Quais dos seguintes parasitas possuem fêmea partenogenética?
AAscaris lumbricoides.
BTaenia solium.
CAncylostoma duodenale.
DSchistosoma mansoni.
EStrongyloides stercoralis.
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GabaritoE — Strongyloides stercoralis.
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Partenogênese em parasitas: Strongyloides stercoralis
Gabarito: letra E. O Strongyloides stercoralis é o único entre os listados que apresenta fêmea partenogenética — ou seja, fêmeas que se reproduzem sem fecundação, gerando prole diretamente de óvulos não fertilizados. Essa é uma característica marcante do ciclo de vida desse nematódeo, que alterna gerações de vida livre e parasitária, e é exatamente o que a alternativa correta explora.
A partenogênese é uma forma de reprodução assexuada em que o óvulo se desenvolve em um novo indivíduo sem ser fertilizado por um espermatozoide. No contexto da parasitologia, essa estratégia reprodutiva é observada em poucos helmintos de importância médica, e o Strongyloides stercoralis é o exemplo clássico. Diferentemente de outros nematódeos intestinais, como o Ascaris lumbricoides e os ancilostomídeos, que são dioicos (possuem sexos separados e reprodução sexuada obrigatória), o S. stercoralis apresenta um ciclo de vida complexo com duas linhagens: uma de vida livre no solo, com reprodução sexuada, e outra parasitária no intestino delgado humano, composta exclusivamente por fêmeas partenogenéticas.
Essas fêmeas parasitárias, alojadas na mucosa do intestino delgado, produzem ovos por partenogênese, que eclodem ainda no intestino e liberam larvas rabditoides. Essas larvas podem seguir dois caminhos: o ciclo direto (heterogônico), em que se transformam em larvas filarioides infectantes no solo, ou o ciclo indireto, em que dão origem a machos e fêmeas de vida livre que se reproduzem sexuadamente no ambiente. Essa versatilidade reprodutiva é um diferencial do Strongyloides e um ponto frequentemente cobrado em provas de parasitologia.
A banca explora justamente a confusão entre os ciclos de vida dos nematódeos intestinais. Enquanto Ascaris lumbricoides e Ancylostoma duodenale são dioicos e dependem de reprodução sexuada, o Strongyloides stercoralis se destaca pela partenogênese na fase parasitária. Já Taenia solium é um cestódeo hermafrodita (cada proglote possui ambos os sexos) e Schistosoma mansoni é um trematódeo de sexos separados, com a fêmea alojada no canal ginecóforo do macho. Guarde essa distinção: é ela que separa a alternativa correta das demais.
O Ascaris lumbricoides é um nematódeo dioico, ou seja, possui machos e fêmeas distintos, e a reprodução é exclusivamente sexuada. A fêmea elimina ovos no ambiente após ser fecundada pelo macho, e não há qualquer forma de partenogênese no seu ciclo. A confusão aqui pode ocorrer com a alta prolificidade da fêmea (que elimina milhares de ovos por dia), mas isso não implica reprodução assexuada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A Taenia solium é um cestódeo hermafrodita: cada proglote (segmento do corpo) contém tanto órgãos reprodutores masculinos quanto femininos, permitindo a autofecundação ou fecundação cruzada entre proglotes. Não se trata de partenogênese, pois há fecundação — apenas o indivíduo é capaz de produzir ambos os gametas. A partenogênese, por definição, dispensa a fecundação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Ancylostoma duodenale é um nematódeo dioico, com reprodução sexuada obrigatória, assim como o Ascaris. Machos e fêmeas são morfologicamente distintos, e a fêmea só produz ovos após a cópula. Não há previsão de partenogênese no ciclo dos ancilostomídeos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Schistosoma mansoni é um trematódeo de sexos separados (dioico). A fêmea, mais alongada, vive alojada no canal ginecóforo do macho, onde ocorre a fecundação e posterior oviposição. A reprodução é sexuada, sem qualquer mecanismo partenogenético. A peculiaridade do casal permanente (macho e fêmea juntos) pode confundir, mas não se trata de partenogênese.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Strongyloides stercoralis é o parasita que possui fêmea partenogenética na fase parasitária. As fêmeas que vivem na mucosa do intestino delgado humano se reproduzem por partenogênese, produzindo ovos que eclodem e liberam larvas sem necessidade de fecundação. Essa é uma característica única entre os helmintos intestinais listados e um diferencial biológico importante do parasita, responsável pela autoinfecção e pela cronicidade da estrongiloidíase.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de associar "fêmea" a "reprodução sexuada" — o que é verdade para a maioria dos nematódeos, mas não para o Strongyloides. O candidato que não conhece o ciclo de vida específico do parasita tende a marcar Ascaris ou Ancylostoma, que são os exemplos mais comuns de vermes intestinais. A chave é lembrar que a partenogênese é uma exceção notável, e o Strongyloides é o representante clássico dessa exceção entre os helmintos de importância médica.
Gabarito: letra E — Strongyloides stercoralis é o único com fêmea partenogenética.