Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu088802
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Endoscopista
Homem de 50 anos, previamente hígido, procurou gastroenterologista por dispepsia. Realizou endoscopia digestiva alta (EDA), que mostrou epitelização colunar com 3 cm de extensão. Foram realizadas biópsias de quatro quadrantes a cada 1 cm ao longo da epitelização colunar. Não há nódulos ou irregularidades da mucosa. Realizadas biópsias. Anatomopatológico diagnosticou esôfago de Barrett com displasia de baixo grau.A conduta mais adequada para esse paciente é:
Arepetir EDA em 6 meses.
BEDA de vigilância a cada 12 meses.
Crealizar ablação por radiofrequência.
Dressecção mucosa endoscópica seguida por terapia de erradicação endoscópica do epitélio metaplásico residual.
Eressecção mucosa endoscópica.
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GabaritoC — realizar ablação por radiofrequência.
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Esôfago de Barrett com displasia de baixo grau: manejo endoscópico
Gabarito: letra C. Na vigência de esôfago de Barrett com displasia de baixo grau confirmada, a conduta mais adequada é a ablação por radiofrequência, conforme as diretrizes atuais de manejo endoscópico. A vigilância endoscópica (alternativas A e B) é reservada para casos sem displasia ou com displasia de baixo grau em situações específicas, enquanto a ressecção endoscópica (alternativas D e E) é indicada quando há lesão elevada/nodular ou displasia de alto grau/câncer precoce.
O esôfago de Barrett é uma condição na qual o epitélio escamoso estratificado do esôfago distal é substituído por epitélio colunar metaplásico, em resposta à lesão crônica pelo refluxo gastroesofágico. Essa metaplasia intestinal confere risco aumentado de adenocarcinoma esofágico, e a progressão ocorre através de uma sequência de displasia de baixo grau, displasia de alto grau e, finalmente, carcinoma invasivo. O diagnóstico de displasia de baixo grau é desafiador, com significativa variabilidade interobservador, e por isso a confirmação por um segundo patologista especializado é recomendada antes de decisões terapêuticas.
A conduta no esôfago de Barrett depende da presença e do grau de displasia. Para displasia de baixo grau, as diretrizes atuais (como as da American College of Gastroenterology e da European Society of Gastrointestinal Endoscopy) recomendam a erradicação endoscópica do epitélio metaplásico, sendo a ablação por radiofrequência a modalidade de primeira linha. Essa recomendação baseia-se em estudos que demonstram redução da progressão para displasia de alto grau e adenocarcinoma, além de ser um procedimento seguro e eficaz. A vigilância endoscópica com intervalos curtos (6 meses) ou anuais (12 meses) é uma alternativa aceitável em casos selecionados, como displasia de baixo grau não confirmada ou em pacientes com comorbidades que contraindiquem o procedimento, mas não é a conduta preferencial quando a displasia é confirmada.
A ressecção mucosa endoscópica é indicada quando há lesão elevada, nodular ou irregular, pois permite a remoção da lesão para estadiamento histopatológico. No caso descrito, não há nódulos ou irregularidades, portanto a ressecção não é necessária. A ablação por radiofrequência, por sua vez, trata o epitélio metaplásico plano, que é o cenário apresentado. A alternativa D combina ressecção e ablação, mas a ressecção não é indicada sem lesão focal. A alternativa E propõe apenas ressecção, o que seria insuficiente para erradicar todo o epitélio metaplásico.
A decisão entre ablação e vigilância também considera a extensão do Barrett (3 cm, neste caso, classificado como Barrett longo), a idade do paciente (50 anos, com expectativa de vida longa) e a confirmação da displasia. A ablação por radiofrequência é bem tolerada, com taxas de erradicação completa da metaplasia em torno de 80-90%, e reduz o risco de progressão neoplásica. Portanto, a conduta mais adequada é a ablação por radiofrequência.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as indicações de vigilância e de tratamento endoscópico. Muitos candidatos optam por vigilância (A ou B) por considerar a displasia de baixo grau de baixo risco, mas as diretrizes atuais recomendam tratamento ativo. A presença de displasia confirmada, mesmo de baixo grau, é indicação de erradicação endoscópica, e não apenas vigilância. Fique atento: a ausência de nódulos não contraindica a ablação, mas contraindica a ressecção.
Esôfago de Barrett
1Sem displasia
Vigilância endoscópica (3-5 anos)
2Displasia de baixo grau
Ablação por radiofrequência (1ª linha)
Vigilância (casos selecionados)
3Displasia de alto grau / câncer precoce
Ressecção mucosa endoscópica
Lesão nodular ou elevada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Repetir EDA em 6 meses é uma conduta de vigilância intensificada, indicada em casos de displasia de baixo grau não confirmada ou quando há dúvida diagnóstica. Como a displasia foi confirmada pelo anatomopatológico, a vigilância não é a conduta preferencial. A ablação por radiofrequência é o tratamento de escolha.
Alternativa B — ❌ Incorreta
EDA de vigilância a cada 12 meses é o intervalo recomendado para esôfago de Barrett sem displasia. Na presença de displasia de baixo grau confirmada, a conduta é terapêutica, não apenas vigilância. A vigilância anual seria insuficiente para prevenir a progressão neoplásica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ablação por radiofrequência é o tratamento de primeira linha para esôfago de Barrett com displasia de baixo grau confirmada. O procedimento erradica o epitélio metaplásico, reduzindo o risco de progressão para displasia de alto grau e adenocarcinoma. É indicada na ausência de lesões elevadas ou nodulares, como no caso descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ressecção mucosa endoscópica seguida de erradicação do epitélio residual é indicada quando há lesão elevada, nodular ou irregular, que deve ser ressecada para estadiamento. No caso, não há nódulos ou irregularidades, portanto a ressecção não é necessária. A ablação isolada é suficiente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ressecção mucosa endoscópica isolada é indicada para lesões focais (nódulos, irregularidades) e não erradica todo o epitélio metaplásico plano. No caso descrito, sem lesões focais, a ressecção não é indicada, e a ablação por radiofrequência é o tratamento adequado.