Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
vu088744
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Com relação às síndromes poliglandulares autoimunes (SPA), é correto afirmar que
Aas SPA do adulto predominam no sexo masculino e têm herança autossômica dominante, com penetrância incompleta.
Ba SPA I tem como componente obrigatório a doença de Addison, que pode vir acompanhada de doença autoimune tireoidiana (DAT) e/ou diabetes melito tipo 1 (DM1).
Ca SPA II tem como componente obrigatório a doença de Addison, que pode vir acompanhada de doença autoimune tireoidiana (DAT) e/ou diabetes melito tipo 1 (DM1).
Das SPA do adulto predominam no sexo masculino e têm herança autossômica recessiva.
ESPA IV é a mais frequente e inclui várias combinações de hipopituitarismo autoimune, hipogonadismo hipergonadotrófico ou hipoparatireoidismo com DM1 ou DAT.
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GabaritoC — a SPA II tem como componente obrigatório a doença de Addison, que pode vir acompanhada de doença autoimune tireoidiana (DAT) e/ou diabetes melito tipo 1 (DM1).
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Síndromes poliglandulares autoimunes (SPA)
Gabarito: letra C. A SPA II tem como componente obrigatório a doença de Addison, que pode vir acompanhada de doença autoimune tireoidiana (DAT) e/ou diabetes melito tipo 1 (DM1) — é exatamente essa a definição clássica da síndrome poliglandular autoimune do adulto mais comum. A alternativa C espelha corretamente essa associação, enquanto a B troca o tipo (atribui à SPA I o que é da SPA II).
As síndromes poliglandulares autoimunes (SPA) são condições em que há falência de múltiplas glândulas endócrinas por mecanismo autoimune, frequentemente associadas a anticorpos contra antígenos teciduais específicos. A classificação mais utilizada divide as SPA em quatro tipos principais, com base na combinação de doenças autoimunes presentes. O ponto central para diferenciá-las é o componente obrigatório de cada uma: enquanto a SPA I (também chamada de poliglandular autoimune tipo 1 ou APECED) tem como tríade clássica candidíase mucocutânea crônica, hipoparatireoidismo e doença de Addison, a SPA II tem como componente obrigatório a doença de Addison, associada a DAT e/ou DM1. Essa distinção é crucial e é exatamente o que a questão explora.
A SPA II é a forma mais frequente das SPA do adulto, predominando no sexo feminino (cerca de 3 a 4 vezes mais comum em mulheres) e com herança autossômica dominante, de penetrância incompleta. A doença de Addison (insuficiência adrenal primária) é o componente obrigatório, e as associações mais comuns são com tireoidite autoimune (síndrome de Schmidt, quando há Addison + tireoidite) e com DM1 (síndrome de Carpenter, quando há Addison + DM1). A SPA I, por sua vez, é mais rara, de herança autossômica recessiva, ligada a mutações no gene AIRE, e tem como componentes obrigatórios a candidíase mucocutânea crônica e o hipoparatireoidismo, sendo a doença de Addison um componente frequente, mas não obrigatório.
Na prática clínica, o reconhecimento dessas síndromes é fundamental para o rastreamento de outras doenças autoimunes em pacientes que já apresentam uma delas. Por exemplo, um paciente com DM1 deve ser rastreado para tireoidite autoimune e doença celíaca, e a presença de hipoglicemias de difícil controle ou hiperpigmentação deve levantar a suspeita de doença de Addison associada. A SPA IV, mencionada na alternativa E, é uma categoria residual que inclui combinações de doenças autoimunes que não se encaixam nos tipos I, II ou III, mas não é a mais frequente e não tem como componente obrigatório o hipopituitarismo ou o hipogonadismo.
A pegadinha da banca está na troca entre SPA I e SPA II: a alternativa B atribui à SPA I o componente obrigatório da SPA II (doença de Addison + DAT/DM1), enquanto a alternativa C faz a afirmação correta. Além disso, as alternativas A e D erram ao afirmar que as SPA do adulto predominam no sexo masculino — na verdade, predominam no feminino — e a alternativa E erra ao descrever a SPA IV como a mais frequente e com componentes que não são os típicos. Guarde a fronteira entre SPA I e SPA II: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tipo de SPA
Componente obrigatório
Herança
Predomínio de sexo
Frequência
SPA I
Candidíase mucocutânea crônica + hipoparatireoidismo (Addison é frequente, mas não obrigatório)
Autossômica recessiva (gene AIRE)
Ambos (sem predomínio claro)
Rara
SPA II
Doença de Addison (pode vir com DAT e/ou DM1)
Autossômica dominante (penetrância incompleta)
Feminino (3–4x mais comum)
Mais frequente das SPA do adulto
SPA III
DAT (sem Addison)
Autossômica dominante
Feminino
Comum
SPA IV
Categoria residual (combinações que não se encaixam nos tipos I–III)
Variável
Variável
Menos frequente
SPA (síndromes poliglandulares autoimunes): SPA I (APECED) (Herança autossômica recessiva, Candidíase mucocutânea, Hipoparatireoidismo, Addison (frequente, não obrigatório)); SPA II (mais comum) (Herança autossômica dominante, Predomínio feminino, Addison (obrigatório), DAT e/ou DM1 associados); SPA III (DAT + outras (sem Addison)); SPA IV (Categoria residual)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as SPA do adulto predominam no sexo masculino e têm herança autossômica dominante com penetrância incompleta. O erro está no sexo: as SPA do adulto (tipos II, III e IV) predominam no sexo feminino, não no masculino. A herança autossômica dominante com penetrância incompleta está correta para a SPA II, mas o predomínio feminino invalida a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a SPA I tem como componente obrigatório a doença de Addison, acompanhada de DAT e/ou DM1. Esse é o erro central da questão: a SPA I tem como componentes obrigatórios a candidíase mucocutânea crônica e o hipoparatireoidismo, sendo a doença de Addison um componente frequente, mas não obrigatório. A associação de Addison com DAT e/ou DM1 é característica da SPA II, não da SPA I. A banca trocou os tipos para confundir.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a SPA II tem como componente obrigatório a doença de Addison, que pode vir acompanhada de DAT e/ou DM1. Essa é a definição clássica da SPA II, também conhecida como síndrome de Schmidt (Addison + tireoidite) ou síndrome de Carpenter (Addison + DM1). É a forma mais comum das SPA do adulto, predominando no sexo feminino, com herança autossômica dominante e penetrância incompleta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as SPA do adulto predominam no sexo masculino e têm herança autossômica recessiva. Dois erros: o predomínio é feminino, e a herança autossômica recessiva é característica da SPA I, não das SPA do adulto (que têm herança autossômica dominante). A SPA I é a que tem herança recessiva, ligada ao gene AIRE.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a SPA IV é a mais frequente e inclui várias combinações de hipopituitarismo autoimune, hipogonadismo hipergonadotrófico ou hipoparatireoidismo com DM1 ou DAT. Dois erros: a SPA IV não é a mais frequente (a mais frequente é a SPA II), e a descrição dos componentes não corresponde à definição clássica. A SPA IV é uma categoria residual que inclui combinações de doenças autoimunes que não se encaixam nos tipos I, II ou III, mas não tem como componentes típicos o hipopituitarismo ou o hipogonadismo com hipoparatireoidismo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os tipos de SPA para confundir: a alternativa B atribui à SPA I o que é da SPA II (Addison + DAT/DM1), e a alternativa E descreve a SPA IV com componentes que não são os clássicos. Decore o componente obrigatório de cada tipo: SPA I = candidíase + hipoparatireoidismo; SPA II = Addison + DAT/DM1. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental: SPA I (recessiva, rara, candidíase + hipoparatireoidismo + Addison), SPA II (dominante, comum, Addison + DAT/DM1), SPA III (DAT + outras, sem Addison), SPA IV (residual). Na prova, identifique primeiro o componente obrigatório — é ele que define o tipo.