Homem de 18 anos apresenta quadro de 10 dias de formigamento e parestesias progressivas nas mãos e nos pés. Há 2 dias, ele evolui com fraqueza nas pernas. No momento, refere dor nas costas. O histórico é notável para doença diarreica 2 semanas antes. Ao exame físico, nota-se fraqueza moderada nas pernas e leve nos braços, mas a função respiratória é normal; há perda sensorial leve nos pés com arreflexia; o estado mental é normal.A análise do fluido cefalorraquidiano nesse caso, mais provavelmente, evidencia
Abandas oligoclonais.
Bcontagem elevada de leucócitos polimorfonucleares.
Cgermes gram positivos.
Dnível elevado de proteína.
Eque não há nenhuma anormalidade.
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GabaritoD — nível elevado de proteína.
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Síndrome de Guillain-Barré e análise do líquido cefalorraquidiano
Gabarito: letra D. O quadro clássico de parestesias ascendentes, fraqueza progressiva, arreflexia e antecedente de diarreia 2 semanas antes é altamente sugestivo de Síndrome de Guillain-Barré (SGB), e o achado típico no LCR é a dissociação albumino-citológica: nível elevado de proteína com contagem celular normal. Essa é a alteração mais provável de ser encontrada na punção lombar desse paciente.
A SGB é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, de natureza autoimune, que costuma ser precedida por infecção (respiratória ou gastrointestinal, como a diarreia relatada). A fisiopatologia envolve uma resposta imune cruzada contra antígenos do nervo periférico, levando a desmielinização e disfunção axonal. Clinicamente, manifesta-se com fraqueza ascendente, arreflexia e alterações sensitivas distais, podendo evoluir para insuficiência respiratória — o que exige monitorização da função respiratória, que neste paciente está preservada.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a análise do LCR é um exame complementar importante. O achado clássico é a dissociação albumino-citológica: elevação da proteína (geralmente acima de 45 mg/dL) sem pleocitose significativa (contagem de leucócitos normal, < 10 células/mm³). Essa alteração reflete a inflamação das raízes nervosas e a quebra da barreira hematoencefálica na região, sem que haja invasão celular direta do espaço subaracnóideo. A elevação da proteína pode não estar presente nos primeiros dias de sintomas, tornando-se mais evidente após a primeira semana — o que se encaixa no caso, já que o paciente tem 10 dias de evolução.
É importante distinguir a SGB de outras causas de neuropatia periférica aguda, como a polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC), que tem curso mais arrastado, e de causas infecciosas, como a neuropatia pelo HIV ou pela doença de Lyme. A presença de arreflexia e o padrão ascendente da fraqueza são pistas fortes para SGB. A eletroneuromiografia pode auxiliar, mostrando velocidades de condução reduzidas e bloqueios de condução, mas o LCR é o exame que confirma a suspeita com a dissociação albumino-citológica.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que correspondem a outras doenças: bandas oligoclonais são típicas de esclerose múltipla; pleocitose com polimorfonucleares sugere meningite bacteriana; germes gram-positivos indicam infecção bacteriana; e um LCR totalmente normal não é o esperado na SGB, embora possa ocorrer em fases muito iniciais. O critério decisivo é reconhecer o padrão clínico de SGB e associá-lo à alteração clássica do LCR.
1Inflamação das raízes nervosas
2Aumento da permeabilidade da BHE
3Proteína elevada no LCR
4Contagem celular normal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
As bandas oligoclonais são um achado característico da esclerose múltipla, uma doença desmielinizante do sistema nervoso central, não da SGB, que acomete o sistema nervoso periférico. Na SGB, o LCR não apresenta bandas oligoclonais; o achado típico é a dissociação albumino-citológica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A contagem elevada de leucócitos polimorfonucleares no LCR é indicativa de meningite bacteriana aguda, uma infecção do sistema nervoso central. Na SGB, a contagem de células no LCR é normal (ou discretamente elevada, com predomínio de linfócitos), caracterizando a dissociação albumino-citológica. A presença de pleocitose significativa afastaria o diagnóstico de SGB.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de germes gram-positivos no LCR indica meningite bacteriana, como a causada por Streptococcus pneumoniae ou Neisseria meningitidis. O quadro clínico do paciente — parestesias ascendentes, fraqueza e arreflexia — não é compatível com meningite, e a SGB é uma doença autoimune, não infecciosa. A cultura do LCR seria negativa na SGB.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O achado mais provável no LCR é o nível elevado de proteína, caracterizando a dissociação albumino-citológica. Na SGB, a inflamação das raízes nervosas aumenta a permeabilidade da barreira hematoencefálica, elevando a concentração de proteínas no LCR, enquanto a contagem de células permanece normal. Esse padrão é um dos pilares do diagnóstico, especialmente após a primeira semana de sintomas, como no caso apresentado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirmar que não há nenhuma anormalidade no LCR é incorreto, pois a SGB classicamente apresenta elevação da proteína. Embora o LCR possa ser normal nos primeiros dias de evolução, após 10 dias de sintomas é esperado encontrar a dissociação albumino-citológica. A ausência de anormalidade seria um achado atípico e não o mais provável.
Gabarito: letra D — nível elevado de proteína no LCR, compatível com a dissociação albumino-citológica da Síndrome de Guillain-Barré.