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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088843
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Em pacientes com câncer de colo uterino, com indicação de quimiorradioterapia concomitante com cisplatina,
  1. Aa radioterapia deve ser dirigida para a pelve, sem envolver a região para aórtica.
  2. Ba braquiterapia está indicada apenas para estádio III ou superior.
  3. Cos melhores resultados são obtidos quando o tratamento é completado dentro de 8 semanas.
  4. Do planejamento com ressonância magnética é superior àquele baseado em tomografia computadorizada.
  5. Ea quimioterapia deve ser estender por uma semana após o término da radioterapia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é completado dentro de 8 semanas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quimiorradioterapia no câncer de colo uterino: duração do tratamento

Gabarito: letra C. No câncer de colo uterino localmente avançado, a quimiorradioterapia concomitante com cisplatina é o tratamento padrão, e os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é completado dentro de 8 semanas — a duração total do tratamento é um fator prognóstico crítico, pois prolongamentos estão associados a piores taxas de controle local e sobrevida. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou dados incorretos sobre o manejo dessa doença.

A quimiorradioterapia concomitante é o tratamento de escolha para o câncer de colo uterino localmente avançado (estádios IB3 a IVA, pela FIGO). O racional é duplo: a cisplatina atua como radiossensibilizador, potencializando o efeito da radiação sobre as células tumorais, e a associação demonstrou melhora da sobrevida global e redução das taxas de recorrência quando comparada à radioterapia isolada. O tratamento combina radioterapia externa pélvica (com ou sem extensão para região para-aórtica, conforme o comprometimento linfonodal) e braquiterapia, que é componente essencial para atingir doses curativas no tumor primário.

O ponto central desta questão é a duração total do tratamento. Estudos clássicos demonstraram que o prolongamento da duração da radioterapia (por pausas não programadas, atrasos ou falhas na conclusão da braquiterapia) está associado a pior controle local e menor sobrevida. Isso ocorre porque, durante o intervalo, as células tumorais podem se repopular, tornando o tratamento menos eficaz. Por isso, a recomendação é que o tratamento completo — radioterapia externa + braquiterapia — seja concluído em até 8 semanas. Esse é um dado consolidado na literatura e frequentemente cobrado em provas de oncologia.

A braquiterapia, por sua vez, é indicada para todos os estádios em que há tumor localizado no colo uterino, não apenas para estádios III ou superiores. Ela é parte integrante do tratamento curativo desde os estádios iniciais (IB2, por exemplo), pois permite administrar altas doses de radiação diretamente no tumor, poupando os tecidos vizinhos. Já o planejamento por ressonância magnética (RM) é superior ao baseado em tomografia computadorizada (TC) para avaliar a extensão local da doença, mas a questão não trata disso — a alternativa D, embora verdadeira em si, não é o foco da pergunta, que é sobre a duração do tratamento.

A quimioterapia com cisplatina é administrada durante a radioterapia, como radiossensibilizador, e não deve ser estendida por uma semana após o término da radioterapia. O esquema típico é semanal, concomitante à radioterapia externa, e não há recomendação de prolongamento após o término. A alternativa E, portanto, está incorreta.

A alternativa A também está incorreta: a radioterapia pode envolver a região para-aórtica quando há comprometimento linfonodal para-aórtico, identificado por exames de imagem como PET/TC ou RM. Não é uma contraindicação absoluta, mas uma decisão baseada no estadiamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a duração total do tratamento (8 semanas) e a duração da quimioterapia (que é concomitante, não prolongada). O candidato que decora o esquema de cisplatina semanal pode marcar a alternativa E, mas o que decide a questão é o prazo de 8 semanas para completar todo o tratamento.

  1. 1Radioterapia externa pélvica
  2. 2Cisplatina semanal (radiossensibilizador)
  3. 3Braquiterapia (todos os estádios)
  4. 4Concluir em até 8 semanas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A radioterapia pode envolver a região para-aórtica, dependendo do comprometimento linfonodal. Em pacientes com linfonodos para-aórticos positivos (confirmados por imagem ou biópsia), a extensão do campo de radioterapia para essa região é indicada. A alternativa afirma que a radioterapia deve ser dirigida apenas para a pelve, o que é falso — a decisão é individualizada conforme o estadiamento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A braquiterapia está indicada para todos os estádios em que há tumor localizado no colo uterino, desde os estádios iniciais (IB2, IIA2) até os avançados (III, IVA). Ela é componente essencial do tratamento curativo, permitindo altas doses de radiação no tumor primário. A alternativa restringe indevidamente a indicação a estádios III ou superiores, o que contraria a prática clínica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A duração total do tratamento (radioterapia externa + braquiterapia) deve ser completada em até 8 semanas. Estudos demonstram que prolongamentos estão associados a pior controle local e menor sobrevida, devido à repopulação tumoral durante os intervalos. Esse é um dos fatores prognósticos mais importantes no tratamento do câncer de colo uterino.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora a RM seja superior à TC para avaliar a extensão local da doença (invasão parametrial, envolvimento vaginal), a alternativa D não é o foco da questão, que é sobre a duração do tratamento. Além disso, a afirmação é verdadeira em si, mas não responde ao enunciado, que pergunta sobre a quimiorradioterapia concomitante com cisplatina. A banca pode ter incluído essa alternativa como um distrator plausível, mas o que se cobra é o prazo de 8 semanas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A quimioterapia com cisplatina é administrada concomitantemente à radioterapia, como radiossensibilizador, e não deve ser estendida por uma semana após o término da radioterapia. O esquema típico é semanal durante a radioterapia externa, e não há recomendação de prolongamento. A alternativa inverte o conceito de tratamento concomitante.

Gabarito: letra C — a duração total do tratamento deve ser completada em até 8 semanas.

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