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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2024

PortuguêsSintaxe
Código
vu086851
Banca
VUNESP
Órgão
SPTrans
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista de Gestão Pleno
Leia o texto para responder a questão.


 Sobre escrever bem: uma declaração

contra o império da simplicidade


Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.

Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.

Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?

Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.

Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.


(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra-
-o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)
Considere os trechos:


• … e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. (1o parágrafo)

O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas? (3o parágrafo)


As palavras destacadas estabelecem, respectivamente, relações de
  1. Afinalidade e conformidade.
  2. Bfinalidade e consequência.
  3. Cdireção e comparação.
  4. Ddireção e modo.
  5. Ecausa e modo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — finalidade e conformidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações semânticas de "para" e "segundo"

Gabarito: letra A. O termo "para" no primeiro trecho indica finalidade (propósito); o termo "segundo" no segundo trecho indica conformidade (de acordo com). A banca cobra a identificação do valor semântico dessas palavras no contexto específico.

Análise das alternativas

  • Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

    "... escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja" → para equivale a "a fim de", expressando finalidade.

    "O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?" → segundo equivale a "conforme", expressando conformidade (concordância com uma fonte).

  • Alternativa B — ❌ Incorreta (troca de relação)

    A alternativa troca "conformidade" por "consequência". Não há relação de consequência no segundo trecho; "segundo" não introduz um efeito, e sim a fonte da opinião.

  • Alternativa C — ❌ Incorreta (troca de relação)

    "Direção" não é o valor de "para" no texto (que é de finalidade, não espacial). "Comparação" também não se aplica a "segundo" (não há comparação entre dois elementos).

  • Alternativa D — ❌ Incorreta (troca de relação)

    Mesmo erro: "direção" não cabe para "para" (finalidade) e "modo" não cabe para "segundo" (conformidade).

  • Alternativa E — ❌ Incorreta (troca de relação)

    "Causa" não é o valor de "para" no trecho (causa seria "por", "porque"); "modo" não cabe para "segundo".

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode confundir “para” com outras preposições (causa, direção) e “segundo” com conectivos de modo ou comparação. A chave é substituir mentalmente por expressões equivalentes: “para” = “a fim de” (finalidade); “segundo” = “conforme” / “de acordo com” (conformidade).

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra A

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