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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2024

MedicinaNeurologia
Código
vu084911
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Piracicaba - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico de PSF - 20 Horas
Homem de 18 anos apresenta quadro de 10 dias de formigamento e parestesias progressivas nas mãos e nos pés. Há 2 dias, ele evolui com fraqueza nas pernas. No momento, refere dor nas costas. O histórico é notável para doença diarreica 2 semanas antes. Ao exame físico, nota-se fraqueza moderada nas pernas e leve nos braços, mas a função respiratória é normal; há perda sensorial leve nos pés com arreflexia; o estado mental é normal.A análise do fluido cefalorraquidiano nesse caso, mais provavelmente, evidencia
  1. Abandas oligoclonais.
  2. Bcontagem elevada de leucócitos polimorfonucleares.
  3. Cgermes gram positivos.
  4. Dnível elevado de proteína.
  5. Eque não há nenhuma anormalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — nível elevado de proteína.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Guillain-Barré e análise do líquido cefalorraquidiano

Gabarito: letra D. O quadro clássico de parestesias ascendentes, fraqueza progressiva, arreflexia e antecedente de diarreia 2 semanas antes é altamente sugestivo de Síndrome de Guillain-Barré (SGB), e o achado típico no LCR é a dissociação albumino-citológica: nível elevado de proteína com contagem celular normal. Essa é a alteração mais provável de ser encontrada na punção lombar desse paciente.

A SGB é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, de natureza autoimune, que costuma ser precedida por infecção (respiratória ou gastrointestinal, como a diarreia relatada). A fisiopatologia envolve uma resposta imune cruzada contra antígenos do nervo periférico, levando a desmielinização e disfunção axonal. Clinicamente, manifesta-se com fraqueza ascendente, arreflexia e alterações sensitivas distais, podendo evoluir para insuficiência respiratória — o que exige monitorização da função respiratória, que neste paciente está preservada.

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a análise do LCR é um exame complementar importante. O achado clássico é a dissociação albumino-citológica: elevação da proteína (geralmente acima de 45 mg/dL) sem pleocitose significativa (contagem de leucócitos normal, < 10 células/mm³). Essa alteração reflete a inflamação das raízes nervosas e a quebra da barreira hematoencefálica na região, sem que haja invasão celular direta do espaço subaracnóideo. A elevação da proteína pode não estar presente nos primeiros dias de sintomas, tornando-se mais evidente após a primeira semana — o que se encaixa no caso, já que o paciente tem 10 dias de evolução.

É importante distinguir a SGB de outras causas de neuropatia periférica aguda, como a polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC), que tem curso mais arrastado, e de causas infecciosas, como a neuropatia pelo HIV ou pela doença de Lyme. A presença de arreflexia e o padrão ascendente da fraqueza são pistas fortes para SGB. A eletroneuromiografia pode auxiliar, mostrando velocidades de condução reduzidas e bloqueios de condução, mas o LCR é o exame que confirma a suspeita com a dissociação albumino-citológica.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que correspondem a outras doenças: bandas oligoclonais são típicas de esclerose múltipla; pleocitose com polimorfonucleares sugere meningite bacteriana; germes gram-positivos indicam infecção bacteriana; e um LCR totalmente normal não é o esperado na SGB, embora possa ocorrer em fases muito iniciais. O critério decisivo é reconhecer o padrão clínico de SGB e associá-lo à alteração clássica do LCR.

  1. 1Inflamação das raízes nervosas
  2. 2Aumento da permeabilidade da BHE
  3. 3Proteína elevada no LCR
  4. 4Contagem celular normal
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

As bandas oligoclonais são um achado característico da esclerose múltipla, uma doença desmielinizante do sistema nervoso central, não da SGB, que acomete o sistema nervoso periférico. Na SGB, o LCR não apresenta bandas oligoclonais; o achado típico é a dissociação albumino-citológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A contagem elevada de leucócitos polimorfonucleares no LCR é indicativa de meningite bacteriana aguda, uma infecção do sistema nervoso central. Na SGB, a contagem de células no LCR é normal (ou discretamente elevada, com predomínio de linfócitos), caracterizando a dissociação albumino-citológica. A presença de pleocitose significativa afastaria o diagnóstico de SGB.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A presença de germes gram-positivos no LCR indica meningite bacteriana, como a causada por Streptococcus pneumoniae ou Neisseria meningitidis. O quadro clínico do paciente — parestesias ascendentes, fraqueza e arreflexia — não é compatível com meningite, e a SGB é uma doença autoimune, não infecciosa. A cultura do LCR seria negativa na SGB.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O achado mais provável no LCR é o nível elevado de proteína, caracterizando a dissociação albumino-citológica. Na SGB, a inflamação das raízes nervosas aumenta a permeabilidade da barreira hematoencefálica, elevando a concentração de proteínas no LCR, enquanto a contagem de células permanece normal. Esse padrão é um dos pilares do diagnóstico, especialmente após a primeira semana de sintomas, como no caso apresentado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirmar que não há nenhuma anormalidade no LCR é incorreto, pois a SGB classicamente apresenta elevação da proteína. Embora o LCR possa ser normal nos primeiros dias de evolução, após 10 dias de sintomas é esperado encontrar a dissociação albumino-citológica. A ausência de anormalidade seria um achado atípico e não o mais provável.

Gabarito: letra D — nível elevado de proteína no LCR, compatível com a dissociação albumino-citológica da Síndrome de Guillain-Barré.

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