No atendimento ambulatorial ou domiciliar de pessoas idosas na atenção primária, frequentemente encontram- -se distúrbios de marcha.Nesse cenário, a condição subjacente mais comumente identificada é:
Aataxia sensorial.
Bdoença de Parkinson.
Chidrocefalia de pressão normal.
Dmielopatia.
Eosteoartrite.
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GabaritoE — osteoartrite.
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Distúrbios de marcha no idoso: a causa mais comum na atenção primária
Gabarito: letra E. No idoso avaliado em ambulatório ou domicílio na atenção primária, a condição subjacente mais comumente identificada nos distúrbios de marcha é a osteoartrite — a causa mais prevalente, muito à frente das causas neurológicas. A banca explora exatamente a confusão entre "causa mais comum" e "causa mais grave/específica": as alternativas neurológicas (ataxia, Parkinson, hidrocefalia, mielopatia) são causas importantes e clássicas, mas não são as mais frequentes nesse cenário.
O distúrbio de marcha no idoso é uma síndrome geriátrica multifatorial. A marcha normal depende da integridade de múltiplos sistemas — musculoesquelético, neurológico, vestibular, visual e proprioceptivo — e o envelhecimento impõe alterações fisiológicas em todos eles. Quando o idoso apresenta um distúrbio de marcha, o médico da atenção primária precisa investigar qual sistema está comprometido. Estudos epidemiológicos e diretrizes de geriatria apontam que, na prática ambulatorial, as causas musculoesqueléticas — sobretudo a osteoartrite de joelhos e quadris — são as mais prevalentes. A dor, a rigidez articular e a deformidade levam a um padrão de marcha antálgica, com redução da velocidade, encurtamento do passo e maior risco de quedas.
As causas neurológicas, embora frequentemente lembradas, são menos comuns na população geral de idosos com distúrbio de marcha. A doença de Parkinson, por exemplo, tem prevalência de 1 a 2% em maiores de 60 anos — significativa, mas muito inferior à da osteoartrite, que afeta a maioria dos idosos. A hidrocefalia de pressão normal é uma entidade clássica, mas rara. A mielopatia e a ataxia sensorial também são causas menos frequentes. A chave da questão está em distinguir prevalência (o que é mais comum) de especificidade (o que é mais característico).
Na prática, o raciocínio clínico na atenção primária segue uma hierarquia: primeiro se afastam as causas mais comuns e tratáveis (musculoesqueléticas, como osteoartrite), depois as neurológicas. O exame físico é fundamental: a inspeção da marcha, a avaliação articular, o teste de força, a propriocepção e o equilíbrio. A osteoartrite é diagnosticada clinicamente, com dor à movimentação, crepitação, redução da amplitude articular e dor à palpação da interlinha articular. É uma condição extremamente prevalente, crônica e progressiva, que impacta diretamente a mobilidade e a qualidade de vida do idoso.
A pegadinha desta questão é a tentação de escolher uma causa neurológica "clássica" de distúrbio de marcha, como a doença de Parkinson ou a hidrocefalia de pressão normal. O candidato que memoriza as tríades e os padrões de marcha típicos pode ser levado a essas alternativas. No entanto, a pergunta é objetiva: qual a condição mais comumente identificada? A resposta é a osteoartrite, por sua altíssima prevalência na população idosa. Guarde este critério: em questões de atenção primária, a resposta para "mais comum" quase sempre é uma condição de alta prevalência, não a mais específica ou grave.
Distúrbio de marcha no idoso
1Causas musculoesqueléticas
Osteoartrite (mais comum)
Dor, rigidez, deformidade
Marcha antálgica
2Causas neurológicas (menos comuns)
Doença de Parkinson
Marcha festinante
Hidrocefalia de pressão normal
Tríade de Hakim-Adams
Mielopatia
Espasticidade, hiperreflexia
Ataxia sensorial
Romberg positivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ataxia sensorial é um distúrbio de marcha de causa neurológica, caracterizado por base alargada, piora com os olhos fechados (sinal de Romberg positivo) e perda da propriocepção. É uma causa importante, mas não é a mais comum em idosos na atenção primária. A banca a inclui como distrator neurológico clássico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença de Parkinson é uma causa neurológica relevante de distúrbio de marcha, com padrão característico (marcha festinante, passos curtos, redução do balanço dos braços). Porém, sua prevalência (1-2% em maiores de 60 anos) é muito inferior à da osteoartrite. É um distrator forte, pois é uma causa "clássica" e bem conhecida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hidrocefalia de pressão normal (HPN) é uma causa clássica de distúrbio de marcha, com a tríade de Hakim-Adams (apraxia da marcha, incontinência urinária e demência). No entanto, é uma condição rara em comparação com a osteoartrite. A banca a inclui por ser uma causa "memorável" e específica, mas não é a mais prevalente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A mielopatia (compressão da medula espinhal, geralmente por estenose cervical) causa um distúrbio de marcha com espasticidade, hiperreflexia e sinal de Lhermitte. É uma causa importante, mas menos comum que a osteoartrite. A banca a usa como distrator neurológico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A osteoartrite é a condição mais comumente identificada como causa subjacente de distúrbios de marcha em idosos na atenção primária. É uma doença degenerativa das articulações, altamente prevalente, que causa dor, rigidez e deformidade, levando a um padrão de marcha antálgica. O diagnóstico é clínico, e o tratamento envolve analgesia, fisioterapia, exercícios e, em casos selecionados, cirurgia. A banca cobra o conhecimento epidemiológico: a causa mais comum é musculoesquelética, não neurológica.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de atenção primária, quando a pergunta for "qual a causa mais comum", priorize as condições de alta prevalência na população — como a osteoartrite — em vez das causas mais específicas ou "clássicas" de cada especialidade. As causas neurológicas são importantes, mas menos frequentes. Essa distinção entre prevalência e especificidade é um padrão recorrente em provas de geriatria e medicina de família.