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Questão de Medicina — Hepatologia — VUNESP 2024

MedicinaHepatologia
Código
vu084897
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Piracicaba - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico de PSF - 20 Horas
Em relação à peritonite bacteriana espontânea (PBE), é correto afirmar:
  1. Aé quase sempre sintomática.
  2. Bgeralmente tem uma causa cirúrgica.
  3. Co resultado da cultura do líquido ascítico deve ser aguardado para confirmar ou descartar PBE.
  4. Dpacientes internados no hospital com cirrose descompensada e ascite devem ser submetidos à paracentese diagnóstica.
  5. Euma contagem de polimorfonucleares no fluido ascítico acima de 50/mm³é considerada diagnóstica de PBE.
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GabaritoD — pacientes internados no hospital com cirrose descompensada e ascite devem ser submetidos à paracentese diagnóstica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE): diagnóstico e conduta

Gabarito: letra D. A paracentese diagnóstica é indicada em todo paciente com cirrose e ascite admitido no hospital, mesmo sem sintomas, pois a PBE pode ser clinicamente silenciosa ou se manifestar de forma atípica (piora da encefalopatia, diarreia, íleo paralítico, insuficiência renal). O diagnóstico é firmado pela contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250/mm³ no líquido ascítico, independentemente do resultado da cultura — e o tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar a cultura.

A peritonite bacteriana espontânea é a infecção bacteriana mais comum em pacientes com cirrose e ascite. Trata-se da infecção do líquido ascítico sem evidência de fonte secundária intra-abdominal (como perfuração de víscera ou abscesso). O mecanismo fisiopatológico central é a translocação bacteriana: bactérias entéricas (principalmente Gram-negativos, como E. coli) atravessam a mucosa intestinal, colonizam os linfonodos mesentéricos e alcançam a corrente sanguínea e, daí, o líquido peritoneal. A ascite do cirrótico tem baixos níveis de proteínas e opsoninas, o que favorece a proliferação bacteriana.

A apresentação clínica é extremamente variável. Embora febre, dor abdominal e sinais de irritação peritoneal possam ocorrer, a infecção inicial é frequentemente silenciosa ou se manifesta apenas com agravamento da encefalopatia hepática, diarreia, íleo paralítico ou insuficiência renal. Por isso, a paracentese diagnóstica deve ser realizada em todo paciente cirrótico com ascite admitido no hospital, independentemente da presença de sintomas — é exatamente isso que a alternativa D afirma.

O diagnóstico é estabelecido pela celularidade do líquido ascítico: contagem de PMN ≥ 250/mm³ é diagnóstica de PBE, mesmo com cultura negativa (PBE com cultura negativa). A cultura do líquido ascítico é um exame de segunda linha, útil para identificar o agente e guiar a terapia, mas não deve ser aguardada para iniciar o tratamento empírico — a demora aumenta a mortalidade. O tratamento é feito com cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona ou cefotaxima) por 5 a 7 dias, associado à infusão de albumina no dia 1 (1,5 g/kg) e dia 3 (1 g/kg) para reduzir o risco de disfunção renal e melhorar a sobrevida.

A distinção crucial que a banca explora nesta questão é entre PBE e peritonite bacteriana secundária (PBS). Na PBS há uma fonte intra-abdominal (perfuração de víscera, abscesso), a celularidade é muito elevada com proteínas altas, e a cultura é polimicrobiana — o tratamento é cirúrgico, não apenas antibiótico. Na PBE, a cultura é monomicrobiana (um único germe) e não há indicação cirúrgica. Outra distinção importante é com a bacterascite: presença de bactéria na cultura, mas com PMN < 250/mm³ — pode ser colonização transitória com resolução espontânea, mas se houver sintomas ou sinais de infecção sistêmica, o tratamento é indicado.

Guarde o critério decisivo: PMN ≥ 250/mm³ = PBE, independentemente da cultura. É exatamente nesse limiar que as alternativas se dividem — a letra E troca o valor por 50/mm³, e a letra C inverte a lógica ao exigir a cultura para confirmar o diagnóstico.

1Diagnóstico
PMN ≥ 250/mm³
Cultura é complementar
2Apresentação
Frequentemente assintomática
Piora de encefalopatia/renal
3Tratamento
Cefalosporina 3ª geração
Albumina (dia 1 e 3)
4Sem fonte cirúrgica
Translocação bacteriana
Cultura monomicrobiana
PBE (peritonite bacteriana espontânea)
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PBE (peritonite bacteriana espontânea): Diagnóstico (PMN ≥ 250/mm³, Cultura é complementar); Apresentação (Frequentemente assintomática, Piora de encefalopatia/renal); Tratamento (Cefalosporina 3ª geração, Albumina (dia 1 e 3)); Sem fonte cirúrgica (Translocação bacteriana, Cultura monomicrobiana)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a PBE é "quase sempre sintomática". É o oposto: a infecção é frequentemente assintomática ou paucissintomática, podendo se manifestar apenas com piora da encefalopatia, diarreia, íleo paralítico ou insuficiência renal. A ausência de sintomas clássicos (febre, dor abdominal) não exclui PBE — por isso a paracentese diagnóstica é indicada em todo cirrótico com ascite internado, mesmo sem queixas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a PBE "geralmente tem uma causa cirúrgica". Isso descreve a peritonite bacteriana secundária (PBS), que decorre de perfuração de vísceras ou abscesso intra-abdominal e exige tratamento cirúrgico. A PBE, por definição, não tem fonte secundária intra-abdominal — é uma infecção espontânea do líquido ascítico por translocação bacteriana. A banca troca o conceito de PBE pelo de PBS.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o resultado da cultura do líquido ascítico "deve ser aguardado para confirmar ou descartar PBE". O diagnóstico de PBE é clínico-laboratorial imediato, baseado na contagem de PMN ≥ 250/mm³. A cultura é exame de segunda linha, útil para identificar o agente e ajustar o antibiótico, mas não se deve aguardar seu resultado para iniciar o tratamento empírico — a demora aumenta a mortalidade. Além disso, a cultura pode ser negativa em até 40-60% dos casos (PBE com cultura negativa), o que não exclui o diagnóstico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que "pacientes internados no hospital com cirrose descompensada e ascite devem ser submetidos à paracentese diagnóstica". É exatamente a recomendação: a paracentese diagnóstica está indicada em todo paciente com cirrose e ascite na admissão hospitalar não planejada, pois a PBE pode ser silenciosa ou se manifestar de forma atípica (sepse, piora da função hepática/renal, encefalopatia, hemorragia digestiva). A exclusão de PBE por paracentese é obrigatória nesse cenário, independentemente da presença de sintomas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que "uma contagem de polimorfonucleares no fluido ascítico acima de 50/mm³ é considerada diagnóstica de PBE". O limiar diagnóstico é ≥ 250 PMN/mm³, não 50/mm³. O valor de 50/mm³ não corresponde a nenhum critério diagnóstico estabelecido — é um distrator numérico puro. Valores abaixo de 250/mm³ com cultura positiva caracterizam bacterascite, que pode ser colonização transitória sem infecção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora três armadilhas clássicas neste tema: (1) inverte o limiar diagnóstico de PMN (250/mm³ → 50/mm³ na letra E); (2) troca PBE por PBS, atribuindo causa cirúrgica à PBE (letra B); (3) inverte a lógica diagnóstica, fazendo o aluno acreditar que precisa aguardar a cultura para confirmar PBE (letra C). O ponto central é: PMN ≥ 250/mm³ fecha o diagnóstico e indica tratamento imediato — a cultura é complementar, nunca pré-requisito. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte o quadro mental das alterações do líquido ascítico:

Nomenclatura

PMN/mm³

Cultura

PBE

≥ 250

+ (monomicrobiana)

PBE com cultura negativa

≥ 250

Bacterascite

< 250

+

PBS

↑↑↑ (e proteínas altas)

Polimicrobiana

Na prova, a palavra-chave é 250: qualquer alternativa que traga outro número para o diagnóstico de PBE está errada.

Gabarito: letra D — a única que reflete a conduta correta de realizar paracentese diagnóstica em todo cirrótico com ascite internado, independentemente de sintomas.

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