Análise da questão – Interpretação de "Marcha Noturna", de Rubem Braga
Gabarito: letra C.
A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a C. O narrador, após ser mal recebido na aldeia, ouve o zumbido de um avião e considera que "o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática". Ora, se acha "simpático" bombardear a aldeia, é porque deseja que tal ataque aconteça. A afirmação da alternativa C é, portanto, uma paráfrase direta dessa passagem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a gratidão do narrador é expressa com efusão. O texto mostra que ele "bebo em silêncio à saúde de um homem" – um gesto contido, não efusivo. Além disso, chamar o homem da bicicleta de "salvação" é extrapolar; o narrador apenas conseguiu pouso, mas não há ênfase dramática de salvação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O narrador diz "Já não quero mais dormir" após receber o vinho, mas não há menção a café. A suposta "relutância em dormir" não é confirmada como orgulho inútil – ele simplesmente prefere observar o funcionário. Nada no texto apoia "preferência por café" nem a ideia de que o sono o dominava.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, o narrador considera o bombardeio "simpático", o que implica desejo de que ele ocorra. A passagem:
"me pus a considerar que o aviador assassino que no fundo das madrugadas arrasa com uma bomba uma aldeia adormecida – faz, às vezes, uma coisa simpática."
A hostilidade da aldeia ("Não há nesta aldeia de cristão um homem honesto que me dê pouso por uma noite?") contextualiza esse desejo. A alternativa C reflete exatamente essa ideia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O narrador nunca "apeia de cavalo" na hospedaria. A cena inicial descreve uma descida a pé ("rolei vertical até desembocar no largo vazio"), e a metáfora "cavalo de pedras" é uma sensação, não um cavalo real. Além disso, ele só começa a procurar pouso depois de chegar à aldeia – não há cansaço prévio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O narrador se compara a um "paraquedista civil", não a um militar. E a cidade o viu ("o homem da hospedaria me olhou"), portanto não é "uma cidade que não o viu". A alternativa confunde os termos e contradiz o texto.
Dessa forma, a única alternativa correta é a C, pois encontra respaldo literal no texto.