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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088849
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
Paciente com antecedentes de câncer de mama esquerda há 10 anos, receptor hormonal positivo, HER2 negativo, escore 1+, de 58 anos de idade, procura o atendimento médico para acompanhamento. Residia em outra cidade e refere ter sido tratada com cirurgia, quimioterapia adjuvante, radioterapia adjuvante e hormonioterapia com tamoxifeno por 5 anos. Vinha bem, com consultas anuais em ginecologista. Procurou atendimento de urgência, há uma semana, por cólica nefrética, e foi orientada a procurar o oncologista devido a alterações nas tomografias. A paciente está assintomática e o exame físico é normal, inclusive o exame das mamas. Os exames solicitados pelo oncologista revelam:• tomografia computadorizada de tórax: duas lesões com características de metástases em lobo superior direito;• tomografia computadorizada de abdome total: uma lesão hepática em segmento VIII, de 3 cm no maior eixo, com característica de secundária;• cintilografia óssea: áreas de maior captação em T8 e T12, sem ruptura de cortical óssea; • laboratório: hemograma, função hepática e função renal normais;• biópsia da lesão pulmonar revelou: carcinoma invasivo, compatível com sítio primário em mama, receptor de estrogênio positivo 80%, receptor de progesterona positivo 40%, HER2 escore 1+, Ki67 positivo 30%.Assinale a alternativa correta a respeito do caso.
  1. APor se tratar de crise visceral, está indicada quimioterapia sistêmica com taxanos e platina.
  2. BPor se tratar de crise visceral, está indicado tratamento com trastuzumabe deruxtecana.
  3. CEstá indicado o tratamento com hormonioterapia com inibidor da aromatase.
  4. DEstá indicado o tratamento com inibidor de ciclina + inibidor da aromatase.
  5. ESem a realização de PET-CT para avaliar a real extensão da doença, não é possível determinar a conduta.
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GabaritoD — Está indicado o tratamento com inibidor de ciclina + inibidor da aromatase.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de mama metastático: abordagem terapêutica

Gabarito: letra D. A paciente tem câncer de mama metastático (doença avançada) com receptores hormonais positivos e HER2 negativo, sem crise visceral. Nesse cenário, a primeira linha de tratamento é a combinação de um inibidor de CDK4/6 (ciclina) com terapia endócrina, como o inibidor da aromatase, conforme as diretrizes atuais. A alternativa D reflete exatamente essa conduta.

O caso apresenta uma paciente de 58 anos, pós-menopausa, com câncer de mama diagnosticado há 10 anos, tratado com cirurgia, quimioterapia, radioterapia e tamoxifeno por 5 anos. Agora, ela tem metástases pulmonares, hepática e ósseas, mas está assintomática, com exames laboratoriais normais. A biópsia da lesão pulmonar confirma carcinoma invasivo de origem mamária, com receptores de estrogênio (RE) positivos em 80%, receptores de progesterona (RP) positivos em 40%, HER2 negativo (escore 1+) e Ki67 de 30%.

O ponto central é distinguir crise visceral de acometimento visceral sem crise. A crise visceral é definida como disfunção orgânica grave, com sintomas e alterações laboratoriais que indicam rápida progressão e risco de morte, exigindo resposta rápida, geralmente com quimioterapia. Nesta paciente, apesar de haver metástases viscerais (pulmão e fígado), ela está assintomática, com função hepática e renal normais, e sem sinais de disfunção orgânica. Portanto, não se trata de crise visceral, e a hormonioterapia combinada com inibidor de CDK4/6 é a opção preferencial.

A escolha da terapia endócrina depende do estado menopausal. Em mulheres pós-menopáusicas, os inibidores da aromatase (anastrozol, letrozol, exemestano) são a base do tratamento, pois reduzem a produção periférica de estrogênio. A combinação de inibidor de aromatase com inibidor de CDK4/6 (palbociclibe, ribociclibe, abemaciclibe) demonstrou superioridade em sobrevida livre de progressão em relação à monoterapia hormonal, sendo o padrão de primeira linha para doença metastática RH+ e HER2-.

A alternativa A sugere quimioterapia com taxanos e platina, mas isso seria indicado apenas em caso de crise visceral ou resistência à terapia hormonal, o que não se aplica aqui. A alternativa B propõe trastuzumabe deruxtecana, um conjugado anticorpo-fármaco (ADC) direcionado ao HER2, mas a paciente é HER2 negativa (escore 1+), portanto não há indicação. A alternativa C, hormonioterapia isolada com inibidor da aromatase, é inferior à combinação com inibidor de CDK4/6, que é o padrão atual. A alternativa E afirma que sem PET-CT não é possível determinar a conduta, o que é incorreto, pois o estadiamento já foi feito com TC e cintilografia óssea, e a conduta se baseia no perfil biológico e na presença ou ausência de crise visceral, não na necessidade de PET-CT.

Câncer de mama metastático RH+ / HER2-
  • 1Avaliar crise visceral
    • Sem crise → terapia endócrina + inibidor CDK4/6
    • Com crise → quimioterapia
  • 2Terapia endócrina (pós-menopausa)
    • Inibidor da aromatase
    • Combinado com inibidor CDK4/6 (padrão 1ª linha)
  • 3HER2-low (escore 1+)
    • ADC (trastuzumabe deruxtecana) não é 1ª linha
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A quimioterapia com taxanos e platina é reservada para pacientes com crise visceral, definida como disfunção orgânica grave com sintomas e rápida progressão. A paciente está assintomática, com função hepática e renal normais, portanto não se enquadra nesse cenário. A conduta correta é a terapia endócrina combinada, não quimioterapia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O trastuzumabe deruxtecana é um conjugado anticorpo-fármaco (ADC) direcionado ao HER2, indicado para tumores HER2 positivos ou HER2-low (escore 1+ ou 2+ com FISH negativo) em cenários específicos, geralmente após progressão em terapia prévia. No entanto, a paciente é HER2 negativo (escore 1+) e não há indicação de ADC nesta primeira linha de tratamento para doença metastática RH+ e HER2-. A terapia endócrina combinada com inibidor de CDK4/6 é a opção preferencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hormonioterapia isolada com inibidor da aromatase é uma opção, mas a combinação com inibidor de CDK4/6 demonstrou superioridade em sobrevida livre de progressão e é o padrão de primeira linha para doença metastática RH+ e HER2-. A monoterapia hormonal é inferior e não é a conduta preferencial quando há indicação de combinação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de inibidor de CDK4/6 (palbociclibe, ribociclibe ou abemaciclibe) com inibidor da aromatase é o tratamento de primeira linha para câncer de mama metastático RH+ e HER2- em mulheres pós-menopáusicas. A paciente se encaixa nesse perfil: RE positivo 80%, RP positivo 40%, HER2 negativo, sem crise visceral. A combinação é superior à monoterapia hormonal e é a conduta recomendada pelas diretrizes atuais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O PET-CT não é obrigatório para determinar a conduta neste caso. O estadiamento já foi realizado com tomografia computadorizada de tórax e abdome, além de cintilografia óssea, que identificaram as metástases. A decisão terapêutica se baseia no perfil biológico do tumor (receptores hormonais, HER2, Ki67) e na presença ou ausência de crise visceral, não na necessidade de PET-CT. A conduta pode ser definida com os exames já disponíveis.

Gabarito: letra D

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