Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2024
- Código
- vu082202
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- HCFMUSP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residência Multiprofisisonal - Biologia Translacional
- ALH.
- BFSH.
- CGnRH.
- Destrógeno.
- Eprogesterona.
GabaritoA — LH.
Gabarito: letra A. Durante a ovulação (oocitação), ocorre a elevação do hormônio LH (hormônio luteinizante) — o chamado pico de LH — que é o gatilho final para a liberação do oócito pelo folículo maduro. Esse pico é precedido por um aumento rápido do estrógeno, que, por feedback positivo sobre a hipófise, dispara a secreção maciça de LH (e, em menor grau, de FSH). A fonte é a fisiologia endócrina do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, amplamente descrita nos tratados de Ginecologia e Obstetrícia.
O ciclo ovariano é governado por uma orquestra hormonal que se divide em duas fases principais: a fase folicular (do início da menstruação até a ovulação) e a fase lútea (da ovulação até a próxima menstruação). Na fase folicular, o FSH estimula o crescimento dos folículos ovarianos, que passam a produzir estrógeno em quantidades crescentes. Quando o estrógeno atinge um limiar elevado e sustentado (por volta do 13º-14º dia de um ciclo de 28 dias), ele exerce um efeito de feedback positivo sobre a hipófise anterior, provocando uma descarga abrupta de LH — o pico de LH. Esse pico é o evento central da ovulação: ele desencadeia a retomada da meiose no oócito, a luteinização das células da granulosa e a produção de enzimas que degradam a parede folicular, permitindo a liberação do oócito (oocitação) aproximadamente 24 a 36 horas após o início do pico.
Na prática clínica, esse conhecimento é usado, por exemplo, nos testes de ovulação caseiros, que detectam o aumento do LH na urina para prever o período fértil. Também é a base para a indução da ovulação em tratamentos de infertilidade, em que se administra hCG (que mimetiza o LH) para disparar a ovulação em folículos maduros.
A distinção que importa aqui é entre os papéis de cada hormônio: o FSH é o hormônio do recrutamento e crescimento folicular; o LH é o hormônio da ovulação e da manutenção do corpo lúteo; o GnRH é o hormônio hipotalâmico que comanda a liberação de FSH e LH; o estrógeno é o hormônio folicular que prepara o endométrio e, em níveis altos, dispara o pico de LH; e a progesterona é o hormônio da fase lútea, produzido pelo corpo lúteo após a ovulação. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que o estrógeno aumenta na fase folicular pode marcar a letra D, esquecendo que o evento imediato da ovulação é o pico de LH.
Guarde a sequência: estrógeno alto → pico de LH → ovulação → corpo lúteo → progesterona. É essa cadeia que separa as alternativas.
O pico de LH é o evento hormonal que deflagra a ovulação. O aumento abrupto do LH, estimulado pelo feedback positivo do estrógeno, é o gatilho para a liberação do oócito. Sem o pico de LH, a ovulação não ocorre — por isso os anticoncepcionais hormonais que suprimem o LH impedem a ovulação.
O FSH é o hormônio responsável pelo recrutamento e crescimento dos folículos ovarianos na fase folicular. Ele atinge seu pico no início do ciclo e tem um pequeno aumento junto com o LH no momento da ovulação, mas não é o hormônio cuja elevação caracteriza a oocitação. A banca troca o papel do FSH (crescimento folicular) pelo do LH (ovulação).
O GnRH é o hormônio liberador de gonadotrofinas, produzido pelo hipotálamo. Ele estimula a hipófise a secretar FSH e LH, mas não é o hormônio que se eleva diretamente no momento da ovulação. A elevação do GnRH ocorre de forma pulsátil ao longo do ciclo, não como um pico ovulatório específico.
O estrógeno aumenta progressivamente durante a fase folicular, mas é o seu pico que dispara o pico de LH — não é o estrógeno em si que marca a ovulação. A confusão é clássica: o estrógeno alto é o sinal, mas o efetor da ovulação é o LH. A alternativa inverte a causa e o efeito.
A progesterona é o hormônio da fase lútea, produzido pelo corpo lúteo após a ovulação. Sua elevação ocorre depois da oocitação, para preparar o endométrio para uma possível implantação. Não há pico de progesterona no momento da ovulação.
A banca explora a confusão entre o hormônio que precede a ovulação (estrógeno) e o que dispara a ovulação (LH). O candidato que lembra que o estrógeno aumenta na fase folicular pode marcar a letra D, mas o evento imediato da oocitação é o pico de LH. Lembre-se: estrógeno alto é o sinal; LH é o gatilho.
Para fixar, associe cada hormônio à sua função-chave: FSH = crescimento folicular; LH = ovulação; GnRH = comando hipotalâmico; estrógeno = preparo endometrial e feedback positivo; progesterona = manutenção da fase lútea. Em questões sobre o ciclo, pergunte-se sempre: "qual é o evento imediato?" — se for ovulação, a resposta é LH.
Gabarito: letra A
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