenia ou artefatos laboratoriais. A alternativa correta descreve com precisão o mecanismo fisiopatológico, enquanto as demais apresentam erros conceituais ou condutas incorretas. Vamos analisar cada uma.
Pseudoplaquetopenia
1Mecanismo
EDTA modifica superfície plaquetária
Autoanticorpos aglutinam plaquetas
Contador subestima contagem
2Diagnóstico
Aglomerados no esfregaço
Repetir com citrato de sódio
3Conduta incorreta
Tubo seco (coagula)
Aspirina (não age na aglutinação)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve exatamente o mecanismo da pseudoplaquetopenia: uma modificação antigênica na superfície plaquetária ocasionada pelo EDTA ou por outros anticoagulantes. O EDTA, ao se ligar à membrana plaquetária, expõe antígenos que são reconhecidos por autoanticorpos, levando à aglutinação das plaquetas. Essa aglutinação faz com que os contadores automatizados não as reconheçam individualmente, resultando em uma contagem falsamente baixa. O termo "modificação antigênica" é preciso e reflete a base imunológica do fenômeno.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a coleta em tubo seco (sem anticoagulante) normaliza a contagem. Isso está errado. O tubo seco não é utilizado para hemograma, pois o sangue coagula e não é possível realizar a contagem de células. O correto é repetir a coleta em um tubo com anticoagulante diferente do EDTA, como citrato de sódio ou heparina. O tubo seco é usado para exames bioquímicos, não para hemograma. A conduta correta é a coleta com anticoagulante alternativo, não em tubo seco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa menciona a presença de microplaquetas contadas como hemácias como causa de pseudoplaquetopenia. Isso não é correto. As microplaquetas são plaquetas de tamanho reduzido, mas não são a causa clássica de pseudoplaquetopenia. O fenômeno é causado pela aglutinação plaquetária, não pela presença de microplaquetas. A confusão pode ocorrer com a presença de fragmentos de hemácias (esquizócitos) ou de microplaquetas que podem ser contadas erroneamente, mas a causa mais comum e descrita no enunciado é a aglutinação por EDTA. A alternativa troca o mecanismo central (aglutinação) por um artefato menos comum e não relacionado diretamente ao EDTA.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que a aspirina ajuda a desagregar as plaquetas e normaliza a contagem. Isso é um erro conceitual grave. A aspirina é um antiagregante plaquetário que inibe a ciclooxigenase e a produção de tromboxano A2, mas não tem efeito sobre a aglutinação plaquetária induzida por anticorpos anti-EDTA. A aglutinação é um fenômeno imunológico, não dependente da ativação plaquetária mediada por tromboxano. A aspirina não tem papel no tratamento ou na prevenção da pseudoplaquetopenia. A conduta correta é a coleta com anticoagulante alternativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o mecanismo da pseudoplaquetopenia (aglutinação imunológica por EDTA) e outras causas de plaquetopenia ou artefatos. A alternativa D tenta confundir com o efeito da aspirina, que é um antiagregante, mas não age sobre a aglutinação imunológica. A alternativa C confunde com microplaquetas, que não são a causa clássica. A alternativa B propõe uma conduta incorreta (tubo seco). A chave é lembrar que a pseudoplaquetopenia é um artefato laboratorial causado pelo EDTA, e a solução é repetir a coleta com outro anticoagulante.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre pseudoplaquetopenia, lembre-se do mnemônico "EDTA = Erro De Teste de Aglutinação". Sempre que a contagem de plaquetas estiver baixa, mas o paciente não apresentar sinais de sangramento, suspeite de pseudoplaquetopenia e peça a repetição do hemograma com citrato de sódio. A visualização de aglomerados plaquetários no esfregaço periférico é o achado que confirma o diagnóstico.