Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu088784
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endoscopista
Assinale a alternativa que apresenta afirmativa correta com relação à hemorragia digestiva alta varicosa aguda.
ATransfusão sanguínea deve ser feita com cautela com objetivo-alvo de 9 a 10 g/dL.
BIntubação deve ser realizada antes da endoscopia.
CFator VIIa recombinante e ácido tranexâmico são recomendados em caso de distúrbios graves de coagulação.
DCeftriaxone EV deve ser prescrita porque diminui o tempo de internação hospitalar, apesar de não diminuir mortalidade.
EAs drogas vasoativas (terlipressina, octreotide, somatostatina) devem ser iniciadas tão logo seja possível em HDA em cirróticos e, se a suspeita for confirmada, devem ser mantidas por 2 a 5 dias.
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GabaritoE — As drogas vasoativas (terlipressina, octreotide, somatostatina) devem ser iniciadas tão logo seja possível em HDA em cirróticos e, se a suspeita for confirmada, devem ser mantidas por 2 a 5 dias.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hemorragia digestiva alta varicosa aguda: manejo inicial
Gabarito: letra E. Na hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa aguda, as drogas vasoativas (terlipressina, octreotide, somatostatina) devem ser iniciadas o mais precocemente possível, ainda na suspeita clínica, e mantidas por 2 a 5 dias após a confirmação diagnóstica — conduta alinhada às principais diretrizes de gastroenterologia. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta que serão detalhados a seguir.
A HDA varicosa é uma emergência gastrintestinal grave, com mortalidade em torno de 30% por episódio, e seu manejo difere substancialmente da HDA não varicosa. O ponto central é que, em pacientes cirróticos com suspeita de sangramento por varizes, o tratamento farmacológico com vasoconstritores esplâncnicos deve começar antes da confirmação endoscópica, pois reduz a pressão portal e o fluxo sanguíneo colateral, favorecendo a hemostasia e diminuindo o sangramento ativo. Essa estratégia é respaldada por evidências de que o uso precoce dessas drogas melhora o controle do sangramento e reduz a mortalidade.
A abordagem inicial envolve, além das drogas vasoativas, a ressuscitação volêmica criteriosa, a antibioticoprofilaxia (ceftriaxone ou quinolona) e a endoscopia digestiva alta precoce (nas primeiras 12 horas), com ligadura elástica das varizes. A transfusão sanguínea deve ser restritiva, com alvo de hemoglobina entre 7 e 8 g/dL, evitando-se hipervolemia que possa elevar a pressão portal. A intubação orotraqueal não é rotina, sendo reservada para casos de rebaixamento do nível de consciência ou risco de aspiração. Já o fator VIIa recombinante e o ácido tranexâmico não são recomendados de rotina, mesmo em coagulopatia, por falta de evidência de benefício e risco de eventos trombóticos.
A antibioticoprofilaxia, por sua vez, é indicada em todo paciente cirrótico com HDA, pois reduz a incidência de infecções bacterianas (como peritonite bacteriana espontânea) e, consequentemente, a mortalidade — não apenas o tempo de internação. O esquema mais utilizado é ceftriaxone 1 g EV ao dia, por 5 a 7 dias, especialmente em pacientes com cirrose avançada ou em áreas de alta prevalência de bactérias resistentes.
A distinção crucial que separa as alternativas é o momento de início e a duração das drogas vasoativas, bem como os alvos terapêuticos da transfusão e as indicações precisas de cada intervenção. A banca explora exatamente esses pontos, oferecendo condutas parcialmente corretas, mas com erros sutis que as tornam inadequadas.
HDA varicosa aguda: Drogas vasoativas (E) (Início precoce, na suspeita, Manter 2–5 dias após confirmação); Transfusão (A) (Alvo restritivo: Hb 7–8 g/dL, Alvo 9–10 g/dL (errado)); Intubação (B) (Rotina antes da endoscopia (errado), Seletiva: rebaixamento, risco de aspiração); Fator VIIa e ácido tranexâmico (C) (Não recomendados de rotina); Ceftriaxone (D) (Reduz mortalidade e infecções, "Só reduz internação" (errado))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmativa erra o alvo transfusional. Na HDA varicosa, a transfusão deve ser restritiva, com objetivo de hemoglobina entre 7 e 8 g/dL, e não de 9 a 10 g/dL. Transfusões mais liberais podem aumentar a volemia e a pressão portal, piorando o sangramento. O alvo de 9 a 10 g/dL seria excessivo nesse contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A intubação orotraqueal não é obrigatória antes da endoscopia. Ela é indicada seletivamente, em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, hematêmese maciça com risco de aspiração ou instabilidade respiratória. Na maioria dos casos, a endoscopia pode ser realizada com o paciente acordado, sob sedação consciente, desde que haja proteção de vias aéreas adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O fator VIIa recombinante e o ácido tranexâmico não são recomendados de rotina na HDA varicosa, mesmo em pacientes com distúrbios graves de coagulação. Não há evidência de benefício clínico, e há risco aumentado de eventos trombóticos. A correção da coagulopatia, quando necessária, é feita com plasma fresco congelado ou crioprecipitado, de forma individualizada, e não com esses agentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta ao afirmar que a ceftriaxone EV "diminui o tempo de internação hospitalar, apesar de não diminuir mortalidade". Na verdade, a antibioticoprofilaxia com ceftriaxone em cirróticos com HDA reduz a mortalidade, além de diminuir a incidência de infecções bacterianas e o tempo de internação. O benefício em mortalidade é um dos pilares da recomendação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta. As drogas vasoativas (terlipressina, octreotide, somatostatina) devem ser iniciadas tão logo haja suspeita de HDA varicosa em cirróticos, antes mesmo da confirmação endoscópica, e, se a suspeita for confirmada, mantidas por 2 a 5 dias. Essa estratégia reduz a pressão portal, controla o sangramento e melhora os desfechos. A duração de 2 a 5 dias é o padrão recomendado pelas diretrizes, podendo ser estendida em casos de ressangramento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os alvos e as indicações de cada intervenção. O candidato pode acertar a letra E por eliminação, mas é essencial memorizar os detalhes: alvo transfusional de 7–8 g/dL (não 9–10), intubação seletiva (não rotina), fator VIIa e ácido tranexâmico não recomendados, e ceftriaxone que reduz mortalidade (não apenas tempo de internação). Com treino, você fixa esses pontos e evita cair nas armadilhas.