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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
vu088799
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endoscopista
Mulher de 59 anos procura assistência médica por dor epigástrica em queimação. Realizou endoscopia digestiva alta (EDA) que evidenciou úlcera gástrica de 3 cm em pequena curvatura de corpo. O teste da urease com biópsias do antro foi positivo. Com o tratamento de erradicação, apresentou melhora completa dos seus sintomas.Após 1 mês do término da terapia para erradicação do H. pylori, o procedimento correto é:
  1. Acontinuar em uso de inibidor de bomba de prótons por mais 4 semanas.
  2. Bcontinuar o IBP indefinidamente.
  3. Crepetir a EDA.
  4. Drealizar teste não invasivo de H. pylori.
  5. Edevido à melhora completa dos sintomas, nenhum exame adicional está indicado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — repetir a EDA.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlcera gástrica e H. pylori: seguimento após erradicação

Gabarito: letra C. Em úlcera gástrica, mesmo com melhora clínica e erradicação do H. pylori, é obrigatório repetir a endoscopia digestiva alta (EDA) para confirmar a cicatrização e excluir neoplasia — a úlcera gástrica tem risco de malignidade, e a melhora dos sintomas não afasta essa possibilidade. A conduta se baseia nas diretrizes de gastroenterologia, que recomendam o controle endoscópico para úlceras gástricas.

A úlcera péptica é uma lesão que penetra a mucosa ≥ 5 mm, recoberta por fibrina, e o local mais frequente das úlceras gástricas é o ângulo gástrico da pequena curvatura — exatamente o caso da paciente. O diagnóstico endoscópico deve ser acompanhado de biópsias para exclusão de neoplasia e detecção de H. pylori, como foi feito. O tratamento de erradicação do H. pylori com esquema tríplice por 14 dias é o fundamento da terapia, e a melhora clínica é esperada. No entanto, a úlcera gástrica tem potencial de malignidade, e a simples melhora dos sintomas não é suficiente para afastar adenocarcinoma. Por isso, a recomendação é repetir a EDA com biópsias para confirmar a cura da úlcera e a erradicação do H. pylori.

A distinção crucial é entre úlcera gástrica e úlcera duodenal. Enquanto a úlcera duodenal tem risco muito baixo de malignidade e pode ser acompanhada de forma não invasiva, a úlcera gástrica exige controle endoscópico para excluir neoplasia. Essa diferença é o ponto central da questão: a banca explora a confusão entre o seguimento das duas entidades. O teste não invasivo de H. pylori (alternativa D) é útil para confirmar a erradicação, mas não substitui a EDA na úlcera gástrica, pois não avalia a cicatrização nem exclui malignidade. A melhora dos sintomas (alternativa E) não é critério para dispensar o controle endoscópico.

A pegadinha está em considerar que a melhora clínica e a erradicação do H. pylori encerram o caso. Na úlcera gástrica, o seguimento endoscópico é mandatório, independentemente da resposta clínica. O teste da urease positivo confirma a infecção, mas a úlcera gástrica de 3 cm em pequena curvatura é uma lesão que precisa ser reavaliada endoscopicamente após o tratamento. A conduta correta é repetir a EDA para documentar a cicatrização e realizar novas biópsias, se necessário.

Guarde a fronteira: úlcera gástrica → controle endoscópico obrigatório; úlcera duodenal → pode ser acompanhada por teste não invasivo. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

Úlcera Gástrica

Úlcera Duodenal

Risco de malignidade

Alto (exige exclusão de neoplasia)

Muito baixo

Seguimento após erradicação do H. pylori

EDA obrigatória (repetir endoscopia com biópsias)

Teste não invasivo de H. pylori (ou acompanhamento clínico)

Base da conduta

Confirmar cicatrização e excluir adenocarcinoma

Confirmar erradicação, sem necessidade de controle endoscópico

Úlcera gástrica (risco de malignidade)
  • 1Seguimento obrigatório
    • Repetir EDA com biópsias
    • Confirmar cicatrização
    • Excluir neoplasia
  • 2Melhora clínica não dispensa
  • 3Erradicação do H. pylori
    • Confirma com teste não invasivo
    • Não substitui a EDA
  • 4Úlcera duodenal (baixo risco)
    • Seguimento não invasivo
      • Teste respiratório
      • Antígeno fecal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Continuar o IBP por mais 4 semanas não é o procedimento correto após a erradicação. O IBP já fez parte do tratamento de erradicação (esquema tríplice por 14 dias), e a melhora clínica foi completa. Não há indicação de prolongar o IBP por mais 4 semanas apenas por isso. A manutenção do IBP poderia ser considerada em casos específicos (úlcera complicada, uso contínuo de AINE, úlcera refratária), mas não é o caso da paciente, que teve melhora completa. O erro está em tratar a úlcera gástrica como se o IBP fosse a única medida, ignorando a necessidade de controle endoscópico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Continuar o IBP indefinidamente é uma conduta sem indicação. A terapia de manutenção com IBP é reservada para pacientes de alto risco de recorrência, como úlcera gigante (> 2 cm) em maiores de 50 anos, doença ulcerosa H. pylori-negativa, úlcera refratária ou uso continuado de AINE. A paciente tem 59 anos e úlcera de 3 cm, o que poderia sugerir manutenção, mas a erradicação do H. pylori foi bem-sucedida e os sintomas desapareceram. A manutenção indefinida de IBP não é o procedimento correto após a erradicação; o que se impõe é a repetição da EDA. Além disso, o uso crônico de IBP tem riscos (deficiência de vitamina B12, fraturas, etc.) e deve ser evitado sem indicação clara.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Repetir a EDA é a conduta correta. A úlcera gástrica tem risco de malignidade, e a melhora clínica não afasta adenocarcinoma. A recomendação é repetir a EDA com biópsias para confirmar a cicatrização da úlcera e a erradicação do H. pylori. O material de apoio é claro: "É recomendável repetir a EDA com biópsias para confirmar a cura da úlcera péptica gástrica em pacientes com risco de neoplasia, sintomas persistentes e/ou para confirmação de erradicação do HP." A paciente tem úlcera gástrica de 3 cm, o que a coloca em risco de neoplasia, e a EDA é o padrão-ouro para avaliar a cicatrização e excluir malignidade. A melhora dos sintomas não é suficiente para dispensar o controle endoscópico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Realizar teste não invasivo de H. pylori (como teste respiratório ou pesquisa de antígeno fecal) é útil para confirmar a erradicação, mas não é o procedimento correto neste caso. O teste não invasivo não avalia a cicatrização da úlcera gástrica nem exclui neoplasia. Na úlcera gástrica, o controle endoscópico é obrigatório, e o teste não invasivo seria um complemento, não um substituto. A alternativa confunde o seguimento da úlcera duodenal (onde o teste não invasivo é suficiente) com o da úlcera gástrica (onde a EDA é necessária).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Devido à melhora completa dos sintomas, nenhum exame adicional está indicado — esta é a armadilha clássica. A melhora clínica não é critério para dispensar o controle endoscópico na úlcera gástrica. O risco de malignidade persiste mesmo com a resolução dos sintomas, e a EDA é necessária para documentar a cicatrização e excluir neoplasia. A alternativa ignora a recomendação de repetir a EDA em úlceras gástricas, que é uma conduta mandatória independentemente da resposta clínica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre úlcera gástrica e duodenal. Na úlcera duodenal, o seguimento pode ser feito com teste não invasivo de H. pylori, e a melhora clínica é um bom sinal. Na úlcera gástrica, porém, o controle endoscópico é obrigatório para excluir malignidade. A melhora dos sintomas (alternativa E) e o teste não invasivo (alternativa D) são distratores que parecem razoáveis, mas não se aplicam à úlcera gástrica. Lembre-se: úlcera gástrica → EDA de controle; úlcera duodenal → teste não invasivo.

Gabarito: letra C

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