Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2024
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu088825
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
Puérpera, 35 anos de idade, encontra-se no 45o dia pós-parto. Tabagista de 17 cigarros por dia, nega amamentação materna. Solicita método anticoncepcional. Nega antecedente de tromboembolismo ou outras comorbidades, exceto por IMC 34 kg/m² .Assinale a alternativa que representa o método anticoncepcional mais adequado para essa paciente.
AAnticoncepcional hormonal combinado oral.
BPílula de progestágeno.
CInjetável mensal.
DAnel vaginal.
EAdesivo transdérmico.
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GabaritoB — Pílula de progestágeno.
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Anticoncepção no puerpério: critérios de elegibilidade da OMS
Gabarito: letra B. A paciente tem 35 anos, é tabagista (17 cigarros/dia) e está no 45º dia pós-parto, sem amamentar. Pela tabela de critérios de elegibilidade da OMS, o tabagismo ≥ 15 cigarros/dia em idade ≥ 35 anos é condição categoria 4 para contraceptivos hormonais combinados (CHC) — ou seja, o método não deve ser usado. A pílula de progestágeno (POP) é a opção mais adequada, pois não contém estrogênio e não apresenta essa contraindicação, sendo classificada como categoria 1 para tabagismo e obesidade.
A escolha do método anticoncepcional no puerpério exige a avaliação de múltiplos fatores de risco cardiovascular, e a tabela da OMS é a ferramenta central para essa decisão. Ela classifica cada condição clínica em categorias de 1 a 4, em que a categoria 1 significa que o método pode ser usado sem restrições, a categoria 2 que os benefícios superam os riscos, a categoria 3 que os riscos geralmente superam os benefícios (uso com cautela) e a categoria 4 que o método não deve ser usado. No caso apresentado, dois fatores se destacam: o tabagismo de 17 cigarros/dia em mulher com 35 anos ou mais e a obesidade (IMC 34 kg/m²).
O tabagismo é um fator de risco cardiovascular bem estabelecido, e seu efeito é potencializado pelo uso de estrogênio. Por isso, a OMS estabelece que, para mulheres com idade ≥ 35 anos que fumam ≥ 15 cigarros/dia, o uso de contraceptivos hormonais combinados (orais, anel vaginal, adesivo transdérmico e injetável mensal) é categoria 4 — contraindicação absoluta. Já para os métodos apenas com progestágeno (pílula, implante, DIU hormonal), o tabagismo não representa contraindicação, sendo categoria 1. A obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) também é avaliada: para CHC é categoria 2 (benefícios superam riscos), mas quando associada a outros fatores de risco cardiovascular, como o tabagismo, a classificação pode subir para categoria 3 ou 4.
A paciente está no 45º dia pós-parto e não amamenta. Esse dado é relevante porque, no pós-parto, há um risco aumentado de tromboembolismo venoso (TEV), especialmente nas primeiras semanas. A OMS classifica o uso de CHC em mulheres não lactantes no pós-parto como categoria 1 após 21 dias, mas a presença de outros fatores de risco (como tabagismo e obesidade) pode elevar essa classificação. No caso, a combinação de tabagismo ≥ 15 cigarros/dia + idade ≥ 35 anos já é suficiente para contraindicação absoluta dos CHC, independentemente do pós-parto.
A distinção crucial que a banca explora é entre métodos combinados (estrogênio + progestágeno) e métodos apenas com progestágeno. Os primeiros — pílula combinada oral, anel vaginal, adesivo transdérmico e injetável mensal — estão todos contraindicados (categoria 4) para esta paciente. Os segundos — pílula de progestágeno (POP), implante subdérmico, DIU de cobre e SIU-LNG — são seguros (categoria 1 ou 2). A pegadinha está em reconhecer que o injetável mensal, apesar de ser uma opção diferente da pílula oral, também é um método combinado e, portanto, igualmente contraindicado.
Guarde a fronteira: tabagismo ≥ 15 cigarros/dia + idade ≥ 35 anos = categoria 4 para qualquer método com estrogênio. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.
Métodos contraceptivos
1Combinados (estrogênio + progestágeno)
Pílula oral
Anel vaginal
Adesivo transdérmico
Injetável mensal
Tabagismo ≥15/dia + idade ≥35 anos → categoria 4
2Somente progestágeno
Pílula (POP)
Implante subdérmico
DIU hormonal
Seguros (categoria 1/2)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O anticoncepcional hormonal combinado oral (CHC) contém estrogênio e progestágeno. Para esta paciente, tabagista de 17 cigarros/dia com 35 anos, a OMS classifica o uso como categoria 4 (não deve ser usado), devido ao risco aumentado de eventos tromboembólicos e cardiovasculares. A alternativa ignora a contraindicação absoluta imposta pelo tabagismo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pílula de progestágeno (POP) é um método apenas com progestágeno, sem estrogênio. Para tabagismo, a OMS classifica como categoria 1 (sem restrição), mesmo em mulheres com idade ≥ 35 anos e fumantes de ≥ 15 cigarros/dia. Para obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²), também é categoria 1. Portanto, é a opção mais adequada e segura para esta paciente, pois não apresenta as contraindicações dos métodos combinados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O injetável mensal (como o mesigyna, que contém enantato de noretisterona + valerato de estradiol) é um método combinado, contendo estrogênio. Pela tabela da OMS, para tabagismo ≥ 15 cigarros/dia em idade ≥ 35 anos, a classificação é categoria 4 — contraindicação absoluta. A alternativa erra ao tratar o injetável mensal como uma opção segura, ignorando que ele compartilha as mesmas contraindicações dos CHC orais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O anel vaginal (etonogestrel + etinilestradiol) é um método combinado, liberando estrogênio sistemicamente. Os critérios de elegibilidade são os mesmos dos contraceptivos orais combinados, conforme a tabela da OMS. Para esta paciente, o tabagismo ≥ 15 cigarros/dia com idade ≥ 35 anos impõe categoria 4, tornando o método contraindicado. A alternativa desconsidera que a via de administração não elimina o risco cardiovascular do estrogênio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O adesivo transdérmico (norelgestromina + etinilestradiol) também é um método combinado, com liberação sistêmica de estrogênio. Aplica-se a mesma regra: tabagismo ≥ 15 cigarros/dia + idade ≥ 35 anos = categoria 4 pela OMS. Além disso, o adesivo tem eficácia reduzida em mulheres com IMC ≥ 30 kg/m², o que reforça a inadequação para esta paciente, que tem IMC 34 kg/m².
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre métodos combinados e apenas com progestágeno. O injetável mensal, o anel vaginal e o adesivo transdérmico são todos combinados (contêm estrogênio) e, portanto, igualmente contraindicados para tabagista ≥ 35 anos fumando ≥ 15 cigarros/dia. O candidato que memoriza apenas "pílula combinada é contraindicada" pode achar que o injetável ou o anel são opções válidas — mas todos caem na mesma categoria 4. A única alternativa sem estrogênio entre as listadas é a pílula de progestágeno.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao se deparar com uma paciente tabagista, verifique idade e número de cigarros/dia. Se idade ≥ 35 anos e ≥ 15 cigarros/dia, elimine imediatamente todas as opções com estrogênio (combinados orais, anel, adesivo, injetável mensal). As opções seguras serão sempre as de progestágeno isolado (POP, implante, DIU hormonal) ou não hormonais (DIU de cobre, métodos de barreira).
Gabarito: letra B — a pílula de progestágeno é o método mais adequado, pois não contém estrogênio e não apresenta contraindicação para tabagismo ou obesidade.