Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2024
- Código
- vu084873
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Prefeitura de Piracicaba - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Plantonista Ortopedista
- AII.
- BIII.
- CVI.
- DIV.
- EV.
GabaritoC — VI.
Gabarito: letra C. Na classificação de Boyd para a pseudoartrose congênita da tíbia, o tipo VI é extremamente raro e caracteriza-se pela presença de um neurofibroma intraósseo. Essa é uma classificação específica da ortopedia pediátrica, que divide a afecção em seis tipos, sendo o tipo VI o único associado a essa lesão tumoral.
A pseudoartrose congênita da tíbia é uma condição rara e desafiadora, caracterizada pela não consolidação de uma fratura ou pela presença de uma deformidade que impede a formação de calo ósseo adequado, geralmente associada à neurofibromatose tipo 1. A classificação de Boyd, descrita em 1941, é uma das mais utilizadas para orientar o prognóstico e o tratamento, agrupando os casos conforme a morfologia da lesão, a presença de cistos, a esclerose óssea e a associação com outras anomalias.
Os seis tipos de Boyd são:
Tipo I: pseudoartrose com deformidade angular anterior e ausência de cistos ou esclerose significativa. É o tipo mais comum e com melhor prognóstico.
Tipo II: pseudoartrose com cistos ósseos pré-existentes, que podem se expandir e levar à fratura. O tratamento é mais difícil que no tipo I.
Tipo III: pseudoartrose associada a cistos e esclerose óssea, frequentemente com deformidade angular. O prognóstico é reservado.
Tipo IV: pseudoartrose com esclerose óssea extensa, sem cistos, e com medular obliterada. O tratamento é complexo e a consolidação é difícil.
Tipo V: pseudoartrose com fíbula associada, ou seja, há comprometimento tanto da tíbia quanto da fíbula, com deformidade e não consolidação em ambos os ossos.
Tipo VI: pseudoartrose com neurofibroma intraósseo, uma lesão tumoral benigna derivada das células da bainha neural, que impede a consolidação óssea. É o tipo mais raro e de tratamento mais desafiador.
A banca explora a memorização da classificação, cobrando especificamente a associação do tipo VI com o neurofibroma intraósseo. É uma questão de letra de lei, mas de uma classificação médica, não de um dispositivo legal. O candidato que não domina a classificação de Boyd pode confundir os tipos, especialmente os que envolvem cistos (II e III) ou esclerose (IV), mas a presença do neurofibroma é um marcador exclusivo do tipo VI.
Na prática clínica, o reconhecimento do tipo VI é importante porque o tratamento cirúrgico é ainda mais complexo, muitas vezes exigindo ressecção ampla da lesão e reconstrução com enxerto ósseo ou transporte ósseo. O prognóstico é reservado, com alta taxa de recidiva e necessidade de múltiplos procedimentos.
Guarde a associação: neurofibroma intraósseo = tipo VI de Boyd. É essa a chave que separa a alternativa correta das demais.
O tipo II de Boyd é caracterizado pela presença de cistos ósseos pré-existentes, que podem levar à fratura e à pseudoartrose. Não há associação com neurofibroma intraósseo. A banca oferece esse tipo como distrator, pois os cistos são uma característica marcante e podem ser confundidos com outras lesões.
O tipo III de Boyd também apresenta cistos ósseos, mas associados a esclerose óssea e deformidade angular. Não há neurofibroma intraósseo. A presença de cistos e esclerose pode confundir o candidato, mas a associação com neurofibroma é exclusiva do tipo VI.
O tipo VI de Boyd é o único que apresenta neurofibroma intraósseo, sendo extremamente raro e de difícil tratamento. A presença dessa lesão tumoral impede a consolidação óssea e exige abordagem cirúrgica complexa. É a associação clássica cobrada em provas de ortopedia.
O tipo IV de Boyd é caracterizado por esclerose óssea extensa, sem cistos, e com obliteração do canal medular. Não há neurofibroma intraósseo. A esclerose é um achado importante, mas não é o marcador do tipo VI.
O tipo V de Boyd é caracterizado pela associação de pseudoartrose da tíbia com comprometimento da fíbula, ou seja, ambos os ossos da perna são afetados. Não há neurofibroma intraósseo. A presença de comprometimento da fíbula é o diferencial desse tipo, não a lesão tumoral.
A banca explora a confusão entre os tipos de Boyd que apresentam cistos (II e III) e esclerose (IV), mas o neurofibroma intraósseo é exclusivo do tipo VI. O candidato que memoriza apenas as características mais comuns (cistos, esclerose) pode marcar um tipo errado. Lembre-se: neurofibroma = tipo VI.
Para fixar a classificação de Boyd, monte uma tabela mental associando cada tipo à sua característica principal: I (deformidade anterior), II (cistos), III (cistos + esclerose), IV (esclerose), V (fíbula associada) e VI (neurofibroma). Resolver questões que cobram essa classificação ajuda a consolidar a associação.
Gabarito: letra C — tipo VI de Boyd, associado a neurofibroma intraósseo.
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