Questão de Direito Penal — Omissão de socorro — VUNESP 2024
Direito Penal›Omissão de socorro
Código
vu082692
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-RO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Caio, bombeiro salva-vidas aposentado, que atualmente é instrutor de aula de surfe, está na praia, aguardando possíveis clientes. Tício, bombeiro salva-vidas, que precisava levar o filho em consulta médica, pede a Caio que o substitua, por duas horas. Caio não aceita o encargo, pois precisa trabalhar no seu negócio. Tício, mesmo assim, resolve se ausentar. Caio, enquanto observava o mar, vê Mévio nadando em local perigoso e, de imediato, grita para o homem retroceder, avisando do perigo. O homem não atende Caio e ainda o xinga de velho caquético, afirmando saber nadar. Pouco tempo depois, Mévio começa a se afogar. Caio, ao perceber o afogamento de Mévio, não presta socorro, deixando a orla da praia. Tício, que retornava à praia para ocupar sua função de bombeiro, presta socorro a Mévio que, entretanto, não sobrevive devido ao tempo que permaneceu na água.Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta.
ACaio praticou o crime de homicídio culposo, por omissão, vez que, na qualidade de garante, tinha o dever de agir na primeira oportunidade para tentar impedir a realização do resultado morte.
BCaio praticou o crime de omissão de socorro tentado, uma vez que o socorro foi prestado por terceiro, ainda que ineficaz.
CCaio praticou o crime de homicídio doloso, por omissão imprópria, vez que, na qualidade de garante, tinha o dever de agir na primeira oportunidade para tentar impedir a realização do resultado morte.
DTício não incorreu em qualquer crime, visto que, embora ostentasse a qualidade de garante, o socorro foi prestado por terceiro, mostrando-se ineficaz.
ECaio praticou o crime de omissão de socorro.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Caio praticou o crime de omissão de socorro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Direito Penal – Omissão de socorro
Gabarito: letra E. Caio, bombeiro aposentado, não era garante (não assumiu o dever de agir, recusou a substituição). Ao ver Mévio se afogar e não prestar socorro, praticou o crime de omissão de socorro (art. 135 CP), crime omissivo puro que se consuma com a simples abstenção, sendo inadmissível a tentativa. O fato de terceiro ter prestado socorro ineficaz não exclui o crime de Caio.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Caio não possui o dever jurídico de agir como garante. Aposentado e sem ter assumido a função naquele momento, não se enquadra no art. 13, §2º do CP (incisos a, b ou c). Logo, não responde por homicídio culposo por omissão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O crime de omissão de socorro é omissivo puro – não admite tentativa. Ou o agente age no momento devido e nada pratica, ou deixa de agir e o crime está consumado. Ademais, o socorro prestado por terceiro não transforma a omissão em tentativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pelo mesmo motivo da alternativa A: Caio não é garante. A tipificação de homicídio doloso por omissão imprópria exige a posição de garantidor, o que não se verifica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Tício, bombeiro salva-vidas ativo, é garante (tem dever legal de cuidado). Ao se ausentar, praticou omissão penalmente relevante. Embora tenha retornado e prestado socorro, sua omissão prévia pode configurar crime (p. ex., homicídio culposo se o resultado morte for imputável à sua ausência). Afirmar que não incorreu em qualquer crime é falso.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Caio, ao deixar de prestar socorro a Mévio, quando podia fazê-lo sem risco pessoal, praticou o crime do art. 135 do CP. A circunstância de ter alertado a vítima não o exime do dever de socorro. O crime é de perigo abstrato e se consuma com a omissão, independentemente do resultado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que Caio, por ser bombeiro aposentado, ainda seria garante. Contudo, ele recusou expressamente assumir a função, não criou o risco e não tinha qualquer dever legal de agir. A posição de garante não é automática – exige assunção ou dever legal. Cuidado para não confundir mera qualidade profissional com dever jurídico no caso concreto.