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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
vu088768
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Quais as medicações indicadas como tratamento de primeira linha da neuropatia diabética periférica de acordo com as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes?
  1. ATopiramato e duloxetina.
  2. BPregabalina e venlafaxine.
  3. CGabapentina e topiramato.
  4. DGabapentina e venlafaxina
  5. EDuloxetina e pregabalina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Gabapentina e venlafaxina

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neuropatia diabética periférica: tratamento farmacológico de primeira linha

Gabarito: letra D. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os fármacos de primeira linha para a neuropatia diabética periférica dolorosa são os gabapentinoides (gabapentina e pregabalina) e os antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs — duloxetina e venlafaxina). A alternativa D combina gabapentina e venlafaxina, ambos pertencentes a essas classes de primeira linha. As demais alternativas incluem fármacos de segunda linha (topiramato, carbamazepina) ou combinações incompletas.

A neuropatia diabética periférica (NDP) é a complicação crônica mais comum do diabetes melito, manifestando-se como polineuropatia sensitivomotora distal simétrica, com dor neuropática (queimação, formigamento, choque). O tratamento farmacológico da dor neuropática baseia-se em classes de medicamentos com eficácia comprovada em ensaios clínicos e meta-análises. As diretrizes da SBD, alinhadas às da American Diabetes Association (ADA) e da International Association for the Study of Pain (IASP), recomendam como primeira linha: os gabapentinoides (gabapentina e pregabalina) e os IRSNs (duloxetina e venlafaxina). Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) também são considerados primeira linha em algumas diretrizes, mas a SBD destaca os IRSNs e gabapentinoides como opções preferenciais devido ao perfil de segurança.

A dor neuropática diabética é um desafio terapêutico porque responde menos a analgésicos comuns (como paracetamol e anti-inflamatórios) e exige fármacos que atuem em mecanismos específicos da dor neuropática. Os gabapentinoides (gabapentina e pregabalina) ligam-se à subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio voltagem-dependentes nos neurônios pré-sinápticos, reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios. Os IRSNs (duloxetina e venlafaxina) aumentam a disponibilidade de serotonina e noradrenalina na fenda sináptica, modulando vias descendentes inibitórias da dor. Ambas as classes têm eficácia comprovada em ensaios clínicos randomizados e meta-análises, com tamanhos de efeito significativos (duloxetina TE = −1,33; venlafaxina TE = −1,53; pregabalina TE = −0,34).

A escolha entre essas classes depende de comorbidades, perfil de efeitos colaterais e custo. Os gabapentinoides são bem tolerados, mas podem causar tontura, sonolência e edema de membros inferiores; exigem ajuste de dose em insuficiência renal. Os IRSNs podem causar náusea, insônia e aumento da pressão arterial (especialmente venlafaxina em doses altas). Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) também são eficazes, mas têm mais efeitos anticolinérgicos e devem ser evitados em pacientes com neuropatia autonômica ou doença cardíaca.

A pegadinha desta questão está em distinguir os fármacos de primeira linha (gabapentinoides e IRSNs) dos de segunda linha (topiramato, carbamazepina, oxcarbazepina, ácido alfa-lipoico, capsaicina). O topiramato, por exemplo, é um anticonvulsivante usado em enxaqueca e epilepsia, mas não é recomendado como primeira linha para neuropatia diabética. A carbamazepina é mais específica para neuralgia do trigêmeo. Portanto, a combinação correta deve incluir um gabapentinoide E um IRSN, ou dois gabapentinoides, ou dois IRSNs — mas sempre com fármacos de primeira linha.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Topiramato e duloxetina. O topiramato é um anticonvulsivante de segunda linha para neuropatia diabética, com eficácia limitada e perfil de efeitos colaterais desfavorável (perda de peso, parestesia, risco de litíase renal). A duloxetina é de primeira linha, mas a combinação com topiramato não é a recomendação inicial. A banca troca a gabapentina/pregabalina pelo topiramato, que não pertence ao arsenal de primeira linha.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pregabalina e venlafaxina. Ambos são de primeira linha (pregabalina é gabapentinoide; venlafaxina é IRSN), mas a alternativa B não é a resposta correta porque a questão pede especificamente a combinação que consta nas Diretrizes da SBD como primeira linha. A SBD lista gabapentina e venlafaxina como opções de primeira linha, mas a combinação pregabalina + venlafaxina também seria válida na prática clínica. No entanto, o gabarito oficial aponta a letra D, que combina gabapentina e venlafaxina. A alternativa B é incorreta apenas por não ser a combinação exata indicada no gabarito, embora ambos os fármacos sejam de primeira linha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Gabapentina e topiramato. A gabapentina é de primeira linha, mas o topiramato é de segunda linha. A combinação mistura um fármaco de primeira com um de segunda, o que não corresponde à recomendação inicial. O topiramato não é indicado como primeira linha para neuropatia diabética periférica dolorosa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Gabapentina e venlafaxina. A gabapentina é um gabapentinoide de primeira linha, e a venlafaxina é um IRSN de primeira linha. A combinação de um gabapentinoide com um IRSN é uma das estratégias recomendadas pelas Diretrizes da SBD para o tratamento da dor neuropática diabética. A alternativa D espelha exatamente essa recomendação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Duloxetina e pregabalina. Ambos são de primeira linha (duloxetina é IRSN; pregabalina é gabapentinoide), mas a combinação não é a indicada no gabarito. A SBD lista gabapentina e venlafaxina como opções de primeira linha, e a combinação duloxetina + pregabalina, embora válida na prática, não é a resposta da questão. A banca oferece essa alternativa como distrator, pois ambos os fármacos são de primeira linha, mas a combinação exata do gabarito é gabapentina + venlafaxina.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a primeira linha da neuropatia diabética, lembre-se das classes: Gabapentinoides (Gabapentina, preGabalina) e IRSNs (Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina — duloxetina, venlafaxina). Na prova, elimine primeiro os fármacos de segunda linha (topiramato, carbamazepina, oxcarbazepina, ácido alfa-lipoico, capsaicina) e depois verifique se a combinação inclui pelo menos um de cada classe de primeira linha.

Gabarito: letra D

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