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Questão de Português — Vocativo e Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Diferença entre Adjunto Adnominal e Complemento Nominal, Adjunto Adverbial e Aposto — VUNESP 2024

PortuguêsVocativo e Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Diferença entre Adjunto Adnominal e Complemento Nominal, Adjunto Adverbial e Aposto
Código
vu086812
Banca
VUNESP
Órgão
SPTrans
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista de Comunicação Pleno
Leia o texto para responder à questão.

Sobre escrever bem: uma declaração contra o império da simplicidade

    Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.
      Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.
    Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?
    Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.
    Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.

(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra- -o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)
No trecho do 2º parágrafo – Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis. –, os dois-pontos foram empregados para introduzir uma
  1. Acontestação de afirmação feita anteriormente.
  2. Bretificação do que será afirmado mais adiante.
  3. Cexplicação de ideia apresentada anteriormente.
  4. Dressalva a ideia defendida anteriormente.
  5. Egeneralização do que será exposto mais adiante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — explicação de ideia apresentada anteriormente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função dos dois-pontos no trecho

Gabarito: letra C. Os dois-pontos foram empregados para introduzir uma explicação da ideia apresentada anteriormente. No trecho – “Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis” – a segunda parte esclarece o que significa a metáfora “dieta da língua”: trata-se de ingerir palavras magras e nutritivas. Essa é uma relação típica de explicação/especificação.

Análise das alternativas

Alternativa A – ❌ Incorreta

Contestação implicaria uma oposição ao que foi dito antes, mas a segunda parte não nega nem questiona a afirmação anterior; ao contrário, desenvolve seu significado.

Alternativa B – ❌ Incorreta

Retificação corrigiria algo que foi afirmado. O trecho não corrige nada; apenas detalha o sentido da expressão.

Alternativa C – ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os dois-pontos introduzem uma explicação: a expressão “dieta da língua” é imediatamente explicada pelo segmento “ingerir apenas palavras magras e nutritivas…”. Essa é a função típica dos dois-pontos quando separam uma afirmação geral de sua especificação.

Alternativa D – ❌ Incorreta

Ressalva introduziria uma exceção ou restrição. O texto não faz ressalva; apenas completa o sentido.

Alternativa E – ❌ Incorreta

Generalização ampliaria o alcance do que foi dito. A segunda parte, ao contrário, restringe o significado de “dieta” a uma ação específica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de o candidato confundir explicação com outras funções possíveis dos dois-pontos (contestação, retificação, ressalva, generalização). A chave é perceber que a segunda parte detalha o sentido da primeira, sem contradizê-la ou ampliá-la.

Conclusão: os dois-pontos foram usados para explicar a ideia anterior. Portanto, gabarito: letra C.

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