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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
vu088778
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endoscopista
Qual das seguintes características na ultrassonografia endoscópica é sugestiva de pancreatite crônica?
  1. AParedes ductais hipoecóicas.
  2. BDiâmetro do ducto pancreático de 2,5 mm no corpo do pâncreas.
  3. CMargens do ducto pancreático anecoico.
  4. DLobularidade do contorno pancreático.
  5. EParênquima pancreático granular e homogêneo.
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GabaritoD — Lobularidade do contorno pancreático.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ultrassonografia endoscópica na pancreatite crônica

Gabarito: letra D. A lobularidade do contorno pancreático é um dos critérios parenquimatosos clássicos da ultrassonografia endoscópica (USE) para o diagnóstico de pancreatite crônica, conforme os critérios de Rosemont. As demais alternativas descrevem achados normais ou invertem as características esperadas na doença.

A ultrassonografia endoscópica é um método de imagem de alta resolução que permite avaliar tanto o parênquima quanto o sistema ductal do pâncreas. Na pancreatite crônica, a doença evolui com fibrose progressiva, perda de massa acinar e alterações estruturais que podem ser identificadas por esse exame. Os critérios de Rosemont, propostos por um consenso internacional, sistematizam esses achados em critérios maiores e menores, facilitando o diagnóstico e padronizando a avaliação.

Os critérios maiores incluem focos hiperecoicos com sombra (que indicam cálculos no ducto pancreático) e a lobularidade parenquimatosa com aspecto faveolado. Já os critérios menores compreendem cistos, dilatação do ducto principal (≥ 3,5 mm de diâmetro), contorno irregular do ducto, ramos laterais dilatados (≥ 1 mm), parede ductal hiperecoica, cordões parenquimatosos, focos hiperecoicos sem sombra e lobularidade com glóbulos não contíguos. A presença de quatro ou mais critérios torna o diagnóstico provável, mesmo com outros exames normais.

A banca explora justamente a inversão das características: na doença, as paredes ductais tornam-se hiperecoicas (e não hipoecoicas), o ducto principal dilata-se (≥ 3,5 mm, e não 2,5 mm), as margens do ducto tornam-se irregulares (e não anecoicas), e o parênquima torna-se heterogêneo, com lobularidade e cordões (e não homogêneo). A alternativa D é a única que descreve corretamente um achado parenquimatoso característico da pancreatite crônica.

Guarde a distinção entre os achados parenquimatosos e ductais, e entre o que é normal e o que é patológico: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

1Parenquimatosos
Lobularidade (faveolada = maior)
Cordões
Focos hiperecoicos (com/sem sombra)
Cistos
2Ductais
Dilatação ≥ 3,5 mm
Contorno irregular
Ramos laterais ≥ 1 mm
Parede hiperecoica
Cálculos
3Diagnóstico
4+ critérios → provável
Critérios de Rosemont (USE)
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Critérios de Rosemont (USE): Parenquimatosos (Lobularidade (faveolada = maior), Cordões, Focos hiperecoicos (com/sem sombra), Cistos); Ductais (Dilatação ≥ 3,5 mm, Contorno irregular, Ramos laterais ≥ 1 mm, Parede hiperecoica, Cálculos); Diagnóstico (4+ critérios → provável)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as paredes ductais são hipoecoicas. Na pancreatite crônica, ocorre o oposto: a parede do ducto torna-se hiperecoica (critério menor de Rosemont), devido à fibrose e inflamação crônica. A banca inverteu o termo "hiperecoica" por "hipoecoica".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o diâmetro do ducto pancreático de 2,5 mm no corpo do pâncreas é sugestivo de pancreatite crônica. Na verdade, o ducto normal tem até 3 mm no corpo; na doença, espera-se dilatação do ducto principal, com diâmetro ≥ 3,5 mm (critério menor de Rosemont). O valor de 2,5 mm está dentro da normalidade, não sendo sugestivo de doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as margens do ducto pancreático são anecoicas. Na pancreatite crônica, o ducto apresenta contorno irregular (critério menor de Rosemont), e não margens anecoicas. O termo "anecoico" refere-se à ausência de ecos, característica de estruturas líquidas (como cistos), não das margens ductais na doença.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A lobularidade do contorno pancreático é um dos principais critérios parenquimatosos da USE para pancreatite crônica. Nos critérios de Rosemont, a lobularidade parenquimatosa com aspecto faveolado é um critério maior, e a lobularidade com glóbulos não contíguos é um critério menor. Reflete a fibrose e a perda de massa acinar características da doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o parênquima pancreático é granular e homogêneo. Na pancreatite crônica, o parênquima torna-se heterogêneo, com presença de cordões parenquimatosos, focos hiperecoicos e lobularidade. A homogeneidade é característica do pâncreas normal, não da doença.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as características ultrassonográficas da pancreatite crônica. Aqui, ela trocou "hiperecoica" por "hipoecoica" (A), "dilatação ≥ 3,5 mm" por "2,5 mm" (B), "contorno irregular" por "anecoico" (C) e "heterogêneo" por "homogêneo" (E). A única que manteve o achado correto foi a lobularidade (D). Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os critérios de Rosemont, separe-os em parenquimatosos e ductais. Parenquimatosos: lobularidade, cordões, focos hiperecoicos (com ou sem sombra), cistos. Ductais: dilatação ≥ 3,5 mm, contorno irregular, ramos laterais dilatados ≥ 1 mm, parede hiperecoica, cálculos. Na dúvida, lembre-se: na doença, tudo tende a ficar mais ecogênico, mais dilatado e mais irregular.

Gabarito: letra D

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