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Questão de Legislação Penal Especial — Lei Maria da Penha - Lei nº 11.340 de 2006 — VUNESP 2024

Legislação Penal EspecialLei Maria da Penha - Lei nº 11.340 de 2006
Código
vu082688
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-RO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
A respeito dos procedimentos relacionados a crimes praticados no âmbito doméstico contra a mulher, é correto afirmar que
  1. Acompete à Justiça Estadual apreciar pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher, cometido por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu resultado ocorra no Brasil.
  2. Ba suspensão condicional do processo e a transação penal, embora inaplicáveis aos crimes cometidos em âmbito doméstico, aplicam-se ao crime de descumprimento de medida protetiva.
  3. Ca palavra da vítima, em crimes praticados em âmbito domésticos, ainda que normalmente praticados sem a presença de testemunhas, não possui relevância apta a embasar o recebimento de denúncia contra o agressor.
  4. Da competência para a persecução penal de crimes praticados no âmbito de violência doméstica contra a mulher é do local dos fatos, entretanto, por força de mudança de domicílio, eventual concessão de qualquer outra medida de urgência pelo Juízo do novo domicílio implicará modificação da competência.
  5. Eo Juízo da Vara Especializada em Violência Doméstica e, na ausência, o Juízo Criminal é o competente para apreciar o pedido de medida protetiva de manutenção do vínculo trabalhista da vítima, em razão do afastamento do trabalho, por violência doméstica.
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GabaritoE — o Juízo da Vara Especializada em Violência Doméstica e, na ausência, o Juízo Criminal é o competente para apreciar o pedido de medida protetiva de manutenção do vínculo trabalhista da vítima, em razão do afastamento do trabalho, por violência doméstica.

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Procedimentos na Lei Maria da Penha

Gabarito: alternativa E. A competência para apreciar medidas protetivas de urgência, inclusive a de manutenção do vínculo trabalhista, é da Vara Especializada em Violência Doméstica ou, na sua ausência, do Juízo Criminal – regra extraída da Lei Maria da Penha (arts. 14 e 15, c/c art. 22). As demais alternativas apresentam erros: (A) o foro competente não se altera pelo fato de o crime ter sido iniciado no estrangeiro; (B) a transação penal e a suspensão condicional do processo são vedadas também para o crime de descumprimento de medida protetiva (Lei Maria da Penha, art. 41); (C) a palavra da vítima é de grande relevância e pode embasar a denúncia; (D) a mudança de domicílio da vítima não modifica automaticamente a competência, salvo exceções legais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que "compete à Justiça Estadual" apreciar o pedido de medida protetiva é, em tese, correta (a competência é da Justiça Estadual), mas o erro está em vincular a competência ao local de início do crime no estrangeiro. Para crimes de ameaça praticados por meio de rede social, a competência territorial é do domicílio da vítima ou do local onde o resultado ocorreu (art. 53, I, d, do CPC, aplicado por analogia). O fato de o crime ter sido iniciado no estrangeiro não atrai a Justiça Federal, pois a ameaça é crime de menor potencial ofensivo e de competência estadual. Contudo, a redação da alternativa é imprecisa ao sugerir que a competência depende desse elemento internacional; na prática, o juízo competente será sempre o da Vara Especializada ou Criminal do domicílio da vítima, independentemente do local de início da ação criminosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A Lei Maria da Penha, em seu art. 41, proíbe expressamente a aplicação da Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/95) e, portanto, também da transação penal e da suspensão condicional do processo, a qualquer crime praticado no contexto de violência doméstica e familiar. Essa vedação abrange também o crime de descumprimento de medida protetiva (art. 24-A). O STJ e o STF já consolidaram esse entendimento. Logo, não se aplicam esses institutos benéficos ao descumprimento de medida protetiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Nos crimes de violência doméstica, frequentemente cometidos na intimidade do lar, a palavra da vítima assume papel central, sendo considerada de grande relevância probatória. A jurisprudência dos tribunais superiores reconhece que, em tais situações, a declaração da ofendida, quando coerente e corroborada por outros elementos, é suficiente para embasar o recebimento da denúncia e até mesmo a condenação. Portanto, a afirmação de que a palavra da vítima não possui relevância é equivocada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A competência para processar e julgar os crimes de violência doméstica é determinada pelo lugar da infração (art. 70 do CPP) ou, conforme entendimento consolidado, pelo domicílio da vítima (Súmula 9 do STJ? Não, mas há entendimento). A mudança de domicílio da vítima, por si só, não altera a competência já fixada. A concessão de medida de urgência pelo juízo do novo domicílio não implica modificação da competência para a persecução penal; o juízo originário continua competente, salvo se houver determinação legal ou jurisprudencial em contrário, o que não é o caso.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Lei Maria da Penha estabelece que as medidas protetivas de urgência, incluindo aquelas relativas à manutenção do vínculo trabalhista (art. 22, II), são de competência do juiz da Vara Especializada em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Na inexistência de vara especializada, a competência recai sobre o Juízo Criminal comum. Esta regra decorre da própria estrutura da lei, que visa dar celeridade e especialização ao atendimento da vítima. Portanto, a alternativa está correta.

Gabarito: letra E

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