Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024
- Código
- vu088787
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNICAMP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Endoscopista
- AReto.
- BCólon sigmoide.
- CCólon descendente.
- DCólon ascendente.
- ECeco.
GabaritoB — Cólon sigmoide.
Gabarito: letra B. O cólon sigmoide é o segmento com maior probabilidade de perfuração durante a colonoscopia, devido à sua anatomia tortuosa, à presença frequente de divertículos e à maior dificuldade de progressão do aparelho — fatores que aumentam a tensão sobre a parede intestinal. Essa é uma informação consolidada na prática endoscópica e nos manuais de gastroenterologia, não havendo um dispositivo legal específico que a regule.
A colonoscopia é um exame invasivo que permite visualizar todo o cólon, mas não está isento de riscos. A perfuração é a complicação mais temida, e sua incidência varia conforme o segmento examinado. O sigmoide, por ser um segmento móvel, com alças e ângulos acentuados, é o local onde o endoscopista encontra maior resistência para avançar o aparelho. Além disso, é o sítio mais comum de divertículos, que são herniações da mucosa através das tênias do cólon, fragilizando a parede e aumentando o risco de lesão durante a passagem do colonoscópio.
A anatomia do sigmoide explica o risco: ele é um segmento relativamente estreito, com mesocólon longo que permite grande mobilidade e formação de alças. Durante o exame, a insuflação de ar e a tração do aparelho podem distender excessivamente a parede, especialmente em áreas com divertículos ou aderências. O ceco, embora seja o segmento mais fino e de maior diâmetro, é menos propenso à perfuração iatrogênica porque é alcançado com o aparelho já em posição mais reta, e sua parede, apesar de delgada, é menos submetida a forças de cisalhamento durante a progressão.
Na prática, o endoscopista deve ter atenção redobrada ao atravessar o sigmoide, especialmente em pacientes idosos, com diverticulose ou com doença diverticular prévia. A técnica de redução de alças e a insuflação controlada são fundamentais para minimizar o risco. Quando ocorre perfuração, o quadro clínico é de dor abdominal intensa, sinais de peritonite e ar livre na radiografia, exigindo intervenção cirúrgica de urgência.
A banca explora aqui um conhecimento prático de endoscopia: o candidato pode ser tentado a escolher o ceco por ser o segmento de parede mais fina, mas o que determina o risco é a combinação de anatomia, mobilidade e doença de base. O sigmoide concentra todos esses fatores, sendo o local de maior incidência de perfuração iatrogênica.
O reto é um segmento fixo, retroperitoneal, de parede espessa e fácil acesso. A perfuração retal é rara e geralmente associada a procedimentos como biópsias profundas ou ressecções de lesões grandes, não sendo o local de maior risco na colonoscopia de rotina.
O cólon sigmoide é o segmento com maior probabilidade de perfuração. Sua anatomia tortuosa, com alças e ângulos, associada à alta prevalência de divertículos, torna a parede mais frágil e o avanço do aparelho mais difícil, aumentando o risco de lesão. É o local clássico de perfuração iatrogênica na colonoscopia.
O cólon descendente é um segmento relativamente reto e fixo, com parede mais espessa que o sigmoide. O risco de perfuração é menor, pois o aparelho já percorreu as alças do sigmoide e encontra menos resistência.
O cólon ascendente é um segmento de parede mais delgada, mas é alcançado com o aparelho em posição mais estável. O risco de perfuração é menor que no sigmoide, embora seja maior que no reto e no descendente.
O ceco tem a parede mais fina de todo o cólon, o que poderia sugerir maior risco. No entanto, a perfuração iatrogênica é menos comum nesse local porque o aparelho já está em posição reta e a progressão é mais suave. O risco teórico pela espessura é superado pelo risco prático das alças e divertículos do sigmoide.
A banca tenta atrair o candidato para o ceco, argumentando que é o segmento de parede mais fina. Mas o que decide a questão é a combinação de anatomia tortuosa, mobilidade e doença diverticular, que faz do sigmoide o local de maior risco. Lembre-se: na colonoscopia, o perigo está onde o aparelho tem mais dificuldade de passar, não onde a parede é mais delgada.
Para questões de complicações em endoscopia, pense sempre no "caminho do aparelho": o sigmoide é o ponto crítico por suas alças e divertículos. Grave a sequência de risco: sigmoide > ceco > ascendente > descendente > reto. Essa hierarquia é cobrada com frequência em provas de gastroenterologia.
Gabarito: letra B
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