Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu088796
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endoscopista
Homem de 59 anos de idade, com linfoma MALT. A pesquisa de H. pylori deu resultado positivo. A terapêutica de erradicação teve êxito. Houve remissão completa do linfoma MALT. Seus exames de estadiamento subsequentes são negativos para doença invasiva ou avançada.Qual é o regime de vigilância subsequente mais apropriado para esse caso?
AEndoscopia digestiva alta (EDA) e ecoendoscopia a cada 6 meses, durante 5 anos.
BEDA a cada 6 meses, durante 2 anos; depois, anualmente.
CEDA anual, por 5 anos.
DEDA, se houver sintomas gastrointestinais.
ENão é necessário acompanhamento endoscópico após a remissão do linfoma.
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GabaritoB — EDA a cada 6 meses, durante 2 anos; depois, anualmente.
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Linfoma MALT gástrico: vigilância após remissão
Gabarito: letra B. Após remissão completa do linfoma MALT gástrico localizado, com erradicação bem-sucedida do H. pylori, a vigilância endoscópica recomendada é EDA a cada 6 meses por 2 anos e, depois, anualmente — exatamente o que a alternativa B descreve. Essa conduta visa detectar precocemente recidiva local ou transformação para linfoma de alto grau, eventos que, embora raros após remissão completa, justificam acompanhamento endoscópico periódico.
O linfoma MALT (tecido linfoide associado à mucosa) gástrico é um linfoma de baixo grau, fortemente associado à infecção crônica pelo H. pylori. Em estágios iniciais (localizado à mucosa/submucosa, sem invasão profunda ou linfonodos), a erradicação do H. pylori é o tratamento de primeira linha e leva à remissão completa em cerca de 60-80% dos casos. Quando a remissão é confirmada por endoscopia com biópsias, o paciente entra em vigilância, pois há risco de recidiva — tanto local (reaparecimento do linfoma MALT) quanto, menos comumente, transformação para linfoma difuso de grandes células B (alto grau).
A lógica da vigilância é temporalmente escalonada: nos primeiros 2 anos, o risco de recidiva é maior, justificando intervalos mais curtos (6 meses); após esse período, o risco diminui, e o intervalo pode ser ampliado para anual. Esse esquema — EDA semestral por 2 anos, depois anual — é o padrão adotado por diretrizes de gastroenterologia e oncologia para linfoma MALT gástrico em remissão. A ecoendoscopia não é rotina na vigilância de rotina, sendo reservada para casos de suspeita de invasão mais profunda ou linfonodos. A vigilância apenas mediante sintomas é insuficiente, pois a recidiva pode ser assintomática. E a ausência de acompanhamento é claramente inadequada, dado o risco de recidiva.
A pegadinha da banca está em oferecer intervalos e durações que parecem razoáveis, mas não correspondem ao esquema padrão. A alternativa A, por exemplo, inclui ecoendoscopia, que não é necessária na vigilância de rotina. A alternativa C propõe EDA anual desde o início, o que subestima o risco maior nos primeiros 2 anos. A alternativa D condiciona a EDA a sintomas, o que pode atrasar o diagnóstico de recidiva assintomática. A alternativa E simplesmente dispensa o acompanhamento, o que é perigoso. A alternativa B, com EDA semestral por 2 anos e depois anual, é a que melhor reflete o equilíbrio entre vigilância adequada e uso racional de recursos.
1EDA a cada 6 meses
2Por 2 anos
3Depois, EDA anual
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui ecoendoscopia a cada 6 meses, o que não é recomendado na vigilância de rotina do linfoma MALT em remissão. A ecoendoscopia é útil no estadiamento inicial ou quando há suspeita de invasão profunda, mas não é necessária no seguimento de rotina. Além disso, o esquema de 5 anos com EDA semestral é mais intensivo do que o recomendado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o esquema padrão: EDA a cada 6 meses por 2 anos, depois anualmente. Esse escalonamento reflete o maior risco de recidiva nos primeiros 2 anos e a diminuição posterior. É a conduta mais apropriada para vigilância após remissão completa do linfoma MALT gástrico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Propõe EDA anual por 5 anos, sem o período inicial de vigilância mais intensa (semestral). Isso subestima o risco de recidiva nos primeiros 2 anos, quando a probabilidade é maior. O esquema correto exige EDA semestral nesse período inicial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Condiciona a EDA à presença de sintomas gastrointestinais. Isso é inadequado, pois a recidiva do linfoma MALT pode ser assintomática, e a vigilância endoscópica periódica é necessária para detectá-la precocemente, mesmo sem sintomas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Dispensa completamente o acompanhamento endoscópico após a remissão. Isso é perigoso, pois há risco de recidiva local ou transformação para linfoma de alto grau, que justifica vigilância periódica. A remissão completa não elimina a necessidade de seguimento.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de vigilância oncológica, memorize o padrão temporal: períodos iniciais com intervalos mais curtos (6 meses) e depois mais longos (anual). Isso reflete a maior probabilidade de recidiva nos primeiros anos. Na dúvida, prefira esquemas que escalonem a frequência.