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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2024

MedicinaOncologia
Código
vu088852
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Oncologista
A classificação molecular dos carcinomas de endométrio tem auxiliado na estratificação de risco das pacientes acometidas por essa patologia. De acordo com a classificação molecular, é correto afirmar que pacientes
  1. Asem mutação em POLE são classificados como POLE.
  2. Bcom MSI high e p53 aberrante são classificados como p53 aberrante.
  3. Csem mutação em POLE, MMR proficiente e padrão selvagem de p53 são classificados como perfil molecular não especial.
  4. Dcom MSI high e POLE mutado são classificados como MSI-H.
  5. Ecom POLE mutado e p53 aberrante são classificados como perfil molecular não especial.
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GabaritoC — sem mutação em POLE, MMR proficiente e padrão selvagem de p53 são classificados como perfil molecular não especial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação molecular dos carcinomas de endométrio

Gabarito: letra C. A classificação molecular do carcinoma de endométrio, baseada no estudo The Cancer Genome Atlas (TCGA), divide os tumores em quatro grupos prognósticos: POLE ultramutado, MSI (instabilidade de microssatélites), p53 aberrante (ou copy-number high) e o grupo sem alterações específicas, denominado "no specific molecular profile" (NSMP) ou perfil molecular não especial. A alternativa C descreve corretamente esse último grupo: ausência de mutação em POLE, MMR proficiente (sem MSI) e p53 selvagem. As demais alternativas apresentam combinações incorretas ou invertem a lógica da classificação.

A classificação molecular revolucionou a estratificação de risco do câncer de endométrio, complementando a histologia tradicional (tipos 1 e 2). O estudo TCGA identificou quatro subgrupos com prognósticos distintos, e essa classificação foi posteriormente simplificada para uso clínico, podendo ser realizada por técnicas como imuno-histoquímica (para p53 e MMR) e sequenciamento (para POLE). Os quatro grupos são:

  1. POLE ultramutado: presença de mutação no domínio exonuclease do gene POLE. É o grupo de melhor prognóstico, apesar de frequentemente apresentar alto grau histológico.

  2. MSI (instabilidade de microssatélites): decorre de deficiência no sistema de reparo de erros de pareamento do DNA (MMR), resultando em alta mutação. Prognóstico intermediário.

  3. p53 aberrante (ou copy-number high): superexpressão ou mutação de p53, associado a alto grau e histologias agressivas (seroso, células claras). Pior prognóstico.

  4. NSMP (no specific molecular profile): também chamado de perfil molecular não especial ou copy-number low. Não apresenta mutação em POLE, é MMR proficiente (sem MSI) e p53 selvagem. Prognóstico intermediário, semelhante ao MSI.

A lógica da classificação é hierárquica e mutuamente exclusiva: primeiro se avalia a presença de mutação em POLE (se presente, classifica como POLE, independentemente de outros achados); se ausente, avalia-se o status de MMR (se deficiente, classifica como MSI); se proficiente, avalia-se p53 (se aberrante, classifica como p53 aberrante; se selvagem, classifica como NSMP). Essa hierarquia é essencial para entender por que as alternativas que combinam características de grupos diferentes estão incorretas.

Na prática clínica, essa classificação auxilia na decisão terapêutica: pacientes com POLE mutado podem ser candidatos a de-escalonamento de tratamento, enquanto aqueles com p53 aberrante podem se beneficiar de terapias mais agressivas. A alternativa C captura exatamente a definição do grupo NSMP, que é o mais comum e o que apresenta perfil molecular "não especial", ou seja, sem as alterações marcadoras dos outros grupos.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia da classificação: a banca tenta confundir o candidato ao combinar características de grupos diferentes, como POLE mutado com MSI ou p53 aberrante. É fundamental lembrar que a presença de mutação em POLE é o critério mais forte e define o grupo, independentemente de outros achados. Da mesma forma, MSI e p53 aberrante são mutuamente exclusivos na classificação final, pois a avaliação é sequencial.

Grupo molecular

Mutação POLE

Status MMR (MSI)

Status p53

Prognóstico

POLE ultramutado

Presente

Qualquer

Qualquer

Melhor

MSI (instabilidade de microssatélites)

Ausente

Deficiente (MSI-H)

Qualquer

Intermediário

p53 aberrante (copy-number high)

Ausente

Proficiente (sem MSI)

Aberrante

Pior

NSMP (perfil molecular não especial)

Ausente

Proficiente (sem MSI)

Selvagem

Intermediário

1POLE ultramutado
mutação no domínio exonuclease
melhor prognóstico
2MSI (deficiência de MMR)
prognóstico intermediário
3p53 aberrante
histologias agressivas
pior prognóstico
4NSMP (não especial)
sem POLE, MMR proficiente, p53 selvagem
prognóstico intermediário
Classificação molecular (endométrio)
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Classificação molecular (endométrio): POLE ultramutado (mutação no domínio exonuclease, melhor prognóstico); MSI (deficiência de MMR) (prognóstico intermediário); p53 aberrante (histologias agressivas, pior prognóstico); NSMP (não especial) (sem POLE, MMR proficiente, p53 selvagem, prognóstico intermediário)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes sem mutação em POLE são classificados como POLE. Isso é um contrassenso: a classificação POLE exige a presença da mutação no gene POLE. A ausência de mutação em POLE é justamente o que exclui o tumor desse grupo, direcionando a avaliação para os próximos passos (MMR e p53). A alternativa inverte o critério de inclusão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com MSI high e p53 aberrante são classificados como p53 aberrante. Na hierarquia da classificação, a avaliação de p53 só é feita após a exclusão de POLE mutado e de MSI. Se o tumor é MSI high, ele já é classificado como MSI, e a avaliação de p53 não é utilizada para a classificação final. A presença de p53 aberrante em um tumor MSI não o reclassifica; o grupo MSI é definido pela deficiência de MMR, independentemente do status de p53. A alternativa ignora a ordem sequencial da classificação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o grupo NSMP (perfil molecular não especial): sem mutação em POLE, MMR proficiente e padrão selvagem de p53. Essa é a definição exata do grupo mais comum, que não apresenta as alterações marcadoras dos outros três grupos. A ausência de mutação em POLE exclui o grupo POLE; a proficiência do MMR (sem MSI) exclui o grupo MSI; e o p53 selvagem exclui o grupo p53 aberrante. Portanto, o tumor é classificado como NSMP.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com MSI high e POLE mutado são classificados como MSI-H. Na hierarquia, a presença de mutação em POLE é o critério mais forte e define o grupo POLE, independentemente do status de MMR. Se o tumor tem POLE mutado, ele é classificado como POLE ultramutado, mesmo que também apresente MSI. A alternativa inverte a prioridade: o POLE mutado sobrepõe-se ao MSI na classificação final.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com POLE mutado e p53 aberrante são classificados como perfil molecular não especial. Isso é duplamente incorreto: primeiro, a presença de mutação em POLE define o grupo POLE, não o NSMP; segundo, o grupo NSMP exige p53 selvagem, não aberrante. A alternativa combina características de grupos diferentes e atribui ao grupo errado. O NSMP é caracterizado pela ausência de todas as alterações marcadoras, não pela presença de POLE mutado ou p53 aberrante.

Gabarito: letra C — a única alternativa que descreve corretamente o grupo NSMP, com ausência de mutação em POLE, MMR proficiente e p53 selvagem.

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