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Questão de Medicina — Dermatologia — VUNESP 2024

MedicinaDermatologia
Código
vu084136
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Mogi das Cruzes - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
A respeito da tínea versicolor, assinale a alternativa correta.
  1. ADescamação proeminente das lesões é observada na maioria dos casos.
  2. BEla é adquirida através de contatos próximos com outras pessoas.
  3. CGeralmente se localiza na parte inferior do tronco e na distribuição da roupa íntima.
  4. DPápulas e placas brancas ou esbranquiçadas observadas em áreas expostas ao sol.
  5. EPrurido intenso é muito comum.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Pápulas e placas brancas ou esbranquiçadas observadas em áreas expostas ao sol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pitiríase versicolor (tínea versicolor)

Gabarito: letra D. A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica superficial causada pela levedura lipofílica Malassezia spp., que se manifesta classicamente como pápulas e placas brancas ou esbranquiçadas, mais visíveis em áreas expostas ao sol, onde o contraste com a pele bronzeada é maior. As demais alternativas distorcem características da doença: a descamação é discreta (não proeminente), a transmissão não ocorre por contato próximo, a localização típica é o tronco superior (não a parte inferior) e o prurido é ausente ou discreto (não intenso).

A pitiríase versicolor, também chamada de tínea versicolor, é uma das micoses superficiais mais comuns na prática dermatológica. O agente etiológico, a levedura Malassezia spp., faz parte da microbiota normal da pele, mas, sob condições favoráveis — calor, umidade, transpiração excessiva e imunossupressão —, passa da forma de levedura para a forma filamentosa (hifas), tornando-se patogênica. Essa transformação é o que explica por que a doença não é contagiosa no sentido clássico: o fungo já está presente na pele de quase todas as pessoas; o que muda é o ambiente que permite sua proliferação.

O quadro clínico é bastante característico. As lesões são ovaladas, pequenas e finamente descamativas, distribuindo-se sobretudo no tórax, pescoço, ombros e face — regiões ricas em glândulas sebáceas, que fornecem o sebo de que a levedura se alimenta. As lesões assumem diferentes colorações (róseas, hipocrômicas, acastanhadas), daí o nome "versicolor". Podem coalescer e formar grandes placas. A descamação é discreta e só se evidencia com o esticar da pele ou com o raspado da lesão (sinal de Zileri).

Um ponto central para entender a questão é a relação da doença com o sol. As lesões hipocrômicas (brancas) tornam-se mais visíveis no verão, não porque o sol as cause, mas porque a pele ao redor bronzeia e o contraste aumenta. Além disso, a radiação ultravioleta pode ter efeito direto sobre a levedura, inibindo a melanogênese local. Por isso, a alternativa D, que menciona "áreas expostas ao sol", está correta: é exatamente nessas áreas que as lesões brancas se destacam.

A doença é em geral assintomática — o prurido, quando presente, é discreto. Isso elimina a alternativa E. A transmissão por contato próximo (alternativa B) não se sustenta, pois a Malassezia é comensal da pele. A localização preferencial é o tronco superior (alternativa C errada ao dizer "parte inferior do tronco e distribuição da roupa íntima" — essa topografia é mais típica da tinha crural, outra micose superficial). E a descamação proeminente (alternativa A) contraria a apresentação clássica, em que as escamas são finas e pouco perceptíveis.

Guarde a tríade que define a pitiríase versicolor: levedura lipofílica (Malassezia) + tronco superior + lesões hipocrômicas finamente descamativas, assintomáticas e mais visíveis no verão. É exatamente nesses quatro pilares que as alternativas se dividem.

Característica

Pitiríase versicolor (correta)

Distratores (A, B, C, E)

Descamação

Discreta, fina (sinal de Zileri)

Proeminente (A)

Transmissão

Não contagiosa (Malassezia comensal)

Contato próximo (B)

Localização típica

Tronco superior, face, ombros

Parte inferior do tronco/roupa íntima (C)

Sintoma

Assintomática ou prurido discreto

Prurido intenso (E)

Aspecto das lesões

Pápulas/placas hipocrômicas, mais visíveis ao sol (D)

—

Pitiríase versicolor
  • 1Agente
    • Malassezia spp. (levedura lipofílica)
    • Comensal da pele (não contagiosa)
  • 2Quadro clínico
    • Pápulas/placas hipocrômicas
    • Tronco superior e face
    • Descamação fina (sinal de Zileri)
    • Assintomática (prurido ausente/discreto)
  • 3Fatores
    • Calor, umidade, sebo
    • Imunossupressão
    • Sol aumenta contraste (não causa)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a descamação é proeminente na maioria dos casos. Na pitiríase versicolor, as escamas são finas e pouco perceptíveis, evidenciadas apenas com o esticar da pele ou o raspado da lesão (sinal de Zileri). Descamação proeminente é característica de outras dermatoses, como a psoríase ou certas dermatofitoses.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a doença é adquirida por contatos próximos. A Malassezia spp. é comensal da pele — está presente na microbiota normal de quase todos os indivíduos. A doença surge quando condições locais (calor, umidade, sebo, imunossupressão) favorecem a conversão da forma de levedura para a forma filamentosa patogênica. Não há transmissão interpessoal relevante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a doença se localiza na parte inferior do tronco e na distribuição da roupa íntima. A localização típica da pitiríase versicolor é o tronco superior (tórax, pescoço, ombros) e a face, áreas ricas em glândulas sebáceas. A topografia inguinocrural descrita na alternativa é mais característica da tinha crural, outra micose superficial, causada por dermatófitos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o quadro clínico: pápulas e placas brancas ou esbranquiçadas em áreas expostas ao sol. As lesões hipocrômicas tornam-se mais evidentes no verão, quando a pele bronzeada ao redor aumenta o contraste. A radiação UV também pode inibir a melanogênese local, contribuindo para a hipopigmentação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o prurido intenso é muito comum. A pitiríase versicolor é em geral assintomática; quando há prurido, ele é discreto. Prurido intenso é típico de outras dermatoses, como escabiose, dermatite atópica ou tinha crural.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as micoses superficiais. A alternativa C descreve a topografia da tinha crural (região inguinocrural, "distribuição da roupa íntima"), e a alternativa E atribui à pitiríase versicolor o prurido intenso que é marca da tinha crural e de outras dermatofitoses. Fique atento: pitiríase versicolor = tronco superior + assintomática; tinha crural = região inguinal + prurido intenso.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as micoses superficiais na prova, monte um quadro mental com três eixos: agente (Malassezia vs. dermatófitos), topografia (tronco superior vs. região inguinal/pés) e sintoma (assintomática vs. prurido intenso). A pitiríase versicolor é a única que "não coça" e "não descama muito" — se a alternativa trouxer prurido intenso ou descamação proeminente, está errada.

Gabarito: letra D

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