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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2024

MedicinaGeriatria
Código
vu084134
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Mogi das Cruzes - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Homem de 80 anos faz uso de 10 mg de donepezila todas as manhãs, desde que foi diagnosticado com doença de Alzheimer há cerca de três anos. Na avaliação atual, a demência é moderadamente grave e sua esposa diz que ele está mais agitado e inquieto, especialmente à noite. Não há histórico de convulsões. Nesse momento, o manejo farmacológico mais adequado é:
  1. Ainiciar dose baixa de haloperidol.
  2. Biniciar memantina, 5 mg, uma vez ao dia.
  3. Ciniciar memantina, 20 mg, uma vez ao dia.
  4. Dpassar a donepezila para noite, e não de manhã.
  5. Ereduzir a dose de donepezila para 5 mg.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — iniciar memantina, 5 mg, uma vez ao dia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo farmacológico da doença de Alzheimer moderada a grave

Gabarito: letra B. Em paciente com doença de Alzheimer em fase moderada a grave, já em uso de donepezila (inibidor da acetilcolinesterase), a conduta mais adequada é adicionar memantina, antagonista do receptor NMDA do glutamato, iniciando com dose baixa (5 mg/dia) e titulando gradualmente até a dose-alvo de 20 mg/dia. A memantina é o fármaco de escolha para as fases moderada a avançada da doença, podendo ser associada aos anticolinesterásicos, conforme as diretrizes de tratamento.

A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência neurodegenerativa, caracterizada pelo acúmulo de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, levando à perda progressiva de neurônios colinérgicos e à excitotoxicidade glutamatérgica. O tratamento farmacológico atual é sintomático e baseia-se em duas classes principais: os inibidores da acetilcolinesterase (AChEIs) — donepezila, rivastigmina e galantamina — indicados para as fases leve a moderada, e a memantina, um antagonista não competitivo do receptor NMDA, indicada para as fases moderada a grave. A lógica terapêutica é que, nas fases iniciais, o déficit colinérgico predomina, enquanto nas fases mais avançadas a excitotoxicidade glutamatérgica contribui significativamente para a neurodegeneração.

No caso apresentado, o paciente de 80 anos está em uso de donepezila 10 mg/dia há três anos, com demência moderadamente grave e sintomas comportamentais (agitação, inquietação noturna). A associação de memantina ao AChEI é a estratégia recomendada nessa fase, pois há evidências de benefício adicional na cognição, nas atividades de vida diária e nos sintomas neuropsiquiátricos. A memantina deve ser iniciada em dose baixa (5 mg/dia) e titulada em incrementos de 5 mg a cada semana, até a dose de manutenção de 20 mg/dia, para minimizar efeitos adversos e melhorar a tolerabilidade.

A alternativa de iniciar memantina já na dose de 20 mg/dia (letra C) está incorreta, pois a titulação gradual é essencial para reduzir o risco de efeitos colaterais, como tontura, cefaleia, sonolência e constipação. A letra A (haloperidol em dose baixa) não é a primeira escolha para sintomas comportamentais na DA, pois os antipsicóticos típicos têm eficácia limitada e risco aumentado de eventos adversos, incluindo efeitos extrapiramidais, quedas e aumento da mortalidade em idosos com demência. A letra D (mudar a donepezila para a noite) não é a conduta mais adequada, pois a agitação noturna (sundowning) não é tratada com a alteração do horário do anticolinesterásico, e a donepezila pode causar insônia se administrada à noite. A letra E (reduzir a dose de donepezila para 5 mg) também não é indicada, pois o paciente já está em dose plena e a redução não trata os sintomas comportamentais, podendo até piorar o quadro cognitivo.

A escolha entre as alternativas depende do entendimento da fase da doença e do papel de cada fármaco. A memantina é o fármaco de escolha para DA moderada a grave, e sua associação com AChEIs é bem estabelecida. A titulação lenta é uma regra de ouro na prescrição de psicofármacos em idosos, especialmente na demência, para evitar efeitos adversos e garantir adesão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar haloperidol em dose baixa não é a conduta mais adequada para sintomas comportamentais na DA. Embora os antipsicóticos possam ser usados em casos de agitação grave ou sintomas psicóticos, eles têm eficácia limitada e risco significativo de efeitos adversos em idosos, incluindo efeitos extrapiramidais, sedação, quedas e aumento da mortalidade. Além disso, o haloperidol é um antipsicótico típico, com maior risco de efeitos extrapiramidais, e deve ser reservado para situações em que outras medidas falharam. A primeira linha para sintomas comportamentais na DA é a abordagem não farmacológica e, quando necessário, o uso de antipsicóticos atípicos como quetiapina ou risperidona, com cautela e em doses baixas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar memantina 5 mg uma vez ao dia é a conduta mais adequada. A memantina é indicada para DA moderada a grave, e sua associação com donepezila é recomendada pelas diretrizes. A dose inicial de 5 mg/dia é a correta, com titulação gradual até 20 mg/dia, para minimizar efeitos adversos. O paciente já está em uso de donepezila 10 mg/dia, e a adição de memantina é a estratégia farmacológica de escolha nessa fase da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar memantina 20 mg/dia de uma vez está incorreto, pois a dose inicial recomendada é de 5 mg/dia, com titulação semanal de 5 mg até a dose-alvo de 20 mg/dia. Iniciar com a dose máxima aumenta o risco de efeitos adversos, como tontura, cefaleia, sonolência e constipação, e pode comprometer a adesão ao tratamento. A titulação gradual é essencial para a segurança do paciente idoso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Mudar a donepezila para a noite não é a conduta adequada. A donepezila é administrada pela manhã, pois pode causar insônia se tomada à noite. A agitação noturna (sundowning) não é tratada com a alteração do horário do anticolinesterásico, mas sim com medidas não farmacológicas e, se necessário, com medicação específica para sintomas comportamentais, como antipsicóticos atípicos em baixas doses. A mudança de horário não aborda a causa da agitação e pode piorar a qualidade do sono.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Reduzir a dose de donepezila para 5 mg não é indicado. O paciente já está em dose plena (10 mg/dia) e a redução não trata os sintomas comportamentais, podendo até piorar o quadro cognitivo. A donepezila é um tratamento sintomático, e a redução da dose pode levar à piora da cognição e do comportamento. A conduta correta é adicionar memantina, conforme a fase moderada a grave da doença.

Gabarito: letra B

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