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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
vu088770
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, assinale a alternativa correta.
  1. APara pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica (DRC), recomenda-se o uso de um inibidor do co-transportador de sódio-glicose 2 para reduzir a progressão da DRC e eventos cardiovasculares em indivíduos com taxa de filtração glomerular ≥ 10mL/ min/1,73m2 e albumina urinária ≥ 200mg/g creatinina.
  2. BOs inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) são mais eficazes em reduzir a pressão arterial e a albuminúria do que os bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA).
  3. CEm pessoas com diabetes com menos de 80 anos sem doença coronariana clínica, deve ser considerado, como meta de tratamento, pressão arterial sistólica inferior a 140 mmHg, e pressão arterial diastólica inferior a 80 mmHg, se bem toleradas.
  4. DQuando necessário, a terapia farmacológica dupla com a combinação de um IECA e um BRA ou um bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico, deve ser considerada para atingir meta de pressão arterial.
  5. EEm pessoas com diabetes e albuminúria acima de 30 mg/g ou doença cardiovascular estabelecida, é recomendado o uso de um IECA ou de um BRA, para redução de desfechos renais e cardiovasculares.
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GabaritoE — Em pessoas com diabetes e albuminúria acima de 30 mg/g ou doença cardiovascular estabelecida, é recomendado o uso de um IECA ou de um BRA, para redução de desfechos renais e cardiovasculares.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: manejo da hipertensão e nefroproteção

Gabarito: letra E. Em pessoas com diabetes e albuminúria acima de 30 mg/g ou doença cardiovascular estabelecida, é recomendado o uso de um IECA ou de um BRA para redução de desfechos renais e cardiovasculares — essa é a recomendação central das diretrizes, que priorizam o bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) nesses pacientes. As demais alternativas contêm erros de limiar, de comparação entre classes ou de combinação terapêutica.

O tema central é o manejo da doença renal crônica (DRC) e da hipertensão arterial no paciente com diabetes, com foco na nefroproteção. A base fisiopatológica é a ativação do SRAA, que promove vasoconstrição da arteríola eferente, aumentando a pressão intraglomerular e acelerando a progressão da DRC. Por isso, os medicamentos que bloqueiam esse sistema — os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) — são a pedra angular do tratamento, pois reduzem a albuminúria e retardam a queda da taxa de filtração glomerular (TFG), além de reduzirem eventos cardiovasculares.

A recomendação das diretrizes é clara: em diabéticos com albuminúria (RAC ≥ 30 mg/g) ou doença cardiovascular estabelecida, deve-se iniciar IECA ou BRA, independentemente da presença de hipertensão. O limiar de albuminúria é o ponto-chave — a partir de 30 mg/g, o benefício renal e cardiovascular já justifica a terapia. Em pacientes sem albuminúria e sem doença cardiovascular, o uso preventivo não é recomendado, pois não há evidência de redução de desfechos renais terminais.

Na prática, um paciente diabético com RAC de 45 mg/g e TFG de 80 mL/min/1,73 m², mesmo normotenso, deve receber um IECA ou BRA. Já um diabético com RAC normal (< 30 mg/g) e sem doença cardiovascular estabelecida não tem indicação formal de iniciar a medicação apenas para nefroproteção — o controle pressórico e glicêmico é o foco. Essa distinção é exatamente o que a alternativa E captura corretamente.

A pegadinha da banca está nos detalhes: limiares de TFG e albuminúria trocados, comparações de eficácia entre IECA e BRA que não existem, metas pressóricas desatualizadas e combinações terapêuticas contraindicadas. Guarde o tripé: (1) albuminúria ≥ 30 mg/g é o gatilho para IECA/BRA; (2) IECA e BRA são igualmente eficazes; (3) a combinação IECA + BRA é contraindicada. É nesses três pontos que as alternativas se dividem.

Alternativa

Afirmação principal

Erro/Correção

A

Uso de SGLT2 para DRC com TFG ≥ 10 mL/min e albuminúria ≥ 200 mg/g

❌ Limiar de TFG incorreto (recomendado ≥ 25 mL/min) e limiar de albuminúria misturado com critérios de estudo

B

IECA mais eficaz que BRA em reduzir PA e albuminúria

❌ IECA e BRA são igualmente eficazes; diferença está na tolerabilidade (tosse com IECA)

C

Meta de PAS < 140 mmHg para diabéticos < 80 anos

❌ Meta desatualizada; recomendação atual é < 130/80 mmHg

D

Combinação IECA + BRA como terapia dupla

❌ Combinação IECA + BRA é contraindicada (risco de hiperpotassemia e LRA)

E

IECA ou BRA para albuminúria > 30 mg/g ou doença cardiovascular estabelecida

✅ Correta — espelha a recomendação central das diretrizes

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está no limiar de TFG. A recomendação de uso de inibidor de SGLT2 para redução da progressão da DRC e eventos cardiovasculares é para pacientes com TFG ≥ 25 mL/min/1,73 m² (conforme o estudo DAPA-CKD, que incluiu pacientes com TFG > 25 mL/min), e não ≥ 10 mL/min/1,73 m². O valor de 10 mL/min/1,73 m² é muito baixo — nesse estágio, a terapia com SGLT2 não é indicada. Além disso, o limiar de albuminúria citado (≥ 200 mg/g) não é o utilizado nas diretrizes; o benefício renal dos SGLT2 é demonstrado a partir de albuminúria ≥ 30 mg/g (RAC ≥ 30 mg/g), embora o estudo DAPA-CKD tenha incluído pacientes com RAC ≥ 200 mg/g e também aqueles com RAC 30-200 mg/g. A alternativa mistura critérios de inclusão de estudos com a recomendação prática, criando um limiar incorreto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os IECA são mais eficazes que os BRA em reduzir pressão arterial e albuminúria. Isso é falso: as diretrizes e a literatura são claras ao afirmar que IECA e BRA são igualmente eficazes em reduzir a albuminúria e a pressão arterial. A diferença prática está no perfil de efeitos adversos — os IECA causam tosse (por acúmulo de bradicinina) com mais frequência, o que leva à preferência por BRA em caso de intolerância. Não há superioridade de uma classe sobre a outra em eficácia; a escolha é baseada em tolerabilidade e contraindicações.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A meta pressórica está desatualizada. Para pessoas com diabetes, a recomendação atual é de pressão arterial inferior a 130/80 mmHg, e não 140/80 mmHg. A alternativa cita meta de PAS < 140 mmHg, que era a recomendação de diretrizes mais antigas. As diretrizes brasileiras de hipertensão de 2025 e as diretrizes de diabetes estabelecem meta de PAS < 130 mmHg para diabéticos, especialmente na presença de albuminúria. Além disso, a alternativa menciona "menos de 80 anos" — a meta mais agressiva (< 130/80 mmHg) é recomendada para a maioria dos diabéticos, independentemente da idade, desde que bem tolerada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A combinação de IECA + BRA é contraindicada — há evidências de aumento de mortalidade e de eventos adversos (hiperpotassemia, lesão renal aguda) com essa associação. A alternativa sugere "terapia farmacológica dupla com a combinação de um IECA e um BRA ou um bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico". A primeira parte (IECA + BRA) é expressamente contraindicada; a segunda (IECA + BCC diidropiridínico) é uma combinação válida e frequentemente usada. Mas, como a alternativa apresenta a combinação IECA + BRA como opção, ela está incorreta. A associação de IECA com BRA não é recomendada em nenhuma diretriz atual.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha exatamente a recomendação das diretrizes: em pessoas com diabetes e albuminúria acima de 30 mg/g (RAC ≥ 30 mg/g) ou doença cardiovascular estabelecida, é recomendado o uso de IECA ou BRA para redução de desfechos renais e cardiovasculares. O limiar de 30 mg/g é o gatilho para iniciar a terapia, independentemente da presença de hipertensão. A alternativa está correta em todos os seus termos: "albuminúria acima de 30 mg/g", "doença cardiovascular estabelecida", "IECA ou BRA" (não ambos), e "redução de desfechos renais e cardiovasculares".

Gabarito: letra E

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