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Questão de Direito Constitucional — Poder Legislativo — VUNESP 2024

Direito ConstitucionalPoder Legislativo
Código
vu083532
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Lins - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Procurador
Sobre comissões parlamentares de inquérito instauradas pelo Poder Legislativo, assinale a alternativa correta.
  1. AUma vez autorizada a instauração de comissão parlamentar de inquérito, é admitida a ampliação para abarcar fatos novos sequer referidos em seu ato de criação, mas conexos com o fato determinado que ensejou a instauração inaugural.
  2. BComissão parlamentar de inquérito somente deve ser criada de forma conjunta pela Câmara e pelo Senado Federal, ter por objetivo fato determinado a ser apurado e prazo certo para sua duração, sendo possíveis prorrogações do prazo de duração dentro da legislatura.
  3. CAs comissões parlamentares de inquérito têm por objetivo apurar fatos determinados, mas de forma excepcional tem sido admitida sua instauração para apuração de fatos genéricos de relevância social, ainda que não devidamente caracterizados.
  4. DComissão parlamentar de inquérito não pode investigar fatos da vida privada, ainda que tenham relevância pública.
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GabaritoA — Uma vez autorizada a instauração de comissão parlamentar de inquérito, é admitida a ampliação para abarcar fatos novos sequer referidos em seu ato de criação, mas conexos com o fato determinado que ensejou a instauração inaugural.

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Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI)

Gabarito: letra A. A alternativa A está correta porque, embora a CPI deva ser criada para apuração de fato determinado, o STF admite a ampliação de suas investigações para fatos novos que sejam conexos com o objeto inicial, desde que não haja desvirtuamento. As demais alternativas contêm erros: a B afirma que a CPI deve ser criada conjuntamente pela Câmara e pelo Senado, quando a Constituição permite criação separada; a C admite a apuração de fatos genéricos, o que é vedado; a D nega a possibilidade de investigar fatos da vida privada com relevância pública, o que é possível.

A questão exige conhecimento do regime jurídico das CPIs, especialmente o art. 58, §3º da Constituição Federal e a interpretação consolidada do STF.

Art. 58, §3CF/88

As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está em harmonia com a jurisprudência do STF. A CPI é criada para apurar fato determinado, mas, uma vez instaurada, pode estender sua investigação a fatos novos que guardem conexão com o objeto original, desde que não se desvie do propósito inicial. Exemplo: se a CPI investiga desvios em licitações, pode apurar contratos superfaturados ligados ao mesmo esquema, ainda que não mencionados no ato de criação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a CPI "somente deve ser criada de forma conjunta" pela Câmara e pelo Senado. O art. 58, §3º, CF, é expresso: as CPIs podem ser criadas "em conjunto ou separadamente". Portanto, cada Casa pode instituir sua própria CPI, sem necessidade de atuação conjunta. A parte sobre fato determinado e prazo certo está correta, mas o erro inicial invalida a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A CPI exige "fato determinado" para sua instauração. Não há exceção para fatos genéricos, ainda que de relevância social. O STF rechaça CPIs com objeto vago ou genérico, sob pena de desvirtuamento dos poderes investigatórios. A alternativa tenta criar uma exceção inexistente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A CPI pode, sim, investigar fatos da vida privada desde que haja relevância pública e sejam respeitados os direitos fundamentais (sigilo, intimidade, etc.). O STF já admitiu investigações sobre a vida privada de agentes públicos quando o interesse público justificar. A negativa absoluta é incorreta.

Conclusão: A única alternativa correta é a letra A, conforme gabarito oficial.

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