Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
vu088748
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Com relação à acromegalia, é correto afirmar que
Aocorre com igual frequência em homens e mulheres.
Bé mais comum após 60 anos de idade.
Caproximadamente 98% dos pacientes com acromegalia albergam um adenoma hipotalâmico secretor de GHRH.
Dcerca de 80% dos adenomas hipofisários produtores de GH são microadenomas por ocasião do diagnóstico.
Eem 50% dos casos, a acromegalia é familiar.
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GabaritoA — ocorre com igual frequência em homens e mulheres.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Acromegalia: epidemiologia e etiologia
Gabarito: letra A. A acromegalia ocorre com igual frequência em homens e mulheres, sendo essa a única afirmação correta entre as apresentadas. As demais alternativas distorcem dados epidemiológicos e etiológicos bem estabelecidos: a doença é mais comum entre 30 e 50 anos, cerca de 98% dos casos são causados por adenomas hipofisários secretores de GH (não hipotalâmicos), a maioria dos tumores são macroadenomas (mais de 70%) e a forma familiar é rara. A fonte para esses dados é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da acromegalia, que traz os dados epidemiológicos e etiológicos da doença.
A acromegalia é uma doença crônica e insidiosa causada, na grande maioria dos casos, por um adenoma hipofisário secretor de hormônio do crescimento (GH), denominado somatotropinoma. Esses tumores são classificados pelo tamanho em microadenomas (menos de 1 cm) e macroadenomas (1 cm ou mais). O excesso de GH estimula a produção hepática e de diversos tecidos do fator de crescimento semelhante à insulina tipo I (IGF-I), que é o principal responsável pelas manifestações clínicas da doença, como aumento de extremidades, prognatismo, sudorese, visceromegalia, alterações cardiovasculares e metabólicas.
A epidemiologia da acromegalia é um ponto central para esta questão. A doença é rara, com prevalência estimada entre 2,8 e 13,7 casos por 100.000 habitantes e incidência anual de 0,2 a 1,17 casos por 100.000 pessoas. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum entre os 30 e 50 anos, com idade média ao diagnóstico de 40 a 50 anos. Não há diferença significativa de incidência entre os sexos, o que torna a alternativa A correta. A apresentação clínica é lenta e insidiosa, com um período de 8 a 10 anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico.
A etiologia da acromegalia também é um ponto de confusão frequente. Em cerca de 98% dos casos, a causa é um adenoma hipofisário secretor de GH. Em aproximadamente 2% dos casos, a doença é causada por hipersecreção de GHRH (hormônio liberador de GH), que pode ter origem hipotalâmica ou ectópica (como carcinoide brônquico ou tumor de ilhota pancreática). A secreção ectópica de GH é extremamente rara. Os somatotropinomas são tumores monoclonais, geralmente esporádicos, mas podem ocorrer de forma familiar em casos raros, associados a síndromes como neoplasia endócrina múltipla (NEM) tipos 1 e 4, síndrome de McCune-Albright, complexo de Carney e adenoma hipofisário isolado familiar.
A pegadinha desta questão está na inversão de conceitos e números. A banca troca a localização do tumor (hipofisário por hipotalâmico), inverte a proporção entre micro e macroadenomas, e apresenta a forma familiar como frequente. O candidato que decora os números sem compreender a fisiopatologia pode ser induzido ao erro. É fundamental memorizar os dados epidemiológicos e etiológicos da acromegalia, pois são recorrentes em provas de endocrinologia.
Guarde a fronteira entre os dados corretos e as distorções apresentadas: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A seguir, a análise de cada alternativa.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A acromegalia ocorre com igual frequência em homens e mulheres. Este é um dado epidemiológico clássico e bem estabelecido. Não há predileção por sexo na incidência da doença. O PCDT da acromegalia não menciona diferença entre os sexos, e a literatura médica é consistente em afirmar que a doença afeta igualmente homens e mulheres.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A acromegalia é mais comum entre os 30 e 50 anos, e não após os 60 anos. A idade média ao diagnóstico é de 40 a 50 anos. Embora a doença possa ocorrer em qualquer idade, o pico de incidência está na idade adulta jovem e meia-idade. A alternativa erra ao deslocar o pico de incidência para a terceira idade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa contém dois erros. Primeiro, o tumor é hipofisário, não hipotalâmico. Segundo, o adenoma é secretor de GH, não de GHRH. Em cerca de 98% dos casos, a acromegalia é causada por um adenoma hipofisário secretor de GH (somatotropinoma). A hipersecreção de GHRH, seja hipotalâmica ou ectópica, é responsável por apenas cerca de 2% dos casos. A alternativa confunde a etiologia principal com a rara.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A maioria dos adenomas hipofisários produtores de GH são macroadenomas, não microadenomas. Mais de 70% dos tumores associados à acromegalia são macroadenomas (1 cm ou mais) por ocasião do diagnóstico. A alternativa inverte a proporção, afirmando que 80% seriam microadenomas, o que contraria os dados do PCDT e da literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A acromegalia é esporádica na grande maioria dos casos. A forma familiar é rara, ocorrendo em associação com síndromes genéticas como NEM tipo 1 e 4, síndrome de McCune-Albright, complexo de Carney e adenoma hipofisário isolado familiar. A alternativa superestima a frequência da forma familiar, que não corresponde a 50% dos casos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os dados epidemiológicos e etiológicos da acromegalia. Nesta questão, ela trocou a localização do tumor (hipofisário por hipotalâmico), inverteu a proporção entre micro e macroadenomas, e apresentou a forma familiar como frequente. Para não cair, memorize os números-chave: 98% adenoma hipofisário de GH, 70% macroadenomas, pico entre 30-50 anos, igualdade entre sexos e raridade da forma familiar. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪