Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu084882
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Piracicaba - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Ortopedista
Em um idoso, deambulador domiciliar, que apresenta uma fratura do tipo 3 do processo odontoide de Anderson e D’Alonzo, qual é o tratamento adequado a ser instituído?
AUso de halo cervical com tração por 08 semanas.
BArtrodese C1-C4.
CRedução cruenta e fixação interna.
DArtrodese C1-C2.
EColar cervical rígido.
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GabaritoE — Colar cervical rígido.
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Fratura do odontoide: classificação de Anderson e D'Alonzo e tratamento
Gabarito: letra E. Em idoso deambulador domiciliar com fratura tipo III do odontoide (extensão para o corpo de C2), o tratamento adequado é o colar cervical rígido, pois a fratura tipo III é estável e consolida bem com imobilização conservadora — diferentemente da tipo II, que tem alto risco de pseudartrose e frequentemente exige cirurgia. A conduta se baseia na classificação de Anderson e D'Alonzo, que divide as fraturas do odontoide em três tipos conforme a localização do traço.
A fratura do odontoide (processo odontoide do áxis, C2) representa 5 a 15% das fraturas cervicais, com lesão neurológica em cerca de 25% dos casos. A classificação de Anderson e D'Alonzo é a mais utilizada e divide as fraturas em três tipos, conforme a localização anatômica do traço de fratura:
Tipo I — avulsão do ápice do odontoide (avulsão do ligamento alar);
Tipo II — fratura da base do odontoide (subtipo IIa: cominuição associada);
Tipo III — fratura com extensão para o corpo de C2.
O tratamento varia conforme o tipo e as características do paciente. As fraturas tipo I e III são consideradas estáveis e tratadas de forma conservadora com colar cervical rígido (tipo Filadélfia) por 2 a 3 meses. Já as fraturas tipo II, por serem na base do odontoide (zona de menor vascularização), apresentam alto risco de pseudartrose — especialmente em idosos — e, quando há desvio maior que 5 mm, angulação maior que 10° ou cominuição associada, o tratamento cirúrgico (artrodese C1-C2 ou fixação isolada do dente) é preferível.
No caso do enunciado, o paciente é idoso, deambulador domiciliar e apresenta fratura tipo III. A fratura tipo III, por se estender ao corpo vertebral de C2 (osso esponjoso, bem vascularizado), tem excelente potencial de consolidação, sendo estável. Portanto, o tratamento de escolha é o colar cervical rígido, que proporciona imobilização suficiente para a consolidação, sem necessidade de procedimento cirúrgico. A alternativa E está correta.
A pegadinha da questão está em associar a fratura do odontoide em idoso automaticamente à cirurgia (artrodese C1-C2), o que é verdade para a tipo II com critérios de instabilidade, mas não para a tipo III, que é estável e tem bom prognóstico com tratamento conservador. O candidato que decora apenas "fratura do odontoide em idoso = cirurgia" erra a questão.
Fratura do odontoide (Anderson e D'Alonzo): Tipo I (Avulsão do ápice, Estável, Colar cervical rígido); Tipo II (Base do odontoide, Alto risco de pseudartrose, Cirurgia (artrodese C1-C2)); Tipo III (Extensão ao corpo de C2, Estável (osso esponjoso), Colar cervical rígido)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso de halo cervical com tração por 8 semanas é indicado para fraturas do atlas (C1) sem ruptura do ligamento transverso, com imobilização por 8 a 12 semanas. Para a fratura tipo III do odontoide, o tratamento conservador é feito com colar cervical rígido, não com halo. O halo é reservado para fraturas tipo II sem critérios de instabilidade ou para outras lesões instáveis da coluna cervical alta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A artrodese C1-C4 é um procedimento que não corresponde ao tratamento padrão para fratura do odontoide tipo III. A artrodese para fratura do odontoide, quando indicada, é a C1-C2 (artrodese atlantoaxial), e não C1-C4. A alternativa erra ao estender a artrodese a um nível vertebral desnecessário, o que reduziria a mobilidade cervical de forma excessiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A redução cruenta e fixação interna é o tratamento cirúrgico indicado para fraturas instáveis, como a tipo II com desvio significativo, cominuição ou em pacientes com risco de pseudartrose. Para a fratura tipo III, estável, não há indicação de tratamento cirúrgico — o conservador com colar cervical é suficiente e apresenta bons resultados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A artrodese C1-C2 é o tratamento cirúrgico indicado para fraturas tipo II instáveis (desvio > 5 mm, angulação > 10°, cominuição) e para fraturas do atlas com ruptura do ligamento transverso. Na fratura tipo III, estável, não há indicação de artrodese — o tratamento conservador com colar cervical rígido é o adequado, especialmente em idoso deambulador, em quem a cirurgia traz riscos anestésicos e cirúrgicos desnecessários.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O colar cervical rígido é o tratamento de escolha para a fratura tipo III do odontoide, pois se trata de fratura estável, com extensão para o corpo de C2 (osso esponjoso bem vascularizado), que consolida bem com imobilização conservadora por 2 a 3 meses. Em idoso deambulador domiciliar, o colar cervical rígido permite a deambulação e evita os riscos de um procedimento cirúrgico desnecessário.