Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
vu088762
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
A síndrome de hipoglicemia pancreatógena não insulinoma presente em alguns pacientes submetidos à derivação gástrica em Y de Roux (DGYR) cursa com
Asecreção reduzida do peptídeo semelhante ao glucagon1.
Bhipertrofia das células alfa-pancreáticas.
Chiperplasia das células alfa-pancreáticas.
Depisódios hipoglicêmicos 2 a 3 horas após a refeição.
Eepisódios hipoglicêmicos logo após a realização da DGYR.
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GabaritoD — episódios hipoglicêmicos 2 a 3 horas após a refeição.
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Hipoglicemia pós-prandial após derivação gástrica em Y de Roux
Gabarito: letra D. A síndrome de hipoglicemia pancreatógena não insulinoma (NIPHS) após derivação gástrica em Y de Roux (DGYR) cursa com episódios hipoglicêmicos 2 a 3 horas após a refeição, caracterizando hipoglicemia pós-prandial tardia, e não hipoglicemia de jejum ou imediata. Essa condição está associada à hipersecreção de GLP-1 e à hiperplasia de células beta (nesidioblastose), não de células alfa.
A hipoglicemia pós-prandial é um distúrbio em que ocorrem baixos níveis de glicemia, normalmente 90 a 180 minutos após as refeições, em pacientes submetidos a cirurgia gástrica, como a DGYR. O mecanismo envolve o esvaziamento gástrico acelerado e a resposta incretínica exacerbada, com elevação do GLP-1, que estimula secreção excessiva de insulina pelas células beta, levando à hipoglicemia tardia. Diferentemente da síndrome de dumping precoce, que ocorre logo após a refeição e cursa com sintomas vasomotores sem hipoglicemia, a hipoglicemia alimentar tardia manifesta-se com sintomas autonômicos e neuroglicopênicos 2 a 3 horas após comer.
A NIPHS é uma causa rara de hipoglicemia hiperinsulinêmica endógena, caracterizada por hiperplasia de células beta (nesidioblastose), e não de células alfa. As células alfa produzem glucagon, hormônio contrarregulador que eleva a glicemia; sua hiperplasia ou hipertrofia não causa hipoglicemia, mas sim hiperglicemia. A secreção de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) está aumentada, não reduzida, nesses pacientes, contribuindo para a hiperinsulinemia.
A distinção entre hipoglicemia de jejum e pós-prandial é fundamental: a primeira é típica de insulinoma e outras causas orgânicas, enquanto a segunda é característica de distúrbios funcionais, como a NIPHS pós-DGYR. A tríade de Whipple (sintomas + glicemia baixa + resolução com glicose) deve estar presente para confirmar o diagnóstico. Na avaliação, o teste de refeição mista com dosagens seriadas de glicose, insulina, pró-insulina e peptídeo C é útil para documentar a hipoglicemia pós-prandial.
A pegadinha da questão está em associar a NIPHS a alterações das células alfa (alternativas B e C) ou a hipoglicemia imediata (alternativa E), quando na verdade o quadro é de hipoglicemia tardia pós-prandial por hiperplasia de células beta e aumento de GLP-1. Guarde o critério temporal: 2 a 3 horas após a refeição é a marca da hipoglicemia alimentar tardia, enquanto a hipoglicemia de jejum é típica de insulinoma.
1Refeição
2Esvaziamento gástrico acelerado
3↑ GLP-1 (incretina)
4↑ Insulina (células beta)
5Hipoglicemia 2–3h após
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há secreção reduzida do GLP-1. Na NIPHS pós-DGYR, a secreção de GLP-1 está aumentada, não reduzida. O GLP-1 é um incretina que potencializa a secreção de insulina estimulada por glicose; sua hipersecreção após a cirurgia contribui para a hiperinsulinemia e a hipoglicemia tardia. A redução do GLP-1 não explicaria o quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Menciona hipertrofia das células alfa-pancreáticas. As células alfa produzem glucagon, hormônio que eleva a glicemia. Sua hipertrofia não causa hipoglicemia; pelo contrário, poderia levar a hiperglicemia. A NIPHS está associada à hiperplasia de células beta, produtoras de insulina, e não de células alfa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Idem à anterior, mas com hiperplasia das células alfa. A hiperplasia de células alfa não é o mecanismo da NIPHS. O achado histológico típico é a nesidioblastose, ou seja, hiperplasia de células beta das ilhotas pancreáticas, com consequente excesso de insulina. A confusão entre células alfa e beta é a armadilha central desta alternativa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A NIPHS pós-DGYR cursa com episódios hipoglicêmicos 2 a 3 horas após a refeição. Isso caracteriza hipoglicemia pós-prandial tardia, decorrente do esvaziamento gástrico acelerado e da resposta incretínica exacerbada (aumento de GLP-1), que leva a hiperinsulinemia tardia. O quadro é distinto da hipoglicemia de jejum (típica de insulinoma) e da síndrome de dumping precoce (que ocorre logo após a refeição, sem hipoglicemia).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os episódios ocorrem logo após a realização da DGYR. A hipoglicemia da NIPHS não é imediata à cirurgia, mas sim tardia, 2 a 3 horas após as refeições. Além disso, o quadro geralmente se manifesta meses a anos após o procedimento, não imediatamente. A hipoglicemia imediata pós-prandial seria mais compatível com dumping precoce, que não cursa com hipoglicemia.
Gabarito: letra D — a NIPHS pós-DGYR cursa com hipoglicemia pós-prandial tardia (2 a 3 horas após a refeição), por hiperplasia de células beta e aumento de GLP-1.