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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
vu088793
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endoscopista
Na polipose adenomatosa familiar (PAF). qual das afirmações a seguir é verdadeira quanto aos riscos de câncer do TGI superior após proctocolectomia preventiva?
  1. AA maioria dos pólipos gástricos são adenomas.
  2. BA vigilância com endoscopia usando um endoscópio de visualização lateral, anualmente, é recomendada.
  3. CA incidência de câncer duodenal é de cerca de 40% ao longo da vida.
  4. DOs cânceres duodenais são comuns antes dos 30 anos, se o paciente tiver adenomas duodenais.
  5. EO risco de câncer gástrico ao longo da vida é de, aproximadamente, 0,5%.
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GabaritoE — O risco de câncer gástrico ao longo da vida é de, aproximadamente, 0,5%.

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Polipose adenomatosa familiar (PAF): riscos de câncer do TGI superior após proctocolectomia preventiva

Gabarito: letra E. Na PAF, após a proctocolectomia profilática, o risco de câncer gástrico ao longo da vida é de aproximadamente 0,5% — valor que reflete a baixa incidência desse tumor no estômago, em contraste com o risco muito maior de câncer duodenal, que é a principal preocupação oncológica do TGI superior nesses pacientes. A alternativa E é a única que traz um número correto e compatível com a literatura.

A polipose adenomatosa familiar é uma síndrome hereditária autossômica dominante causada por mutação no gene APC, caracterizada pelo desenvolvimento de centenas a milhares de pólipos adenomatosos no cólon e reto, com risco praticamente inevitável de câncer colorretal se não houver intervenção. Por isso, a proctocolectomia profilática é o tratamento de escolha. No entanto, a cirurgia não elimina o risco de neoplasias em outros segmentos do trato gastrointestinal, especialmente no duodeno e, em menor grau, no estômago.

O que o aluno precisa entender é a hierarquia de riscos no TGI superior da PAF: o duodeno é o sítio de maior preocupação, com risco cumulativo de adenomas duodenais próximo de 90% e risco de câncer duodenal ao longo da vida em torno de 4% a 10% (algumas fontes citam até 12%). Já o estômago apresenta pólipos em cerca de 50% dos pacientes, mas a maioria é de pólipos das glândulas fúndicas, que são hamartomatosos e têm baixo potencial maligno. O risco de câncer gástrico é baixo, estimado em aproximadamente 0,5% ao longo da vida — exatamente o valor da alternativa E.

A vigilância endoscópica do TGI superior é essencial, mas a técnica e a frequência precisam ser adequadas. A recomendação é realizar endoscopia digestiva alta com endoscópio de visão lateral (duodenoscópio) para melhor avaliação da papila duodenal, que é o sítio mais frequente de adenomas e câncer duodenal na PAF. A frequência recomendada é a cada 1 a 3 anos, dependendo da classificação de Spigelman (que estratifica o risco pelo número, tamanho, histologia e displasia dos adenomas duodenais). A vigilância anual com endoscópio de visão lateral é uma opção para pacientes de alto risco, mas não é a recomendação padrão para todos.

A alternativa A está incorreta porque a maioria dos pólipos gástricos na PAF são pólipos das glândulas fúndicas (hamartomatosos), não adenomas. A alternativa B erra ao afirmar que a vigilância anual com endoscópio de visão lateral é a recomendação universal — a frequência varia conforme o risco individual. A alternativa C superestima o risco de câncer duodenal, que é de cerca de 4% a 10%, não 40%. A alternativa D está errada porque os cânceres duodenais na PAF são raros antes dos 30 anos; eles costumam surgir após os 40 anos, mesmo na presença de adenomas duodenais.

A pegadinha central desta questão é a inversão de valores: a banca oferece números que parecem plausíveis, mas que não correspondem à realidade clínica. O candidato que memoriza apenas que "o duodeno é o principal risco" pode ser levado a superestimar a incidência de câncer duodenal (alternativa C) ou a subestimar a necessidade de vigilância adequada (alternativa B). O conhecimento preciso dos percentuais e das recomendações de vigilância é o que separa a resposta correta das incorretas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a alta frequência de adenomas duodenais (quase 90%) e a incidência de câncer duodenal (4–10%). O candidato que confunde "adenoma" com "câncer" tende a marcar a alternativa C (40%), que é um valor inventado. Lembre-se: adenoma é lesão precursora, não câncer — a progressão é lenta e leva anos.

1Estômago
Pólipos em ~50%
Maioria: glândulas fúndicas (hamartomatosos)
Câncer gástrico: ~0,5% (baixo)
2Duodeno (principal preocupação)
Adenomas: ~90%
Câncer duodenal: 4–10%
Raro antes dos 30 anos
3Vigilância
Endoscópio de visão lateral
Frequência: 1–3 anos (Spigelman)
PAF: riscos no TGI superior
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PAF: riscos no TGI superior: Estômago (Pólipos em ~50%, Maioria: glândulas fúndicas (hamartomatosos), Câncer gástrico: ~0,5% (baixo)); Duodeno (principal preocupação) (Adenomas: ~90%, Câncer duodenal: 4–10%, Raro antes dos 30 anos); Vigilância (Endoscópio de visão lateral, Frequência: 1–3 anos (Spigelman))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A maioria dos pólipos gástricos na PAF são pólipos das glândulas fúndicas, que são hamartomatosos e têm baixo potencial de malignidade. Os adenomas gástricos são minoria, correspondendo a cerca de 10% dos pólipos gástricos nesses pacientes. A alternativa inverte a proporção, apresentando os adenomas como maioria, o que é falso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A vigilância com endoscópio de visão lateral é recomendada, mas não anualmente para todos os pacientes. A frequência é estratificada pela classificação de Spigelman: pacientes com baixo risco (Spigelman I e II) podem ser reavaliados a cada 3 anos; risco intermediário (Spigelman III) a cada 1–2 anos; alto risco (Spigelman IV) anualmente ou até com intervalos menores. A alternativa generaliza a recomendação anual, o que não corresponde à prática clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A incidência de câncer duodenal ao longo da vida na PAF é de 4% a 10%, não 40%. O valor de 40% é um distrator que confunde com a frequência de adenomas duodenais, que é de cerca de 90%. A progressão de adenoma para adenocarcinoma duodenal é lenta e ocorre em uma minoria dos pacientes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os cânceres duodenais na PAF são raros antes dos 30 anos. Mesmo na presença de adenomas duodenais, o risco de malignidade aumenta com a idade, sendo mais comum após os 40 anos. A alternativa sugere que a presença de adenomas duodenais leva a câncer precoce, o que não é verdade — a maioria dos adenomas duodenais nunca progride para câncer, e quando progridem, o fazem após décadas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O risco de câncer gástrico ao longo da vida na PAF é de aproximadamente 0,5%. Esse valor reflete a baixa incidência de adenocarcinoma gástrico nesses pacientes, apesar da alta frequência de pólipos gástricos (a maioria hamartomatosos). A alternativa está correta e é a única que apresenta um número compatível com a literatura.

Gabarito: letra E — o risco de câncer gástrico ao longo da vida na PAF é de aproximadamente 0,5%.

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