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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2024

MedicinaHematologia
Código
vu082126
Banca
VUNESP
Órgão
EINSTEIN
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Hematologia e Hemoterapia
A disponibilidade de um doador de células progenitoras hematopoéticas (CPH) adequado é um pré-requisito absoluto para a realização do transplante alogênico de CPH. Além da histocompatibilidade entre doador e receptor, outros fatores podem desempenhar um papel importante no resultado do transplante.Qual dos fatores a seguir, não relacionados à compatibilidade HLA, é considerado o mais relevante para o resultado do transplante não aparentado?
  1. ACompatibilidade ABO entre o doador e o receptor.
  2. BIdade do doador.
  3. CConcordância do status sorológico para CMV entre o doador e o receptor.
  4. DSexo do doador.
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GabaritoB — Idade do doador.

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Transplante alogênico de células progenitoras hematopoéticas: fatores prognósticos além do HLA

Gabarito: letra B. Em transplantes alogênicos não aparentados, a idade do doador é o fator não relacionado ao HLA mais relevante para o desfecho, superando compatibilidade ABO, status sorológico para CMV e sexo do doador. Essa é a evidência consolidada na literatura de transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), que orienta a seleção de doadores não aparentados.

O transplante alogênico de CPH é um procedimento curativo para diversas doenças hematológicas, como leucemias, síndromes mielodisplásicas e hemoglobinúria paroxística noturna (HPN). O pré-requisito absoluto é a disponibilidade de um doador adequado, sendo a histocompatibilidade HLA o fator determinante primário. No entanto, quando o doador é não aparentado, outros fatores ganham importância prognóstica. A idade do doador é um desses fatores, pois doadores mais jovens estão associados a menor incidência de doença do enxerto contra hospedeiro (DECH) e melhor sobrevida global. Estudos do National Marrow Donor Program (NMDP) e de consórcios internacionais demonstraram que a idade do doador é um preditor independente de desfecho, com doadores mais jovens (idealmente < 30-35 anos) apresentando melhores resultados. Essa associação é explicada por uma maior reserva de células-tronco, melhor função imunológica e menor risco de comorbidades no doador.

A compatibilidade ABO, embora relevante para a transfusão de hemocomponentes e para o manejo de incompatibilidade maior/menor no transplante, não impacta significativamente a sobrevida ou a incidência de DECH. O status sorológico para CMV é importante para o manejo pós-transplante (profilaxia, monitoramento e tratamento), mas não é um fator prognóstico independente tão forte quanto a idade do doador. O sexo do doador tem influência limitada, embora doadores do sexo feminino com histórico de gestações possam aumentar o risco de DECH em receptores do sexo masculino devido a antígenos menores de histocompatibilidade associados ao cromossomo Y. No entanto, a idade do doador é o fator mais robusto e amplamente reconhecido.

A seleção de doadores não aparentados envolve a busca em registros internacionais, priorizando doadores com compatibilidade HLA de alta resolução (10/10 ou 8/8 alelos) e, entre os compatíveis, escolhendo o mais jovem. Essa prática é baseada em evidências que mostram que a idade do doador é um fator prognóstico independente, com impacto na sobrevida livre de doença e na mortalidade relacionada ao transplante. A idade do doador também influencia a qualidade do enxerto, com doadores mais jovens apresentando maior número de células CD34+ e melhor função hematopoiética.

A pegadinha desta questão está em considerar fatores que são clinicamente relevantes no manejo do paciente, mas que não são os mais importantes para o desfecho do transplante não aparentado. A compatibilidade ABO e o status CMV são fatores que exigem atenção no peri-transplante, mas não determinam o prognóstico de forma tão significativa quanto a idade do doador. O sexo do doador tem impacto menor e mais específico. Portanto, a idade do doador é o fator mais relevante entre os listados.

Fatores prognósticos no TCTH não aparentado
  • 1HLA (pré-requisito absoluto)
    • Compatibilidade 10/10 ou 8/8
  • 2Não relacionados ao HLA
    • Idade do doador (mais relevante)
      • Menor DECH
      • Melhor sobrevida
    • Compatibilidade ABO
      • Manejo transfusional
      • Sem impacto na sobrevida
    • Status sorológico CMV
      • Profilaxia e monitoramento
      • Sem impacto prognóstico forte
    • Sexo do doador
      • Gestação prévia → risco DECH em receptor masculino
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A compatibilidade ABO entre doador e receptor é um fator que influencia o manejo transfusional e pode causar reações hemolíticas, mas não é o fator mais relevante para o desfecho do transplante não aparentado. Estudos não demonstram impacto significativo da incompatibilidade ABO na sobrevida global ou na incidência de DECH. A incompatibilidade ABO pode ser manejada com técnicas de depleção de hemácias ou plasma, e não contraindica o transplante. Portanto, embora seja um fator a ser considerado, não é o mais relevante.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A idade do doador é o fator não relacionado ao HLA mais relevante para o resultado do transplante não aparentado. Doadores mais jovens estão associados a menor incidência de DECH aguda e crônica, melhor sobrevida global e menor mortalidade relacionada ao transplante. Essa evidência é robusta e orienta a seleção de doadores em registros internacionais, priorizando doadores mais jovens entre os HLA compatíveis. A idade do doador reflete a qualidade do enxerto, a reserva de células-tronco e a função imunológica, fatores que impactam diretamente o desfecho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A concordância do status sorológico para CMV entre doador e receptor é um fator importante para o manejo pós-transplante, pois a reativação do CMV é uma complicação frequente e grave. No entanto, não é o fator mais relevante para o desfecho do transplante não aparentado. O status CMV influencia as estratégias de profilaxia e monitoramento, mas não é um preditor independente de sobrevida tão forte quanto a idade do doador. A reativação do CMV pode ser controlada com antivirais e monitoramento por PCR, reduzindo seu impacto no prognóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O sexo do doador tem influência limitada no desfecho do transplante. Doadores do sexo feminino com histórico de gestações podem apresentar maior risco de DECH em receptores do sexo masculino, devido a antígenos menores de histocompatibilidade associados ao cromossomo Y. No entanto, esse efeito é específico e de menor magnitude comparado à idade do doador. O sexo do doador não é considerado um fator prognóstico independente tão relevante quanto a idade.

Gabarito: letra B

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