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Questão de Direito Constitucional — Organização Político-Administrativa do Estado — VUNESP 2024

Direito ConstitucionalOrganização Político-Administrativa do Estado
Código
vu085758
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Vista Alegre do Alto - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Advogado Municipal
Suponha que, no âmbito do Estado X, foi aprovada a fictícia Lei Complementar nº 1.234/24 concedendo o direito ao porte de arma de fogo a membros da Defensoria Pública local, diploma legislativo que foi motivado após a morte de um Defensor Público por parte de três assistidos em conluio.Com base na situação hipotética e no disposto na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar:
  1. Acomo o porte de arma foi estabelecido por meio de lei complementar, considera-se que está de acordo com os ditames constitucionais.
  2. Bem decorrência do episódio que motivou a edição da lei, ela deve ser considerada formal e materialmente constitucional.
  3. Ca concessão do porte de arma apenas seria constitucional se tivesse ocorrido por meio de emenda à Constituição Estadual.
  4. Da Lei Complementar nº 1.234/24 apenas será considerada constitucional se tiver previsto que apenas os Defensores Públicos ameaçados terão direito ao porte de arma.
  5. Ea Lei Complementar nº 1.234/24 é inconstitucional por violar as competências materiais exclusivas da União para autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico.
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GabaritoE — a Lei Complementar nº 1.234/24 é inconstitucional por violar as competências materiais exclusivas da União para autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico.

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Competência da União para material bélico (art. 21, VI, CF)

Gabarito: letra E. A Lei Complementar estadual que concede porte de arma a membros da Defensoria Pública é inconstitucional por invadir a competência material exclusiva da União para autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico (art. 21, VI, CF). O STF já consolidou o entendimento de que essa competência abrange a regulamentação do porte de arma, sendo vedado aos estados-membros legislar sobre a matéria, ainda que por lei complementar e com motivação relevante.

Art. 21CF/88

Art. 21 — Compete à União: (...) VI — autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico.

A jurisprudência do STF é pacífica: leis estaduais que criam hipóteses de porte de arma para categorias locais (como agentes penitenciários, policiais penais, etc.) são inconstitucionais por usurparem a competência privativa da União (ADIs 7.450, 7.004, 2.729). O mesmo se aplica à Defensoria Pública estadual.

Alternativa

Afirmação

Fundamento

Conclusão

A

Porte de arma por lei complementar estadual é constitucional

A forma legislativa não supera a incompetência material do ente federativo

❌ Incorreta

B

Lei é constitucional por ter sido motivada por episódio grave

A motivação não convalida a inconstitucionalidade; competência é da União

❌ Incorreta

C

Porte seria constitucional se previsto em emenda à Constituição Estadual

Repartição de competências é rígida; estado não pode assumir matéria federal

❌ Incorreta

D

Lei seria constitucional se restrita a defensores ameaçados

Continua sendo lei estadual sobre porte de arma, matéria exclusiva da União

❌ Incorreta

E

Lei é inconstitucional por violar competência material exclusiva da União (art. 21, VI, CF)

STF consolidou que regulamentação do porte de arma é da União

✅ Correta

Alternativa A — ❌ Incorreta

O fato de a lei ser complementar não a torna constitucional. A forma legislativa não supera a incompetência material do ente federativo. A matéria (porte de arma) é de competência exclusiva da União, independentemente de ser tratada por lei complementar ou ordinária.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A motivação (morte de um defensor) não convalida a inconstitucionalidade. A competência para dispor sobre porte de arma é da União; nem mesmo a existência de um fato grave autoriza o estado a legislar sobre o tema. A lei é formal e materialmente inconstitucional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ainda que a Constituição Estadual fosse emendada para prever o porte de arma a defensores, isso não transferiria a competência da União para o estado. A repartição de competências fixada na Constituição Federal é rígida; os estados não podem, por meio de suas próprias constituições, assumir matérias reservadas à União.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Restringir o porte apenas a defensores ameaçados não sana a inconstitucionalidade. Continua sendo uma lei estadual versando sobre porte de arma, matéria de competência exclusiva da União. A inconstitucionalidade é total, independentemente da abrangência.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A lei estadual que concede porte de arma a defensores públicos invade a competência material exclusiva da União prevista no art. 21, VI da CF (autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico). O STF reitera que essa competência abrange a regulamentação do porte, sendo inconstitucional qualquer lei estadual que o conceda a categorias locais. Portanto, a Lei Complementar nº 1.234/24 é inconstitucional.

Gabarito: letra E.

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