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Questão de Direito Civil — Personalidade, Pessoa Natural e Capacidade — VUNESP 2024

Direito CivilPersonalidade, Pessoa Natural e Capacidade
Código
vu084600
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Procurador - Classe I
Caio, portador de uma doença autoimune, preocupado com o seu futuro, decide escrever uma declaração na qual estabelece que, após a sua morte, tem o desejo de doar seus órgãos para serem expostos no museu de anatomia “Corpo Humano”.Acerca da situação hipotética, assinale a alternativa correta.
  1. AA declaração de Caio não é válida uma vez que é necessário o objetivo científico para a disposição do próprio corpo.
  2. BCaio poderá revogar a declaração desde que no prazo de trinta dias da data da sua elaboração.
  3. CA família de Caio poderá, após a sua morte, impedir a doação de seus órgãos.
  4. DA declaração, para ter validade, deveria ter sido registrada em cartório de notas.
  5. EÉ válida a doação para uma pessoa jurídica específica e pré-determinada desde que seja gratuita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — É válida a doação para uma pessoa jurídica específica e pré-determinada desde que seja gratuita.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disposição do próprio corpo para depois da morte (Direitos da Personalidade)

Gabarito: letra E. A declaração de Caio é válida porque a doação gratuita do próprio corpo para pessoa jurídica determinada é permitida pelo art. 14 do Código Civil, que exige apenas finalidade científica ou altruística e gratuidade. A alternativa E reconhece exatamente esses requisitos.

A banca testa o conhecimento do art. 14 do CC, que dispõe:

Art. 14CC

Art. 14 — É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.

Parágrafo único — O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que falta o "objetivo científico". O art. 14 admite tanto o objetivo científico quanto o altruístico. A exposição em museu de anatomia pode enquadrar-se em ambos, mas mesmo que fosse apenas altruístico, seria válido. A alternativa erra ao restringir a validade a uma única finalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Estabelece prazo de trinta dias para revogação. O parágrafo único do art. 14 assegura a revogabilidade a qualquer tempo, sem limitação temporal. Caio pode revogar a declaração até o momento de sua morte.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sustenta que a família pode impedir a doação após a morte. Se Caio manifestou sua vontade em vida (e a declaração é válida), essa vontade deve ser respeitada. A família não tem poder de obstar a disposição já formalizada. Prevalência da autonomia da vontade do declarante.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Exige registro em cartório de notas. O art. 14 não impõe forma solene; a declaração pode ser feita por escrito particular, testamento ou qualquer meio idôneo. O registro cartorial não é requisito de validade.

Alternativa E — ✅ Correta

Reconhece a validade da doação gratuita para pessoa jurídica específica e pré-determinada. O art. 14 permite a disposição para "[...] depois da morte", sem restringir o destinatário. A gratuidade é exigida, e a destinação a um museu de anatomia (pessoa jurídica) atende aos fins científicos ou altruísticos. A alternativa está em perfeita consonância com o dispositivo legal.

Gabarito: letra E.

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