Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2024
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu088832
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
D.T.N., 58 anos, menopausada há 5 anos, vem ao consultório ginecológico com queixa de sangramento vaginal há 10 dias, em quantidade moderada. Nega terapia de reposição hormonal prévia. GII PI 1N AI, DM tipo II, em uso de insulina e hipertensa crônica, em uso de maleato de enalapril. IMC 34 kg/m² . Ao exame físico: especular: colo uterino sem lesões, sangramento vermelho vivo em pequena quantidade. Ao ultrassom transvaginal: EE (ecoendometrial) de 4 mm.Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.
AAcetato de medroxiprogesterona 150 mg IM.
BMétodo hormonal combinado oral.
CRNM de pelve.
DHisteroscopia diagnóstica.
EExpectante, uma vez que EE encontra-se normal.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Histeroscopia diagnóstica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sangramento pós-menopausa: investigação da cavidade endometrial
Gabarito: letra D. Em mulher pós-menopausada com sangramento vaginal, mesmo com ecoendometrial (EE) de 4 mm, a conduta mais adequada é a histeroscopia diagnóstica, pois o sangramento pós-menopausa é indicação formal de investigação da cavidade uterina, independentemente da espessura endometrial. A conduta expectante (letra E) seria aceitável apenas se o EE fosse normal e não houvesse sangramento — o que não é o caso.
O sangramento pós-menopausa é definido como qualquer sangramento vaginal que ocorre após 12 meses de amenorreia em mulher sem uso de terapia hormonal. É um sintoma que exige investigação obrigatória, pois o principal objetivo é afastar carcinoma endometrial. A ultrassonografia transvaginal é o primeiro exame a ser realizado, avaliando a espessura do endométrio (EE). O ponto crítico é que, na pós-menopausa, o valor de corte tradicionalmente aceito para considerar o endométrio normal é EE ≤ 4 mm. No entanto, a presença de sangramento ativo é uma indicação absoluta de investigação da cavidade, mesmo que o EE esteja dentro do limite. Isso porque o sangramento pode ser a manifestação de uma lesão focal (pólipo, mioma submucoso) ou de hiperplasia/câncer endometrial que não altera significativamente a espessura medida.
A investigação da cavidade uterina pode ser feita por histeroscopia diagnóstica (visualização direta da cavidade com possibilidade de biópsia dirigida) ou por biópsia de endométrio (ambulatorial, às cegas). A histeroscopia é superior por permitir a visualização direta e a biópsia de lesões focais, sendo o padrão-ouro para o diagnóstico de patologias intracavitárias. Na paciente em questão, além do sangramento, há fatores de risco adicionais para hiperplasia/câncer endometrial: obesidade (IMC 34 kg/m²), diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial — todos componentes da síndrome metabólica, que aumentam o risco de neoplasia endometrial por hiperestrogenismo relativo.
A conduta expectante (letra E) seria considerada apenas se a paciente estivesse assintomática e com EE normal. Como há sangramento ativo, a conduta expectante é inadequada. As alternativas hormonais (A e B) tratam o sangramento disfuncional, mas não são apropriadas como primeira conduta na pós-menopausa, pois mascaram o sintoma sem investigar a causa — e, na presença de lesão maligna, o uso de hormônios pode ser prejudicial. A ressonância nuclear magnética (RNM) de pelve (letra C) não é o exame inicial para investigação de sangramento pós-menopausa; é reservada para estadiamento de neoplasia já diagnosticada ou para casos selecionados.
A distinção fundamental que decide esta questão é: na pós-menopausa, o sangramento é o sintoma que manda investigar, não o valor do EE. O EE de 4 mm está no limite, mas a presença de sangramento ativo torna obrigatória a avaliação da cavidade. A banca explora exatamente essa armadilha: o candidato que se fixa apenas no valor do EE (4 mm, considerado normal) e esquece que o sangramento é o gatilho para investigação, tende a escolher a conduta expectante (letra E), que é incorreta.
1Sangramento pós-menopausa
2US transvaginal (EE)
3Histeroscopia + biópsia
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O acetato de medroxiprogesterona 150 mg IM é um progestagênio utilizado para tratamento de sangramento uterino disfuncional, mas não é a conduta inicial em sangramento pós-menopausa. Nessa fase, o sangramento deve ser investigado para excluir neoplasia antes de qualquer tratamento hormonal. O uso de progestagênio sem investigação prévia pode mascarar um carcinoma endometrial e atrasar o diagnóstico. Além disso, a dose de 150 mg IM é a utilizada para anticoncepção (AMP-D), não para tratamento de sangramento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O método hormonal combinado oral (estrogênio + progestagênio) é utilizado para tratamento de sangramento disfuncional em mulheres na pré-menopausa ou perimenopausa. Na pós-menopausa, não há indicação de terapia hormonal para controle de sangramento sem investigação prévia da cavidade endometrial. Além disso, a paciente tem contraindicações relativas ao uso de estrogênio (obesidade, diabetes, hipertensão), que aumentam o risco de eventos tromboembólicos. A conduta correta é investigar a causa do sangramento, não tratá-lo hormonalmente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A RNM de pelve não é o exame de primeira linha para investigação de sangramento pós-menopausa. A ultrassonografia transvaginal é o exame inicial, e a histeroscopia com biópsia é o método diagnóstico definitivo. A RNM é reservada para estadiamento de carcinoma endometrial já diagnosticado ou para avaliação de extensão tumoral, não para o diagnóstico inicial de sangramento. Solicitar RNM como primeira conduta seria um erro de sequência diagnóstica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A histeroscopia diagnóstica é a conduta mais adequada. O sangramento pós-menopausa é indicação formal de investigação da cavidade uterina, e a histeroscopia permite a visualização direta da cavidade endometrial com possibilidade de biópsia dirigida de lesões focais (pólipos, miomas submucosos, hiperplasias, carcinomas). Mesmo com EE de 4 mm, a presença de sangramento ativo justifica a investigação. A paciente ainda apresenta fatores de risco (obesidade, diabetes, hipertensão) que reforçam a necessidade de avaliação completa da cavidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A conduta expectante seria aceitável apenas se a paciente estivesse assintomática e com EE normal. No caso, há sangramento vaginal ativo, o que é uma indicação absoluta de investigação, independentemente do valor do EE. Considerar o EE de 4 mm como "normal" e optar por observação é um erro grave, pois pode atrasar o diagnóstico de uma neoplasia endometrial. O sangramento pós-menopausa nunca deve ser tratado de forma expectante sem investigação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o valor do EE e a presença de sangramento. O candidato que se fixa no EE de 4 mm (dentro do limite de normalidade) e esquece que o sangramento pós-menopausa é o gatilho para investigação tende a escolher a letra E (expectante). Lembre-se: na pós-menopausa, o sangramento manda investigar, não o valor do EE. A histeroscopia é o padrão-ouro para essa investigação.
PEGA ESSA DICA!
Na pós-menopausa, decore a sequência: sangramento → US transvaginal → histeroscopia com biópsia. O EE ≤ 4 mm é considerado normal apenas em paciente assintomática. Se houver sangramento, a investigação é obrigatória, mesmo com EE normal. Fatores de risco (obesidade, diabetes, hipertensão, uso de tamoxifeno) reforçam a necessidade de investigação.