Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2024
- Código
- vu082144
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- EINSTEIN
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residência Médica - Hematologia e Hemoterapia
- ALavagem.
- BIrradiação gama.
- CLeucodepleção.
- DInativação de patógenos.
GabaritoC — Leucodepleção.
Gabarito: letra C. A leucodepleção (leucorredução) é o procedimento com maior probabilidade de prevenir a aloimunização HLA, pois remove os leucócitos contaminantes do hemocomponente, que são a principal fonte de exposição aos antígenos HLA. A irradiação gama previne a doença do enxerto contra hospedeiro associada à transfusão (DEVH-TA), não a aloimunização; a lavagem remove plasma e proteínas solúveis; e a inativação de patógenos reduz agentes infecciosos, sem impacto direto na aloimunização.
A aloimunização HLA é um fenômeno imunológico em que o receptor de uma transfusão desenvolve anticorpos contra antígenos de histocompatibilidade (HLA) do doador. Isso ocorre porque os hemocomponentes, especialmente concentrados de plaquetas e de hemácias, contêm leucócitos residuais do doador. Esses leucócitos apresentam moléculas HLA de classe I e II na superfície, que são reconhecidas como estranhas pelo sistema imunológico do receptor. A exposição repetida a essas células, em múltiplas transfusões, estimula a produção de aloanticorpos, principalmente contra antígenos HLA de classe I. Esses anticorpos podem causar refratariedade plaquetária, ou seja, a falha em obter incremento adequado das plaquetas após a transfusão, além de aumentar o risco de rejeição em um futuro transplante de medula óssea.
A leucodepleção atua exatamente nesse ponto: ao filtrar o hemocomponente, remove a grande maioria dos leucócitos (geralmente abaixo de 1 × 10⁶ por unidade), eliminando a principal fonte de exposição aos antígenos HLA. Estudos demonstram que a leucorredução universal reduz significativamente a incidência de aloimunização HLA e de refratariedade plaquetária em pacientes que necessitam de transfusões repetidas, como os candidatos a transplante de medula óssea. Por isso, é a medida preventiva de escolha nesse contexto.
É importante distinguir a leucodepleção de outros procedimentos de processamento de hemocomponentes, pois cada um tem uma finalidade específica:
Procedimento | Finalidade principal | Efeito na aloimunização HLA |
|---|---|---|
Leucodepleção | Remover leucócitos | Previne (remove a fonte de HLA) |
Irradiação gama | Inativar linfócitos T | Não previne (não remove HLA) |
Lavagem | Remover plasma e proteínas solúveis | Não previne (leucócitos permanecem) |
Inativação de patógenos | Reduzir agentes infecciosos | Não previne (não remove HLA) |
A pegadinha da questão está em confundir a finalidade da irradiação gama com a da leucodepleção. A irradiação é indicada para prevenir a doença do enxerto contra hospedeiro associada à transfusão (DEVH-TA), que é causada pela proliferação de linfócitos T viáveis do doador no receptor imunocomprometido. A irradiação danifica o DNA dos linfócitos, impedindo sua divisão, mas não remove os leucócitos nem seus antígenos HLA. Portanto, não tem efeito na prevenção da aloimunização.
Guarde a distinção: leucodepleção = prevenir aloimunização HLA; irradiação = prevenir DEVH-TA. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas desta questão.
A lavagem de hemocomponentes remove o plasma e proteínas solúveis, sendo útil para pacientes com reações alérgicas graves a proteínas plasmáticas (como deficiência de IgA). No entanto, não remove os leucócitos, que permanecem no concentrado e continuam expondo o receptor aos antígenos HLA. Portanto, não previne a aloimunização HLA.
A irradiação gama é indicada para prevenir a doença do enxerto contra hospedeiro associada à transfusão (DEVH-TA), inativando os linfócitos T do doador. Ela não remove os leucócitos nem seus antígenos HLA, portanto não tem efeito na prevenção da aloimunização. É a alternativa que mais confunde os candidatos, pois ambos os procedimentos são usados em pacientes imunocomprometidos, mas com finalidades distintas.
A leucodepleção (ou leucorredução) remove os leucócitos contaminantes do hemocomponente por meio de filtração. Como os leucócitos são a principal fonte de exposição aos antígenos HLA, sua remoção é a medida mais eficaz para prevenir a aloimunização HLA em pacientes que necessitam de transfusões repetidas, como os candidatos a transplante de medula óssea. É o procedimento de escolha nesse contexto.
A inativação de patógenos (como o tratamento com solvente-detergente ou amotosaleno) tem como objetivo reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos (vírus, bactérias, parasitas). Embora possa ter algum efeito sobre leucócitos, não é sua finalidade principal e não é considerada uma medida eficaz para prevenir a aloimunização HLA. A leucodepleção é o método comprovadamente eficaz para esse fim.
Gabarito: letra C — a leucodepleção é o procedimento com maior probabilidade de prevenir a aloimunização HLA.
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