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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2024

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu086817
Banca
VUNESP
Órgão
SPTrans
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista de Comunicação Pleno
Leia o texto para responder à questão.

Sobre escrever bem: uma declaração contra o império da simplicidade

    Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.
      Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.
    Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?
    Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.
    Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.

(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra- -o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)
Para o autor, aplicar ao texto literário princípios que regem o pensamento econômico significa
  1. Adiminuir a publicação de obras literárias de baixa qualidade.
  2. Bafastar a literatura da linguagem própria dos leitores.
  3. Cpossibilitar uma reflexão aprofundada sobre literatura.
  4. Dreduzir os preços dos livros e o lucro das editoras.
  5. Edefender uma perspectiva pouco elaborada de literatura.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — defender uma perspectiva pouco elaborada de literatura.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aplicação de princípios econômicos à literatura

Gabarito: letra E. O autor critica a visão de que a literatura deve seguir as diretrizes de eficácia do pensamento econômico, e afirma que isso resulta em uma visão empobrecida. A resposta está explícita no texto.

O comando pede compreensão: “Para o autor, aplicar ao texto literário princípios que regem o pensamento econômico significa”. A tese central do texto é uma crítica ao “império da simplicidade”, que reduz a literatura a uma produção objetiva e vendável. O trecho decisivo:

“Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.”

Imediatamente depois, o autor qualifica essa visão como “um tanto empobrecida”. Logo, aplicar tais princípios significa defender uma perspectiva pouco elaborada de literatura.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A) diminuir a publicação de obras literárias de baixa qualidade.

Erro: extrapolação (fora do escopo). O texto não fala em diminuir publicações nem em critérios de qualidade. A crítica é ao conteúdo e estilo, não à quantidade de lançamentos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

B) afastar a literatura da linguagem própria dos leitores.

Erro: contradiz o texto. Os defensores da simplicidade querem exatamente o oposto: usar palavras cotidianas para que o leitor entenda de imediato. O autor critica essa aproximação excessiva, mas a aplicação dos princípios econômicos visa facilitar a leitura, não afastar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

C) possibilitar uma reflexão aprofundada sobre literatura.

Erro: extrapolação (fora do escopo). O autor associa a economia das letras a uma visão empobrecida, logo não aprofunda a reflexão; pelo contrário, empobrece.

Alternativa D — ❌ Incorreta

D) reduzir os preços dos livros e o lucro das editoras.

Erro: extrapolação (fora do escopo). “Eficácia” e “custos mínimos” são metáforas econômicas para a escrita enxuta, não se referem a preços de livros ou lucro real.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

E) defender uma perspectiva pouco elaborada de literatura.

Acerto: paráfrase fiel. O texto chama a visão de “um tanto empobrecida” (pouco elaborada). Aplicar princípios econômicos à literatura leva justamente a essa perspectiva simplista, como o autor denuncia ao longo do artigo.

Gabarito: letra E.

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