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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088841
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Paciente de 24 anos, com diagnóstico de teratoma imaturo de ovário esquerdo, com implantes peritoneais, tratada com cirurgia com citorredução completa, preservação de útero e anexos esquerdos. Apresentava antes da cirurgia alfa-fetoproteína sérica de 1200 ng/mL e beta HCG < 2 mUI/mL, DHL de 180 UI/mL, com normalização dos marcadores após a cirurgia. A seguir recebeu quimioterapia sistêmica adjuvante com 3 ciclos de BEP (bleomicina, etoposide e cisplatina). Três meses após a quimioterapia sistêmica, tomografia computadorizada de abdome revelou novas massas peritoneais, alfa-fetoproteína = 1,3 ng/mL, beta HCG < 2 mUI/mL e DHL = 120 UI/mL.Neste caso,
  1. Adeve ser iniciada quimioterapia com VIP (vimblastina, ifosfamida e cisplatina).
  2. Bnão é necessária intervenção; pode se tratar de growing teratoma syndrome.
  3. Cestá indicada nova laparotomia exploradora para citorredução e seguimento.
  4. Ddeve ser iniciada quimioterapia sistêmica com BEP (bleomicina, etoposide e cisplatina).
  5. Eestá indicada terapia de alta dose, seguida de transplante de medula autólogo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — está indicada nova laparotomia exploradora para citorredução e seguimento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Teratoma imaturo de ovário: conduta após recidiva com marcadores normais

Gabarito: letra C. Em paciente com teratoma imaturo de ovário que, após cirurgia e quimioterapia adjuvante com BEP, apresenta novas massas peritoneais sem elevação dos marcadores tumorais (AFP, beta-HCG e DHL normais), a conduta é a nova laparotomia exploradora para citorredução e seguimento — pois a normalidade dos marcadores sugere fortemente doença não secretora, como o growing teratoma syndrome ou teratoma maduro, que não responde à quimioterapia. A alternativa C está correta.

O teratoma imaturo é um tumor de células germinativas do ovário que pode secretar alfa-fetoproteína (AFP), mas raramente beta-HCG. O tratamento padrão para doença avançada inclui citorredução cirúrgica completa seguida de quimioterapia adjuvante com BEP (bleomicina, etoposide e cisplatina). O growing teratoma syndrome é uma condição rara em que, após o tratamento de um tumor de células germinativas, surgem massas que crescem, mas com marcadores tumorais normais — histologicamente, são teratomas maduros (benignos). Essas massas não respondem à quimioterapia nem à radioterapia; o tratamento é cirúrgico, com ressecção completa. A normalização dos marcadores após a cirurgia inicial e a manutenção deles normais após o aparecimento das novas massas são o ponto-chave: indicam que a recidiva não é secretora, afastando doença maligna ativa que exigiria quimioterapia de resgate. Por isso, a conduta é cirúrgica, não quimioterápica.

A distinção crucial é entre recidiva maligna secretora (marcadores elevados) e growing teratoma syndrome (marcadores normais). Na primeira, a quimioterapia de resgate (como VIP ou TIP) ou terapia de alta dose com transplante autólogo pode ser considerada. Na segunda, a quimioterapia é ineficaz e a cirurgia é o único tratamento eficaz. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que, por haver novas massas, trata-se de recidiva maligna e indicar quimioterapia — mas a normalidade dos marcadores é o dado que muda a conduta. A laparotomia exploradora serve tanto para confirmar o diagnóstico (biópsia) quanto para tratar (citorredução), e o seguimento é essencial, pois há risco de transformação maligna em uma pequena porcentagem dos casos.

Na prática, o raciocínio clínico é: (1) massas peritoneais novas + marcadores normais → suspeitar de growing teratoma syndrome ou teratoma maduro; (2) confirmar com imagem e, idealmente, biópsia; (3) tratar com ressecção cirúrgica completa; (4) manter vigilância, pois pode haver recidiva ou transformação maligna. A quimioterapia não tem papel nesse cenário, e a terapia de alta dose com transplante é reservada para doença maligna refratária, não para teratoma maduro.

A pegadinha da questão está em associar automaticamente "novas massas" a "recidiva maligna" e indicar quimioterapia. O dado decisivo é a normalidade dos marcadores tumorais, que aponta para doença não secretora. Guarde essa fronteira: marcadores elevados → doença maligna ativa → quimioterapia; marcadores normais → growing teratoma syndrome ou teratoma maduro → cirurgia.

Recidiva de tumor de células germinativas
  • 1Marcadores elevados
    • Doença maligna ativa
    • Quimioterapia de resgate (VIP/TIP)
    • Terapia de alta dose + transplante
  • 2Marcadores normais
    • Growing teratoma syndrome / teratoma maduro
    • Não responde à quimioterapia
    • Cirurgia (laparotomia + citorredução)
    • Seguimento (risco de transformação maligna)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O VIP (vimblastina, ifosfamida e cisplatina) é um esquema de resgate para tumores de células germinativas, indicado quando há recidiva maligna com marcadores elevados. Neste caso, os marcadores estão normais, o que sugere growing teratoma syndrome, que não responde à quimioterapia. A alternativa erra ao indicar quimioterapia de resgate para uma doença que não é secretora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "não é necessária intervenção; pode se tratar de growing teratoma syndrome". Embora o diagnóstico de growing teratoma syndrome seja plausível, a conduta não é apenas observar: é indicada a laparotomia exploradora para citorredução. O growing teratoma syndrome é tratado cirurgicamente, não com vigilância passiva, pois as massas podem crescer, comprimir estruturas e, raramente, sofrer transformação maligna. A alternativa erra ao sugerir que não há intervenção necessária.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A paciente apresenta novas massas peritoneais com marcadores tumorais normais (AFP 1,3 ng/mL, beta-HCG < 2 mUI/mL, DHL 120 UI/mL), o que é compatível com growing teratoma syndrome ou teratoma maduro. A conduta é a nova laparotomia exploradora para citorredução e seguimento, pois a cirurgia é o único tratamento eficaz para essas massas não secretoras, e o seguimento é necessário para monitorar possível transformação maligna. A alternativa está correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Repetir o BEP (bleomicina, etoposide e cisplatina) seria indicado se houvesse recidiva maligna secretora, mas os marcadores estão normais. A quimioterapia é ineficaz no growing teratoma syndrome, e repetir o mesmo esquema sem evidência de doença maligna ativa não é a conduta adequada. A alternativa erra ao indicar quimioterapia adjuvante de repetição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A terapia de alta dose com transplante de medula autólogo é reservada para tumores de células germinativas malignos refratários ou recidivados, com marcadores elevados. Neste caso, os marcadores estão normais, indicando doença não secretora, que não responde a esse tratamento. A alternativa erra ao indicar terapia de alta dose para uma condição que é tratada cirurgicamente.

Gabarito: letra C

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