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Questão de Português — Regência — VUNESP 2024

PortuguêsRegência
Código
vu086883
Banca
VUNESP
Órgão
SPTrans
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Arquiteto Pleno
Leia o texto para responder à questão.


Sobre escrever bem: uma declaração contra o império da simplicidade


    Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.

    Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.

    Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?

    Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.

    Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.


(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/ julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra- -o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)


Leia o período e assinale a alternativa cuja expressão completa corretamente a lacuna:De acordo com o 4° parágrafo do texto, o autor considera que os ataques à escrita obscura ou labiríntica vêm tradicionalmente daqueles que veem a razão como algo ____ linguagem do dia a
  1. Adistante da
  2. Bsimilar à
  3. Cexclusivo da
  4. Doposto à
  5. Eextrínseco à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — exclusivo da

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Ataques à escrita obscura: razão como algo exclusivo da linguagem cotidiana

Gabarito: letra C. O 4º parágrafo afirma que a tradição de ataque à escrita obscura defende a razão "algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira". O advérbio "só" indica exclusividade, logo a razão é vista como exclusiva da linguagem do dia a dia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Distante da" inverte o sentido: o texto diz que a razão só se encontra nas palavras cotidianas, não que está distante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Similar à" é vago e não capta a exclusividade expressa por "só se encontraria".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho "algo que só se encontraria nas palavras cotidianas" prova que a razão é tida como exclusiva da linguagem comum.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Oposto à" contradiz o texto: razão não é oposta, mas sim presente exclusivamente na linguagem cotidiana.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Extrínseco à" significa externo, alheio; o texto afirma o contrário — a razão é intrínseca (exclusiva) da linguagem diária.

PEGA ESSA DICA!

Grife conectivos e advérbios de exclusão como "só", "apenas", "unicamente" — eles determinam a relação semântica.

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